Novo Hamburgo é palco, desde sexta-feira (13), de um dos eventos mais potentes da cena artística e cultural dissidente do Rio Grande do Sul: o Treta Festival de Cinema e Performance Dissidente. Com encerramento previsto para este domingo (14), o festival ocupa diversos espaços da cidade — Casa da Praça, Casa das Artes, Espaço Sideral e Praça do Imigrante — reunindo produções audiovisuais de todo o Brasil, performances ao vivo, feira gráfica, oficinas e rodas de conversa.
Publicidade
O artista circense de Caracas, Venezuela , Angelico D’sastre abriu a programação na tarde deste sábado (13)
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Organizado pelo coletivo Treta Teatro e Artes de Intervenção, o festival busca dar visibilidade e protagonismo a artistas trans, negros, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e outras corporalidades dissidentes. A proposta é promover, de forma gratuita, não apenas falas e trocas, mas celebrar a identidade e a arte produzida por quem historicamente esteve à margem.
“Essas não são obras que falam sobre nós. São obras feitas por nós. É uma oportunidade para contarmos nossas histórias, para dialogarmos sobre nossas existências”, destaca o agente cultural, artista visual e arte-educador Pam Fogaça, integrante da organização do evento.
A abertura da mostra, na sexta, foi marcada pela performance do artista Kanauã Nharu, indígena e trans não-binária, natural do Rio Grande do Sul.
Circo, memória e resistência latino-americana
Já no sábado (14), quem deu início às apresentações foi o artista circense Angélico D’sastre, venezuelano de 42 anos, com 24 deles dedicados ao circo e ao teatro itinerante pela América Latina. Em sua performance “Inviadades”, o artista mistura experiências de rua, memória e resistência acumuladas em passagens por Venezuela, Bolívia, Peru, Colômbia e Brasil.
“Quero que esse festival abra portas para mais pessoas da comunidade estarem presentes. Que o próximo evento esteja ainda mais integrado à cidade”, afirmou Angélico. “Minha arte fala de pequenas coisas, mas que fazem parte da vivência de muitos corpos dissidentes que lutam por espaço.”
Publicidade
Feira com expositores locais
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Encerramento com exposição
O encerramento do Treta Festival será marcado pela abertura da exposição “Diáspora”, às 17h deste domingo (14), do artista plástico Juarez Negrão. Poeta, escultor, ceramista e compositor, Negrão apresenta uma obra profundamente ligada à ancestralidade, identidade e resistência afro-brasileira. A mostra permanecerá aberta ao público na Casa da Praça até o final do mês.