Os crimes de extorsão e os golpes têm atingido um número cada vez maior de vítimas no Vale do Sinos. Pensando nisso, um evento conjunto entre a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos (ACI/NH-CB-EV-DI-IV) e do Conselho de Pró-Segurança Comunitária de Novo Hamburgo (Consepro NH), reuniu palestrantes e empresários, na manhã desta quarta-feira (23), para falarem como agem as organizações criminosas que praticam esses tipos de delitos e porque é essencial denunciá-las.

Foto: Laura Rolim/GES-Especial
Foram convidados para palestrar o especialista em segurança, tecnologia e investigação de crimes de alta complexidade, Paulo Rogério Lino, a diretora de tecnologia da DGT Tecnologia, Rita de Cássia dos Santos, o delegado de Polícia Civil, da Delegação de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Ayrton Figueiredo Martins Júnior, e o delegado de Polícia Federal – Classe Especial e chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada, Marcelo Simões Pires Picarelli.
Durante o evento, foram abordados o modus operandi das organizações criminosas relacionados aos crimes de extorsão, principalmente nas técnicas de chantagem utilizadas pelos indivíduos. “Todos esses crimes acabam financiando as associações criminosas e o terrorismo. Nós, como sociedade, temos que contribuir. Não podemos esperar somente pelo Estado”, disse o especialista Lino.
O delegado Picarelli deu exemplos de como os crimes foram evoluindo conforme o passar dos anos. “O crime é feito por pessoas, e ele vai mudando conforme as necessidades. No passado, víamos muitos assaltos a banco, coisa que foi diminuindo por uma série de medidas adotadas para coibir essa prática. Agora, vemos que o crime está cada vez mais migrando para a questão eletrônica. Praticamente 90% dos prejuízos de empresas é no sistema eletrônico”, destacou.
Orientação para comunidade
O presidente do Consepro, Daniel De Campos, destacou que o evento é uma oportunidade de trazer orientações para a comunidade. “Uma das missões do Consepro é levar esse tipo de orientação para a sociedade. Todo mundo quer viver numa cidade mais segura, e por isso a gente trouxe esses especialistas da segurança para unirmos forças e melhorar a segurança do nosso município”.
Como forma de reprimir os delitos de extorsão na região, o delegado Ayrton Souza, da Draco, explicou como tem sido o trabalho para prevenir que esse tipo de crime aconteça. Além da prisão dos extorsionários e dos autores de violências ou dano patrimonial, um dos enfoques é o sequestro de bens e valores das quadrilhas, ou seja, a descapitalização e prisão dos líderes das organizações criminosas.
A operação Timeo, liderada pela Draco, que está em sua 7ª fase, é focada exatamente em investigações relacionadas às práticas de extorsão. “Essa operação surgiu por uma demanda das delegacias da região, pois, observamos que não se tratavam de episódios isolados, mas que vários empresários da região estavam sendo obrigados a ‘pagar caixinha’”, explicou Souza.
No vale do Sinos, as modalidades de extorsão mais praticadas são invasão e hackeamento de dispositivos eletrônicos; digitais, através de aplicativos e redes sociais, e a chamada “tradicional”, em que os próprios criminosos ameaçam pessoalmente donos de bares, restaurantes e outros comércios.
Entre os casos citados pelo delegado estava a de uma revenda de Estância Velha, em que uma quadrilha cobrava pedágios de empresários e foi, inclusive, notícia no Jornal NH. O grupo exigia pagamento mensal de valores para que seus estabelecimentos pudessem funcionar sem sofrer ataques. Ao final da investigação, segundo Souza, foram o total de 104 pessoas indiciadas por extorsão, além de 30 prisões preventivas.
“Eles se estruturam como verdadeiras empresas do crime, e cada integrante tem uma função definida, participação nos lucros e toma decisões estratégicas. Vemos cada vez mais uma disseminação das extorsões no Vale do Rio dos Sinos e zonas de hegemonia das organizações criminosas”, pontuou Souza.
O que fazer?
Entre as orientações dadas pelo delegado aos empresários em caso de serem vítimas do crime de extorsão, ele reforçou a importância de não ceder à chantagem e de registrar boletim de ocorrência. “Não paguem. Se pagou uma vez, vai pagar sempre. Além disso, guardem provas e denunciem, pois temos muitos casos de extorsão que acabam não sendo registrados pelas vítimas”, orientou Souza.