Há profissões que se caracterizam pelo cuidado com outros seres humanos, uma missão que equilibra a especialização e a afetividade. É o caso dos técnicos em enfermagem, que ao iniciar um plantão muitas vezes precisam deixar os próprios problemas de lado para dedicar atenção integral aos pacientes.
A essência desse cuidado atravessa séculos. Embora práticas ligadas à enfermagem existam desde antes de Cristo, foi no século 19 que a profissão ganhou notoriedade com a atuação de Florence Nightingale, considerada a mãe da enfermagem moderna.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Nascida em uma família rica de Florença, na Itália, e criada parte da vida em Londres, na Inglaterra, ela abriu mão do conforto para se dedicar aos feridos da Guerra da Crimeia, entre 1853 e 1856.
Com uma lâmpada nas mãos, percorria corredores e campos de batalha durante a noite para atender soldados feridos. O gesto lhe rendeu o apelido de “Dama da Lâmpada” e transformou o objeto em símbolo da enfermagem até os dias atuais.
Mais de dois séculos depois, mesmo em uma era marcada pela tecnologia e pelos avanços da medicina, a profissão mantém a essência do cuidado humano. Para reconhecer esse trabalho, o Dia do Técnico em Enfermagem é celebrado em 20 de maio.
Já o Dia do Enfermeiro foi comemorado em 12 de maio, datas que homenageiam profissionais que convivem diariamente com a dor, a esperança e a recuperação dos pacientes.
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Pressão, equilíbrio emocional e empatia
A rotina hospitalar exige rapidez, controle emocional e capacidade de lidar com situações extremas. Para Felipe Cardoso, o principal desafio é manter a calma em momentos críticos.
“Aquela pessoa que está no leito é o familiar amado de alguém. Então fazemos sempre o melhor que podemos”, afirma.
Segundo ele, a experiência ajudou a desenvolver tranquilidade durante emergências. “Hoje, quando acontece uma parada cardiorrespiratória, consigo agir rápido, mas sem desespero”, relata.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Engel Silva destaca que a profissão também exige cuidado com a própria saúde mental. “A enfermagem é uma profissão muito intensa. Precisei aprender a lidar com isso da melhor forma possível”, afirma.
Para enfrentar a pressão da rotina hospitalar, ela passou a investir em terapia, exercícios físicos e qualidade de vida. “Faço natação, corro, ando de bicicleta, treino na academia e procuro cuidar da alimentação”, explica.
Já para Iara Pereira, um dos maiores desafios da enfermagem é separar os problemas pessoais da vida profissional. “Claro que a gente tem as nossas dificuldades, mas tenta deixar isso em casa e focar em ajudar quem está precisando”, afirma.
Ela acredita que os profissionais da área frequentemente colocam as necessidades dos pacientes acima das próprias emoções. “A gente acaba se anulando um pouco para conseguir cuidar dos outros. O paciente já está enfrentando um problema, então tentamos não levar os nossos para dentro do hospital”, relata.
As histórias de quem descobriu a sua vocação
Segundo dados do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), Novo Hamburgo possui 2.356 técnicos em enfermagem registrados.
Destes, 2.039 são mulheres. Entre os enfermeiros, são 609 profissionais, sendo 532 mulheres. Os números mostram o predomínio feminino em uma profissão historicamente ligada ao cuidado.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Foi justamente através da maternidade que a técnica em enfermagem Iara Regina Dias Pereira, de 53 anos, descobriu sua vocação. A filha dela foi diagnosticada com paralisia cerebral aos dois anos de idade, e durante mais de uma década Iara passou a viver entre consultas, exames e internações hospitalares.
“Quando minha filha faleceu, descobri que queria continuar ajudando pessoas em momentos de enfermidade. Comecei a estudar, me formei e hoje trabalho no que amo”, relata.
Ela lembra que, mesmo acompanhando a filha nos hospitais, já auxiliava outros pacientes e familiares que estavam ao redor. “Eu percebia que conseguia acolher as pessoas”, conta.
A trajetória do técnico em enfermagem Felipe Cardoso também começou longe da área da saúde. Antes da enfermagem, trabalhou na indústria, no comércio, em mercados e postos de combustíveis. “Eu estava meio perdido, tentando descobrir o que queria fazer da vida”, relembra.
A mudança ocorreu em 2014, após a morte do pai. Na época, a irmã dele, que já era técnica em enfermagem, abriu um lar de idosos e o convidou para trabalhar no local. “Foi ali que comecei a me encontrar”, afirma.
Em 2016, Felipe iniciou o curso técnico em enfermagem e concluiu a formação em 2018. Desde então, atua na área. “Sempre tive facilidade para conversar e lidar com pessoas. No lar de idosos percebi que era isso que eu queria fazer”, diz.
História semelhante viveu a enfermeira Engel Silva, hoje com 30 anos. Ela descobriu a vocação enquanto cuidava do avô durante um tratamento contra o câncer.
“Meu avô tinha nove filhos, mas ninguém conseguia lidar muito bem com os cuidados. Eu acabava acompanhando ele em tudo”, lembra.
Na época, Engel cursava técnico em administração, mas passou a acompanhar o avô em sessões de quimioterapia e radioterapia. O incentivo definitivo veio dele próprio. “Ele dizia que eu tinha o dom de cuidar das pessoas e que precisava trabalhar com isso. Aquilo ficou na minha cabeça”, conta.