Um chá especial na Catedral São Luiz Gonzaga neste sábado (27) comemorou o aniversário do Grupo Amigas de Mãos Dadas, de Novo Hamburgo. A entidade, que atualmente atende a mais de 70 mulheres com câncer de mama por semana no município, completa seus 20 anos na próxima terça-feira (30).
Criado pelas voluntárias Flavia Regina Trevisan e Marlise Bern em 2006, o grupo conta com profissionais como psicóloga, assistente social e nutricionista voltadas a prestar apoio às pacientes. Segundo Marlise, a festa teve mais de 700 convites vendidos, com recursos revertidos aos serviços prestados pelo grupo.
A festa contou com apresentações da banda marcial da Brigada Militar e a presença de autoridades como vereadores e representantes do poder executivo.
Segundo Flávia, as pacientes que desejarem fazer parte do grupo podem comparecer a qualquer um dos encontros que são realizados nas segundas-feiras, das 13h30 às 16h no salão nobre da Catedral São Luiz Gonzaga.
Trajetória de apoio e superação entre pacientes e voluntárias
Marlisa lembra que o grupo Amigas de Mãos Dadas começou a partir da demanda de um mastologista da região, devido ao alto número de pacientes que desistiam de se tratar na época.
“O grupo já começou a pedido do Dr Damázio, nosso mastologista, que quando ele dava a notícia que as mulheres tinham câncer de mama, muitas delas fugiam do tratamento. Ele pediu para uma psicóloga acompanhá-las, e à medida que ele ia dando a notícia, eu acolhia, dava a esperança para fazer o tratamento, envolvia a família…”, lembra.
“Foi aumentando cada vez mais e sugeriram que a gente fizesse um grupo. Começamos com 11 pacientes em uma garagem e depois veio tantas que elas tiveram que ir lá para o calçadão no prédio da Prefeitura e hoje são mais de 70 mulheres atendidas por semana”, continua.
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Para Marlise, grupos como este são fundamentais para bons resultados na saúde das pacientes. “A gente acolhe, elas fazem trocas, criam coragem e muita esperança para vencer a doença. Isso dá uma satisfação muito grande, ver elas se curando e muitas não embora: começam a nos ajudar a acolher as novas.”
Flávia conta que mais de 100 mulheres são cadastradas no grupo Amigas de Mãos Dadas. “São 20 anos de muito trabalho, muito entendimento. Em toda essa trajetória, mais de 400 pacientes já passaram por nós. Muitas já voltaram ao trabalho, outras não resistiram, mas nós, com a equipe de voluntários que temos, nossas pacientes que já estão curadas hoje são nossas parceiras que nos ajudam a cada dia”, afirma.
“Nós temos uma equipe multidisciplinar com nutricionista, psicóloga, grupo de canto, assistente social, que sou eu, e um acolhimento em todas as segundas com esse carinho e apoio psicológico”, continua.
Amor e atenção que contagiam
A auxiliar de escritório Lisete Thomazi Ferreira, de 69 anos, mora no bairro Pátria Nova e integra o grupo há quase cinco anos. Após a cura, ela deseja devolver o carinho recebido enquanto atende as pacientes recém chegadas.
“O grupo tem um acolhimento muito bom e eu não consegui ainda a liberação dos tratamentos, porque demora, tem sequelas e muitas coisas que a gente passa. Às vezes as pessoas pensam ‘tá curada? terminou’, mas não é isso, a gente tem ainda uma vida bem longa pela frente”, conta.
“Espero que ainda no final do ano eu consiga essa liberação, o grupo é muito acolhedor. Estou no grupo de capacitação e o acolhimento que eu ganhei quando entrei, agora estou fazendo com as pacientes novas. A gente tenta dar todo o apoio para elas”, continua.
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Também curada, a supervisora de alimentação Andréia Reinheimer, de 49 anos, faz parte do grupo há quase um ano. “Para mim está sendo maravilhoso, achei elas super sem querer, em um momento em que estava muito para baixo, deprimida. Eu tinha feito quimioterapia, estava muito mal e uma moça botou num grupo que eu faço parte ‘hoje eu vou para o Mãos Dadas’, e eu ‘o quê que é isso, Mãos Dadas’?”, recorda.
“Pesquisei na internet e fui contra a minha vontade. Foi a melhor coisa que eu fiz porque aqui eu recebi apoio, carinho, escuta, amor, compartilhamento de vivências e experiências para ver que não era só eu que estava sofrendo. Vi que a vida podia ser muito mais leve quando a gente, de mãos dadas, não solta a mão da outra”, prossegue.
Assim como Lisete, ela tem o desejo de passar esse acolhimento adiante. “Eu aprendi muito com isso e agora procuro repassar para outras mulheres tudo aquilo que eu recebi, estou muito radiante porque a minha autoestima agora está muito mais elevada, estou mais feliz e conseguindo ajudar outras pessoas.”