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PROTESTO EM LOMBA

"Vão trocar o sono por estradas perigosas": O desabafo de mães após fechamento de turmas do 1º ano em Novo Hamburgo

Abaixo-assinado tem mais de 500 assinaturas; mães e responsáveis reforçam que medida pode prejudicar desenvolvimento dos alunos

Publicado em: 18/06/2026 às 08h:06 Última atualização: 18/06/2026 às 09h:26
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“Nenhuma criança deveria ter que pagar o preço do cansaço físico e emocional extremo para conseguir estudar!” 

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Este é o apelo de Luciana Mello, de 36 anos, autora do abaixo-assinado que pede a revisão da medida que consiste na não abertura de novas turmas de 1º ano na Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Bento Gonçalves, do bairro Lomba Grande, de Novo Hamburgo.

Maristela, Maria, Luciana (ao centro), Vitória e Juliana representam mães que clamam por manutenção das turmas | abc+



Maristela, Maria, Luciana (ao centro), Vitória e Juliana representam mães que clamam por manutenção das turmas

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial

A medida da Secretaria Municipal de Educação (Smed) visa a fazer com que a Emeb passe a ser gradualmente destinada apenas para os anos finais (6º em diante).

O objetivo, segundo a pasta, é absorver as vagas do Instituto Madre Benícia, que, em comunicado, anunciou o encerramento de turmas de 6º ano em 2026 e de 7º a partir de 2027.

De acordo com Luciana, que é mãe da Milena, de 6 anos, as cerca de 500 assinaturas do abaixo-assinado são de pessoas da comunidade, que também incluem outras mães e responsáveis de crianças que dependem das vagas de 1º ano do ensino fundamental.

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Ela conta que, durante o desenvolvimento da reportagem, foi informada de que a reunião com a Smed foi agendada para o dia 8 de julho.

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A mãe reforça que, além de dificuldades financeiras e logísticas para deslocamento dentro do bairro, as principais preocupações são os riscos ainda para a segurança e desenvolvimento das crianças.

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“Não estamos lutando por conveniência. Estamos lutando pelo direito das nossas crianças de terem acesso à educação com dignidade, segurança e qualidade.” 

Um exemplo é o caso dos gêmeos neurotípicos de Maristela da Silva Gomes, citado na reportagem anterior sobre o tema. Luciana Mello frisa que crianças típicas também são afetadas.

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“Ninguém aqui está lutando sozinho, o abaixo-assinado reflete o desespero e a indignação de dezenas de famílias que compartilham do mesmo medo de ver seus filhos pequenos expostos a essa rotina exaustiva e muitas vezes perigosas”, ressalta.

“São crianças de em média 6 anos que vão trocar o sono e o direito de brincar por horas de sacolejo em estradas perigosas. Elas (as crianças) vão chegar à sala de aula exaustas e estressadas, antes mesmo de a primeira lição começar. Nenhuma criança deveria ter que pagar o preço do cansaço físico e emocional extremo para conseguir estudar!”, argumenta também.

Vitória Gomes da Rosa, de 30 anos, destaca as dificuldades que a mudança causa na rotina com três filhos, considerando que a menina tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) e um dos meninos tem deficiência física.

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“Pra mim impacta bastante pois já tenho 2 filhos matriculados na Bento, e todos irão no mesmo turno ano que vem, fica ruim colocar um em cada escola, minha filha é autista e fica ruim ela estar numa escola que não conhecemos, a Bento já conhecemos e fica próximo a nossa casa. Meus outros filhos já estudam lá, ela também já conhece a escola pois sempre vai comigo levar o irmão que é cadeirante.”

Luciana Mello ainda acrescenta questionamentos ao processo de decisão da Prefeitura de Novo Hamburgo referente à medida e ao recebimento de demandas da comunidade.

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“Se o objetivo é oferecer educação de qualidade, por que afastar as crianças pequenas da escola mais próxima de suas casas? Se a educação existe para atender as crianças e as famílias, por que, quando a comunidade pede para que elas permaneçam estudando perto de casa, a resposta é negativa? O que está pesando mais nessa decisão do que a segurança, a qualidade de vida e o bem-estar dos alunos?”

