O empresário Braulio Wolff, dono da Wolfstore Indústria Têxtil, revelou na manhã desta quinta (12) detalhes do incêndio que destruiu um dos pavilhões da empresa, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. O fogo começou por volta das 22h30 de quarta-feira (11) e mobilizou equipes dos bombeiros de quatro cidades.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Wolff concedeu entrevista ao ABCmais enquanto acompanhava o trabalho de rescaldo realizado pelo Corpo de Bombeiros. Durante a manhã, uma retroescavadeira foi utilizada para derrubar parte da estrutura frontal do prédio atingido, facilitando o acesso das máquinas e permitindo que a matéria-prima fosse revirada para o resfriamento completo do local.
Segundo o empresário, o incêndio começou enquanto ele, funcionários e clientes confraternizavam em um prédio anexo ao pavilhão atingido pelo fogo. “A gente estava no nosso espaço gourmet fazendo uma confraternização com clientes e notamos barulho estranho, cheiro estranho. Quando a gente desceu aqui, já estava pegando fogo e o fogo saindo pela janela”, relatou.
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Ele conta que, minutos antes, o grupo percebeu que o ar-condicionado deste espaço de confraternização parecia não funcionar corretamente. “O pessoal falou: ‘tá estranho o ar’. Eu peguei o controle e comecei a mexer. Daqui a pouco começou um barulho, parecia uma chuva, sabe quando começam aqueles pingos fortes? Pensei: ‘será que tá chovendo?’ Quando eu desci, já tinha chama nas duas janelas laterais do estoque de espuma, onde ficavam alguns produtos químicos”, afirma.
O fogo atingiu o prédio onde funcionava a produção de espuma para dublagem de tecidos. De acordo com Wolff, todos deixaram imediatamente o prédio anexo e acionaram o Corpo de Bombeiros. “Foi muito maluco. A gente desceu correndo. Eu nem voltei para pegar o celular, trouxe o controle do ar-condicionado na mão. A gente já não estava raciocinando direito naquele momento”, disse.
O fogo que destruiu completamente o pavilhão da espumação seguiu intenso até cerca de 3 horas desta quinta-feira.
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O empresário destacou a atuação das equipes de Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga e São Leopoldo. “Primeiro, preciso agradecer ao Corpo de Bombeiros. Tiveram mais de dez caminhões girando e buscando água o tempo todo. Fizeram um excelente trabalho dentro do que puderam. Conseguiram evitar que o fogo atingisse o pavilhão dos fundos e as casas vizinhas. A operação de contenção foi sensacional”, opina.
Apesar da destruição de um dos prédios, Wolff garantiu que a operação da empresa não foi afetada. Segundo ele, a indústria conta com estoque intermediário para manter a produção por alguns dias. “Como aqui era a unidade que fazia espuma, a gente tem um estoque que dura quase uma semana, pelo menos três dias garantidos. Então a operação hoje continua praticamente normal”, explica.
O empresário também relatou que, ainda durante a madrugada, recebeu apoio de parceiros do setor. “Já durante a noite, alguns amigos ofereceram ajuda e parte dos funcionários foi deslocada para trabalhar em outra unidade fora da cidade. A gente não tem o que falar desses amigos nesse momento”, disse.
Ele também agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas. “Desde as 22 horas [de ontem] estou recebendo muita mensagem, muito apoio de clientes, fornecedores e da comunidade em geral. É um momento difícil, mas a gente já está trabalhando para resolver isso e fazer com que a operação sinta o mínimo possível”, conclui.
As causas do incêndio ainda serão apuradas. O trabalho de rescaldo seguia ao longo da manhã desta quinta-feira. Mais cedo, uma equipe do IGP esteve no local, mas não conseguiu acessar o prédio devido ao calor e focos de incêndio que ainda puderam ser vistos. O trabalho da perícia deve acontecer somente após os bombeiros concluírem rescaldo.