Jovens que participam do Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) Camboatá, do Grêmio Atiradores, estão aproveitando o mês do gaúcho para contar histórias através da dança.
O grupo juvenil, que conta com adolescentes de até 18 anos, apresentam a trajetória de Pedro Adams e dos sapateiros de Novo Hamburgo. Já a turma mirim, com a participação de meninos e meninas de até 14 anos, estão homenageando o trabalho do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
“No final do ano já começamos a preparar a nova coreografia. Então, ao trazer a história de Novo Hamburgo, valorizamos a profissão que surgiu desde a primeira fábrica instalada na cidade. Para nós, muito nos orgulha apresentar essa coreografia”, afirma o patrão do DTG, Luciano Pereira da Rosa.
O instrutor e coreografo do grupo, Everton Ferreira, destaca o reconhecimento do município como Capital do Calçado e a união com a tradição gaúcha. “Novo Hamburgo é conhecida mundialmente como Capital do Calçado e o tradicionalismo é tão forte, que resolvemos juntar essas duras coisas para mostrar às pessoas.”
Desbravando Novo Hamburgo
Dançando no DTG Camboatá desde 2011, Rafael Feliciano Pereira da Rosa, 18 anos, representa Pedro Adams na coreografia. “Conhecia um pouco da história, mas acabei conhecendo mais a partir da proposta.”
Ensaiando desde maio, os jovens têm suas histórias confundidas com a da própria cidade. Esse é o exemplo de Vinícius de Moura, 17 anos.
“Minha família veio para Novo Hamburgo para trabalhar na indústria calçadista. Então, é legal demais aprender um pouco mais dessa história.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
O mesmo ocorre com Agatha Schmitz, 18 anos. “Meu avô teve uma fábrica de sapatos, então algumas coisas durante os ensaios e na música, me relembraram a memória dele. A adolescente dança desde os 9 anos, mas passou a participar do Camboatá em 2022. “Antes morava em Santa Maria do Herval.”
Outra dançarina, Natália Seil, 18 anos, está cada vez mais animada com a coreografia por contar a trajetória de pessoas comum, que transforaram o cotidiano do município. “Se confunde um pouco com a vida dos meus pais, que também foram sapateiras, é gratificando fazer parte disso.”
O grupo se apresentou no último sábado (13) em Gramado e tem ainda a Feira Loucura por Sapatos no horizonte, além de outras competições estaduais. O grande foco é chegar forte ao Enartinho em 2026.
Homenagem aos bombeiros
Neste ano, o grupo mirim do Camboatá presta uma homenagem ao Corpo de Bombeiros pela atuação nas enchentes de 2024. A corporação de Sapiranga serviu de base para a pesquisa, pois conta com o projeto Bombeiro Mirim, que envolve crianças da região em atividades da corporação em um projeto social e educativo.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Durante o período da enchente, participantes do Camboatá vivenciaram de perto os dias de cuidado e auxílio ao próximo. Afinal, a sede no Grêmio Atiradores serviu como alojamento a desabrigados e contou com o apoio desses bombeiros mirins, que atuaram na separação de roupas e donativos. Por isso que, para o grupo, os bombeiros que trabalharam incansavelmente foram considerados os verdadeiros heróis.
Durante a coreografia, os dançarinos entram com o caminhão dos bombeiros, alegoria que faz sucesso entre o público. Ao final, ocorre a homenagem a todos os profissionais considerados heróis, como enfermeiros, médicos e policiais.
Deise Dutra e Marcelo Garcia são tios da pequena Valentina Dutra, 8 anos, que participa da apresentação. “É um orgulho muito grande ver ela dançando. A gente chora, a gente ri, não conseguir enxergar algum erro neles”, diz Deise.
O casal costuma acompanhar os ensaios e apresentações da sobrinha, além de dar apoio para os outros participantes. “O amor pelo grupo todo é enorme e verdadeiro”, completa.
Conquista em Santa Maria
Realizado em Santa Maria, o 29º FestMirim reuniu mais de 130 grupos de dança, divididos entre Forças A e B. Este foi o segundo ano consecutivo que o mirim do Camboatá participou na Força A, onde conquistou o quinto lugar com a melhor coreografia de entrada.
A competição ainda teve apresentações individuais, nas modalidades de chula, dança de salão, declamação, gaita e solista vocal. Ao todo, o evento reuniu mais de 6 mil participantes até os 14 anos de idade.
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