O jornalista, escritor e pesquisador hamburguense Felipe Kuhn Braun, de 38 anos, encerrou 2025 com uma marca expressiva: 35 livros escritos ao longo da carreira. O mais recente, com lançamento previsto para abril de 2026 na Fundação Ernesto Schaeffer, resgata uma parte ainda pouco conhecida da história da imigração europeia no Brasil — a dos imigrantes de Luxemburgo, pequeno país situado entre Bélgica, França e Alemanha.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Intitulada Luxemburgueses no Brasil, a obra é considerada pioneira por ser o primeiro livro dedicado exclusivamente à imigração luxemburguesa no país. O trabalho conta com o apoio da (ACLUX) Associação dos Cidadãos Luxemburgueses no Brasil e surge em um momento de fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Luxemburgo, propondo uma leitura que diferencia a trajetória desse povo da tradicional imigração alemã.
Identidade e soberania
Segundo o autor, embora os luxemburgueses sejam frequentemente confundidos com alemães em razão do idioma e dos sobrenomes, trata-se de um grupo com identidade política e cultural própria. Metade do livro é dedicada a contextualizar a história de Luxemburgo, que conseguiu manter sua soberania após cerca de 400 anos sob o domínio de potências como o Ducado da Borgonha, Áustria, Espanha e França. “A maioria acha que os luxemburgueses são alemães, mas Luxemburgo já era um país soberano quando essa imigração começou”, explica Kuhn Braun.
Distribuição geográfica
A pesquisa de Kuhn Braun detalha como esses imigrantes se espalharam pelo território nacional, que teve início em 1828, quatro anos após a chegada dos primeiros imigrantes alemães, e trouxe cerca de 3 mil pessoas ao país até meados do século XX. Santa Catarina concentrou a maior parte desse contingente, aproximadamente 60%, com presença significativa em cidades como Joinville, Blumenau e Florianópolis. O Rio Grande do Sul aparece como a segunda região com maior número de descendentes, especialmente em municípios como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Morro Reuter e Nova Petrópolis.
A obra também dedica um capítulo específico à imigração para Minas Gerais, ocorrida na década de 1920, impulsionada pela instalação da siderúrgica Belgo-Mineira. O empreendimento atraiu operários, técnicos e engenheiros luxemburgueses, contribuindo para o desenvolvimento industrial do estado.
Resultado de uma extensa pesquisa, o livro reúne um amplo acervo documental e fotográfico, baseado no levantamento de nomes de imigrantes. Para o autor, o objetivo é preservar a memória desse grupo e dar visibilidade a uma história que, apesar de relevante, ainda é pouco conhecida no contexto da imigração europeia no Brasil.