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NOVO HAMBURGO

Mãe espera há 2 anos por cadeira de rodas especial para filha com paralisia cerebral

Família relata dificuldades diárias enquanto aguarda a entrega de um equipamento adaptado solicitado pelo SUS; saiba como ajudar

Publicado em: 26/05/2026 às 15h:58 Última atualização: 26/05/2026 às 16h:40
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Há praticamente dois anos, a moradora de Novo Hamburgo Cleria Maria Dietrich, de 56 anos, aguarda a entrega de uma nova cadeira de rodas especial para a filha, Daniele Dietrich da Silva, de 32 anos, que nasceu com paralisia cerebral. Enquanto espera pelo equipamento solicitado pelo SUS, a família enfrenta dificuldades diárias para sair de casa, realizar consultas médicas e garantir segurança à paciente.

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Cléria transporta Daniele no colo | abc+



Cléria transporta Daniele no colo

Foto: Luiza Helena Peters/GES-Especial

A cadeira utilizada atualmente foi recebida em 2020 e, segundo a mãe, já precisou passar por consertos improvisados, mesmo com a família tendo direito a uma cadeira nova a cada dois anos. “Ela já quebrou uma vez e foi soldada. Depois disso, não desmonta mais para colocar no carro. Quando preciso sair com ela, tenho que levar ela no colo”, relata Cleria.

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“Nas UBSs e nos hospitais, as cadeiras de rodas que têm lá são cadeiras normais. E como ela não segura o tronco, dificulta muito. Então, até para passear com ela nos lugares, eu me privo, eu tenho que ficar muito em casa com ela”, completa.

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Nova cadeira foi solicitada em 2023

O pedido por uma nova cadeira foi encaminhado em 2023, após avaliação no Centro Especializado em Reabilitação (CER 4) de Novo Hamburgo. A medição para o novo equipamento, segundo a família, só ocorreu em junho de 2025. Desde então, elas seguem sem previsão de entrega.

“Eles dizem que depende do Estado, mas nunca dão uma resposta certa. A gente liga e muitas vezes nem consegue atendimento”, afirma a mãe.

Cadeira atual de Daniele | abc+



Cadeira atual de Daniele

Foto: Luiza Helena Peters/GES-Especial

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Segundo a Prefeitura de Novo Hamburgo, em virtude da Lei Geral de Proteção de Dados, o Município não fornece dados de prontuários médicos dos pacientes. Ainda assim, a nota enviada pelo órgão público esclarece que: “Embora o serviço seja no município, ele atende pacientes da região como um todo. De forma geral, a regulação de dispensação de cadeiras de rodas e órteses/próteses (APMs) é feita pelo Estado”.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que pacientes que necessitam de atendimento especializado são regulados conforme avaliação técnica dos profissionais de saúde e da Central de Regulação.

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“É esta avaliação que determina as prioridades, a situação de saúde, entre outros critérios. O paciente ou seus familiares devem acompanhar seu pedido junto ao hospital ou ao seu município de origem”, informa a pasta.

Desafios vão além da cadeira 

Além das dificuldades de mobilidade, a família também enfrenta uma série de limitações financeiras. Desde 2024, Daniele passou a utilizar sonda de gastrostomia para alimentação, o que tornou ainda mais difícil a possibilidade da mãe trabalhar fora de casa.

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A única renda da família tem vindo do auxílio que Daniele recebe por sua condição, o BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada), destinado a idosos e pessoas com deficiência.

Família relata dificuldades diárias enquanto aguarda a entrega de um equipamento adaptado solicitado pelo SUS | abc+



Família relata dificuldades diárias enquanto aguarda a entrega de um equipamento adaptado solicitado pelo SUS

Foto: Luiza Helena Peters/GES-Especial

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O benefício garante que a família receba um salário mínimo por mês, ganhando também os materiais para sua alimentação, mas sendo insuficiente para as despesas gerais da casa ou dos próprios cuidados da paciente, como fraldas e outros materiais diários. “Eu tenho que pagar água, luz, internet, comprar a minha comida, porque a dela, ela ganha… Então, também passo dificuldades”, conta a mãe.

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Cleria busca alternativas de renda que possam ser realizadas em casa, mas relata redução nas oportunidades de trabalho manual. Segundo ela, antes conseguia trabalhar com produção de sacos de lixo, fivelas e cordões em sacolas de TNT para empresas, mas o serviço foi sendo cortado e não encontrou mais oportunidades de renda extra sem precisar sair de casa.

A mãe relata que, dois anos atrás, teve problemas na estrutura da casa e precisou buscar auxílio da comunidade para reconstituir o telhado. Hoje as dificuldades continuam em utensílios cotidianos, como a cadeira adaptada e a máquina de lavar que não funciona, fazendo com que a família lave suas roupas à mão. Os problemas se estendem também a sonhos da mãe e da filha, que não podem ser realizados pela falta de verba.

“Eu gostaria muito assim também, com esse dinheiro, conseguir pagar meu INSS, para eu conseguir me aposentar. Mas, infelizmente, o serviço diminuiu e eu não vou conseguir realizar esse meu sonho. Era o meu único desejo, assim, eu conseguir algum servicinho”, conta Cleria sobre seu desejo em ter um aposento e maior segurança financeira.

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Além disso, a mãe relata que sonha em sorrir novamente, não só pelo desejo de mudar a realidade da família, como também por uma insegurança que enfrenta. Aconteceram uns problemas com meus dentes. Então minha autoestima está lá embaixo. Eu gostaria de fazer uma dentadura para eu poder voltar a sorrir. Eu adoro tirar foto com ela. Só que, do jeito que estão meus dentes, eu não tenho vontade de tirar”, desabafa Cleria.

Como ajudar

Para ajudar a família com doações de materiais, quantidades em dinheiro, oferecimento de serviços ou de emprego, pode-se contatar o número (51) 99644-1064, que também corresponde à chave Pix de Cleria. 

Veja vídeo

Família enfrenta dificuldades para conseguir cadeira para paciente com paralisia cerebral
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