Os serviços de streaming vêm impactando diretamente a carreira de artistas. Esse é um dos principais insights de uma pesquisa global conduzida simultaneamente em cinco países: Brasil, Holanda, Nigéria, Coreia do Sul e Chile. O estudo integra o projeto internacional PlatforMuse, liderado pelo professor Dr. Robert Prey, da Universidade de Oxford, em parceria com o Instituto Ipsos — referência em pesquisa de mercado e opinião pública. Ao todo, foram coletadas 1.198 respostas de músicos e produtores, sendo 417 deles brasileiros.

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A pesquisa quantitativa foi realizada online por meio de um formulário distribuído nos cinco países participantes. Entre os respondentes, 53% esperam viver de música no futuro, enquanto 42% já atuam com carreira consolidada em tempo integral. O estudo abrangeu cantores, compositores, instrumentistas e produtores musicais, sendo que 84% trabalham de forma independente. Quanto ao desempenho nos palcos, 64% se apresentam como artistas solo e 38% integram bandas ou grupos.
O Brasil representou a maior fatia de participação no estudo, com 35% dos entrevistados. No País, os resultados indicam que 44% dos artistas distribuem sua música diretamente por meio de plataformas digitais — a taxa mais expressiva entre as nações pesquisadas. “Com base nesses resultados, será possível propor estratégias adequadas de apoio e políticas públicas que dialoguem com a realidade vivida por esses profissionais”, afirma Vanessa Valiati, coordenadora da pesquisa no Brasil e professora da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo.
Entre os músicos brasileiros, 88% lançam seus trabalhos de forma independente. Quanto à distribuição das obras, 45% utilizam empresas ou profissionais especializados, enquanto 44% realizam esse processo de forma autônoma. Um dos dados mais relevantes diz respeito à renda mensal desses trabalhadores: 30% faturam entre R$ 530 e R$ 5.300 com música. “Os dados destacam a independência dos músicos na distribuição de suas obras, mas também evidenciam obstáculos financeiros e a sobrecarga de tarefas que vão além do fazer musical”, completa Vanessa.
Outro ponto relevante do estudo trata do uso das plataformas online. A pesquisa revela que 77% dos músicos entrevistados preferem o YouTube como principal ferramenta para distribuir seus trabalhos. Em seguida, aparecem os serviços de streaming, com 60%, e o TikTok, com 44%. Já para a comunicação com os fãs, a plataforma mais utilizada é o Instagram, escolhida por 89% dos artistas. Além disso, quase 80% dos músicos reconhecem a importância do streaming para suas carreiras — sendo 43% que o consideram essencial e 35% que o veem como relevante, mas não indispensável.
Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Conselho Europeu de Pesquisa, a pesquisa busca compreender a realidade do trabalho de músicos em diferentes contextos culturais e digitais. “Queremos entender quais plataformas os músicos utilizam e quanto tempo dedicam a elas, com um olhar global. Embora já existam diversos estudos sobre o tema nos Estados Unidos e no Reino Unido, nosso objetivo é captar as diferenças em contextos como o Brasil, Holanda, Nigéria, Coreia do Sul e Chile”, pontua Prey.