Depois de anos de planejamento e adiamentos forçados, a equipe do curta-metragem A Invenção começou nesta segunda-feira (27) as filmagens do filme que está sendo rodado em um sítio no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Escrito e dirigido pelo gaúcho André Arteche, o filme conta ainda com uma equipe formada majoritariamente por hamburguenses, tanto na produção quanto entre o elenco.
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Foto: Eduardo Amaral/GES-Especial
A produção executiva ficou sob responsabilidade do hamburguense Estúdio Magnólia, criado em 2023 por Fernanda Kern. Além dela, a direção de produção está nas mãos de outro morador da cidade, Leonardo Franke.
O elenco é formado predominantemente por artistas locais: Artur de Oliveira; Mani Torres; Francisco Machado Moraes e Cleide Valente. A direção de fotografia ficou por conta da Praça Filmes, tendo Maurício Borges de Medeiros.
O projeto do curta-metragem é uma ideia antiga, que vinha descansando na gaveta de Arteche. Quando o diretor encontrou Fernanda e Franke, a proposta começou a ganhar corpo. O objetivo do grupo era filmar ainda em 2024, mas percalços impediram o cumprimento do cronograma inicial.
“Inicialmente iríamos rodar em maio do ano passado, mas em abril notamos que algo ia impedir os planos”, conta Franke, fazendo referência às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no ano passado.
Luto e tempo
Financiado através da Lei Paulo Gustavo, o curta A Invenção ousa ao buscar no silêncio uma forma de contar uma história sobre a passagem do tempo, morte e outros temas delicados. A escolha por um roteiro sem falas é a busca de Arteche por uma profundidade baseada em olhares e gestos. “Nesse filme a palavra cede o espaço para a sensação”, explica Arteche ao falar sobre seu objetivo ao fazer o roteiro.
Tendo como linha mestre a história de um menino que precisa encarar a morte do avô e partir de então começa a lidar com os temas relacionados à passagem do tempo e a perda. Na história, o menino busca por invenções do avô que o ajudem a elaborar a perda do familiar.
Com essa abordagem silenciosa, o diretor espera que o público leve para casa as impressões sobre a película. “O filme não é cinema mudo, é um filme mudo em 2025. Então a gente não precisa entregar nenhuma interpretação para o público, ele vai buscar junto com a gente essa lacuna”, relata Arteche.
As locações
Quando roteiro chegou às mãos de Franke e Fernanda os dois consideraram que o texto se encaixava exatamente com o bairro Lomba Grande. Toda ação se passa no meio rural, um ambiente no qual o produtor hamburguense já tinha familiaridade, pois foi o mesmo local onde ele filmou seu primeiro filme, ainda experimental.
Filmado com recursos vindos da Lei Paulo Gustavo, o curta busca na paisagem bucólica do sítio justamente a profundidade necessária para contar uma história de perdas e descobertas. “A ideia é que não fique claro para o público a época que o filme passa, já que não é uma história de época. Por isso aqui é possível identificar vários períodos”, resume Franke apontando para parte do cenário da obra.
As filmagens seguem até o dia 29 de janeiro.