A história de uma das mulheres mais populares da política latino-americana ganha versão teatral neste fim de semana em Novo Hamburgo. O espetáculo “Evita – Por amor a um povo” estreia neste sábado (29), na Casa das Artes, propondo uma leitura cênica sobre a trajetória de Eva Perón entre os anos de 1945 e 1952, período em que ela se consolidou como figura central da política argentina.

Foto: Divulgação
Dirigida e roteirizada pelo argentino Fabián Abud, a montagem da companhia Entretextos NH aborda a personagem sob diferentes perspectivas: a mulher, a líder social e a primeira-dama. Segundo o diretor, a peça não pretende ser uma reconstituição histórica literal, mas uma interpretação dramatúrgica baseada em pesquisas e obras literárias. “Vai ser apresentada a história de como ela chegou ao topo e das transformações que promoveu na Argentina. Existem filmes, óperas e monólogos, mas não uma peça teatral dedicada a ela. Essa foi a minha motivação”, afirma.
Abud conta que a escrita do texto levou cerca de dois anos e meio e foi construída a partir de três obras: Santa Evita, A Razão Da Minha Vida e Yo, Esa Mujer. O diretor, que vive há 27 anos em Novo Hamburgo, traz também sua relação pessoal com a personagem. “Na Argentina, a história da Evita é ensinada desde cedo. Minha mãe viveu essa época e sempre falava do impacto social que ela teve. Existe uma memória muito forte em torno dessa figura”, relata.
Elenco local
A encenação reúne 14 atores do Vale dos Sinos, muitos em múltiplos papéis. Eva Perón será interpretada principalmente por Vivian Quadros, enquanto a fase jovem da personagem, ao chegar a Buenos Aires aos 15 anos, fica a cargo da atriz Nataly Pinheiro. O ex-presidente Juan Domingo Perón é vivido por Paulo Ricardo Krug, que retorna aos palcos aos 65 anos. “É um desafio e também uma realização. Estou há 40 anos longe dos palcos, mas aceitei na hora este convite. Não conhecia profundamente a história e fui pesquisar. Tentei me aproximar do personagem a partir de registros da época. Estou muito feliz com o resultado”, diz.
Além do casal central, a peça destaca personagens do entorno político e social da época. Um deles é Paco Jamandreu, estilista e responsável pela imagem pública de Evita, interpretado por Bruno Eduardo Silva. Historiador de formação, o ator ressalta que o espetáculo trabalha com personagens inspirados em figuras reais, mas com liberdade dramatúrgica. “O Paco é um personagem de bastidor, mas foi essencial para construir a imagem que conhecemos da Evita. Ele ajudou a criar esse visual clássico que depois influenciou outras primeiras-damas. A peça também ajuda a olhar para a história argentina por outros ângulos”, explica.
A produção também chamou atenção fora do circuito local. O Museu Eva Perón, na Argentina, enviou documentos históricos para o diretor, e parte dos figurinos contou com apoio técnico especializado, como as perucas produzidas em São Paulo por profissionais ligados à ópera e ao teatro.
Após a estreia em Novo Hamburgo, o espetáculo já tem nova apresentação marcada para 29 de março, na Sociedade Clube 15 de Novembro em Campo Bom, e a companhia trabalha para levar a montagem a outras cidades, como São Leopoldo, Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas.
Ficha técnica do espetáculo:
Nos papéis principais
- Paulo Krug – Perón
- Vivian Quadros – Evita
- Bruno Eduardo Silva
- Bruno Krug
- Eliézer Kunast
- Gilberto Bauer
- Antonio Borges
- João Koehler
- Meg Yllana
- Cleide Valente
- Circe de Aguiar
- Nataly Pinheiro
- Shanddy Finotti
Criação de vinhetas e trilha sonora
- Rodrigo Zago
Criação de cenário e iluminação
- Cleber Monteiro
Maquiagem
- Jardel de Oliveira
Figurinos
- Entretextos
Texto e direção geral
- Fabián Abud
Livros usados para o roteiro
- Yo, Esa Mujer
- A razão da minha vida
- Santa Evita
Pesquisas
- Museu Evita Buenos Aires
- YouTube entre outros
A entrevista completa você confere no segundo bloco do programa NH 10 de segunda-feira (25):
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