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Procurada, a Smed confirmou, em nota, que a reunião com representantes das famílias foi agendada para a primeira quinzena de julho. A pasta reforçou novamente que a medida “não deve ser compreendida como uma medida definitiva e imutável, mas como uma resposta ao cenário atual de oferta de vagas na região”, mencionando também que avalia a chance “de atendimento específico para estudantes da Educação Especial que necessitem de acompanhamento, bem como para seus auxiliares e monitores, observadas as condições técnicas e operacionais do serviço.”

A Secretaria Municipal da Educação também foi questionada sobre a possibilidade de avaliar outras alternativas junto ao Estado para permitir que as vagas sejam reorganizadas sem alterar a oferta na Emeb Bento Gonçalves. O órgão afirma que, para essa discussão, articula uma nova reunião com a Coordenadoria Regional de Educação de São Leopoldo.

Confira, na íntegra, o texto do abaixo-assinado e a nota:

Abaixo-assinado:

“Nós, pais, responsáveis e membros da comunidade, viemos por meio deste manifestar nossa preocupação com a retirada das turmas de 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Educação Básica Bento Gonçalves.

Compreendemos a importância de atender os alunos mais velhos e reconhecemos a necessidade de organização da rede escolar. No entanto, a decisão de substituir o 1º ano por turmas de 6º ano tem gerado impactos significativos para as crianças pequenas e suas famílias.

O ingresso no 1º ano é uma fase extremamente delicada e importante na vida escolar. Crianças dessa idade necessitam de acolhimento, proximidade com a escola e uma rotina adaptada às suas necessidades. O deslocamento para escolas mais distantes traz dificuldades como:

Maior tempo de trajeto, causando cansaço nas crianças;

Dificuldades logísticas para pais e responsáveis;

Insegurança em relação ao transporte e à adaptação escolar;

Prejuízos no processo de aprendizagem e no desenvolvimento emocional.

A Escola Bento Gonçalves sempre foi referência no acolhimento das crianças pequenas da comunidade, sendo essencial para muitas famílias da região.

Diante disso, solicitamos à Secretaria de Educação e às autoridades competentes que revejam essa decisão e restabeleçam as turmas de 1º ano do Ensino Fundamental na escola, garantindo o direito das crianças a uma educação acessível, acolhedora e de qualidade, próxima de suas residências.

Certos de sua atenção e sensibilidade, contamos com o apoio para atender essa importante demanda da comunidade.”

Nota da Prefeitura de Novo Hamburgo

“A Secretaria Municipal de Educação (SMED) informa que será realizada, na primeira quinzena de julho, uma reunião com representantes das famílias para tratar da reorganização da EMEB Bento Gonçalves. O contato para agendamento será formalizado nos próximos dias, após a conclusão de levantamentos técnicos relacionados ao transporte escolar e à distribuição das vagas na região.

A medida não representa redução da oferta educacional aos estudantes e foi planejada para garantir a continuidade do atendimento pedagógico na região. Os alunos continuarão sendo atendidos em escolas da própria Lomba Grande, por profissionais habilitados e com acesso às mesmas diretrizes curriculares da Rede Municipal de Ensino.

A organização da rede busca garantir a manutenção da qualidade do atendimento educacional em todas as etapas da Educação Básica, considerando aspectos pedagógicos, estruturais e de planejamento da oferta de vagas.

Em relação ao transporte escolar, os estudos seguem sendo realizados considerando as características geográficas e territoriais de Lomba Grande. As análises contemplam as rotas existentes, os deslocamentos dos estudantes e as particularidades das famílias atendidas. A SMED também avalia, conforme a demanda identificada, a possibilidade de atendimento específico para estudantes da Educação Especial que necessitem de acompanhamento, bem como para seus auxiliares e monitores, observadas as condições técnicas e operacionais do serviço.

Sobre a possibilidade de outras alternativas junto à rede estadual, a Secretaria informa que está sendo articulada uma nova reunião com a Coordenadoria Regional de Educação de São Leopoldo para discutir o atendimento dos estudantes da região e buscar alternativas relacionadas à reorganização promovida pelo Instituto Estadual Madre Benícia.

A SMED ressalta ainda que a reorganização da EMEB Bento Gonçalves não deve ser compreendida como uma medida definitiva e imutável, mas como uma resposta ao cenário atual de oferta de vagas na região. A necessidade de ampliação do atendimento aos estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental exige que a Rede Municipal garanta espaço para absorver a demanda de alunos do 6º ao 9º ano. Ao mesmo tempo, a região de Lomba Grande mantém capacidade para atender os estudantes dos Anos Iniciais em outras unidades da rede municipal.”

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