Com cobertores e lençóis trazidos de casa, prendedores, mantas e muita criatividade, os alunos dos anos iniciais da EMEB Arnaldo Grin, no bairro Santo Afonso, deram início nesta segunda-feira (26) ao 5º Festival de Cabanas, uma das ações da 10ª Semana Municipal do Brincar de Novo Hamburgo.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
A atividade, que deveria ocorrer ao ar livre, foi transferida para o auditório por conta da chuva, mas não perdeu o encantamento. Dentro de suas barracas, surgiram clubes de desenho, cantinhos de leitura, espaços de piquenique e brincadeiras de todo tipo, do jeito que a imaginação permite.
A Semana Municipal do Brincar é uma iniciativa oficial do município, instituída pela Lei nº 2.909/2016. Neste ano, ocorre entre os dias 24 de maio e 1º de junho com o tema “Proteger o encantamento das infâncias”, promovendo atividades em diversos espaços da cidade. Todas as ações contam com uma programação que envolve desde jogos e brincadeiras até oficinas, palestras e seminários sobre a importância do brincar em todas as fases da vida.
Na EMEB Arnaldo Grin, o Festival de Cabanas é um dos destaques da semana. Cada dia será reservado para turmas diferentes, que montam suas barracas, brincam e, ao final, desmontam e organizam tudo juntas. “Eles trazem lanternas, livros, brinquedos preferidos, e juntos montam as cabanas. Houve brincadeiras e até uma competição saudável: as meninas comemoraram que montaram as barracas antes dos meninos. Isso desenvolve a cooperação, a criatividade e a noção de espaço”, explicou a coordenadora dos anos iniciais da escola Débora Dias Steffen.
Encantamento
Para além da diversão, o projeto também busca reconectar as crianças com o lúdico, fora das telas. “Mesmo os mais humildes hoje têm fácil acesso ao celular e ao computador. Fazer essas cabanas exercita neles essa conexão com o brincar de verdade. Eles entram ali e leem, desenham, inventam histórias. É um resgate do encantamento da infância”, destaca a coordenadora.
O festival teve sua primeira edição em 2019, e ao longo dos anos passou por dificuldades. Em 2020, foi suspenso devido à pandemia. No ano seguinte, 2021, ainda sobre os efeitos do isolamento, os alunos montaram as cabanas em casa e enviaram fotos à escola. E no ano passado, após duas edições tradicionais na escola, a enchente de 2024 deixou o primeiro andar da escola submerso e atingiu muitas famílias da comunidade. “Muitas crianças perderam tudo, perderam suas casas. Portanto, voltar agora a ter isso, a ter essa conexão com a escola, não tem preço”, acrescenta Débora.
Oficina e clubinho
A pequena Laura Antonia de Matos Vieira, de 9 anos, aprovou a experiência. “Eu fiz com minhas colegas a nossa cabana. A gente fica desenhando e é muito legal. Trouxemos os cobertores de casa. Às vezes eu faço em casa com minha irmã mais nova. Eu gosto de fazer pulseiras também de miçanga”, contou.
Dentro de outra cabana, os colegas Caio Miguel Federen, Lucas Lima de Bairro e João Vitor de Oliveira Martins, todos de 9 anos, criaram um “Clube de Desenho”, com ilustrações de super-heróis, carros turbinados e até da própria escola.
Além do festival, a escola também realiza o projeto Recreio Divertido, que nasceu dentro da proposta da Semana do Brincar e segue durante todo o ano. Sempre às quartas-feiras, o pátio da escola se transforma com jogos de xadrez gigante, máquina de bolhas, cordas, música e outras atrações. “É um projeto de toda a escola e está dentro do nosso plano de gestão. Ele vem do projeto anti bullying, porque é do 1º ao 9º ano, de forma que todos brinquem e interajam juntos”, finaliza Débora.