“Quando tiraram nós disseram que seria de um a dois anos e se passaram 15, isso dói e mexe com o psicológico da gente”. Este é o relato de Jussara Portilho Santos, de 48 anos, antiga moradora da Vila Palmeira, em Novo Hamburgo. Ela saiu de casa em 2011 devido a desapropriações para obras de urbanização, efetuadas por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e aguarda por imóvel até hoje.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Nesta sexta-feira (6), a dona de casa, residente do bairro Santo Afonso, compareceu à reunião com representantes da Caixa Econômica Federal na Câmara de Vereadores, que tem por objetivo manter as famílias informadas sobre os empreendimentos que serão construídos na Avenida Octávio Oscar Bender, próximo do Aeroporto Regional Pedro Adams Neto, no bairro Canudos, onde as mais de cem famílias que desocuparam a Vila Palmeira na época deverão residir após conclusão das obras.
O superintendente-executivo de Habitação da Caixa Econômica Federal no Vale do Sinos, Ricardo Darós, e o gerente da filial de Habitação em Porto Alegre, Guilherme Fernandes, explicaram sobre os processos para o novo empreendimento. A fase atual é a de análise dos projetos estruturais, o que deve ocorrer até o final de março, segundo Darós. A estimativa é avançar para a análise financeira em abril, para até o final do mês ocorrer a assinatura do contrato que autoriza o início das obras. Com o começo da construção, o prazo para entrega do imóvel é de 24 a 36 meses, conforme exposto na reunião.
Para Jussara, o prazo foi uma surpresa. “Não deram o ok que nós estávamos esperando, de novo mais um prazo e estamos tristes, saindo daqui desanimados”, relata. Para a dona de casa que está há 15 anos no Aluguel Social, a promessa do imóvel próprio se tornou um sonho distante. “O meu pai, com 80 anos, também está no Aluguel Social, é mais um que acho que vai morrer e não vai ganhar a casa”, desabafa.
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A moradora de uma casa alugada no bairro Boa Saúde, Sandra Rodrigues de Souza, 52, demonstra descontentamento com as informações recebidas durante o encontro. “Eu estou muito desanimada, porque a gente esperava que as casas ficassem prontas ainda neste ano”, ressalta. Ao longo dos 14 anos aguardando o imóvel prometido, Sandra já passou por cerca de 30 casas. A autônoma relata inseguranças em relação às próximas etapas. “Meu sonho é ter a minha casa e deixar tudo do meu jeitinho, e eu tenho o sentimento que eu vou morrer e não vou ver minha casa”, menciona.
A próxima reunião do grupo com a Caixa ficou marcada para o dia 17 de abril.
O que diz a Prefeitura
De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social e Habitação, Juciane Saul, que também participou do encontro, o esperado era que o processo estivesse mais avançado, mas é entendido que são burocracias. “Toda movimentação que a Habitação precisava fazer foi feito, agora nosso próximo passo é aguardar a assinatura do contrato para que a gente comece a fazer o acolhimento com as famílias, para atualizar os cadastros e documentos”, explica.