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MESMO COM LIMINAR

"Meu pai está à base de morfina": Homem perde dois dedos enquanto espera por transferência de hospital há mais de um mês

Alexandro Santos de Oliveira, 53 anos, espera por cirurgia desde o dia 11 de outubro e já perdeu dois dedos

"Meu pai está à base de morfina": Homem perde dois dedos enquanto espera por transferência de hospital há mais de um mês
Publicado em: 03/12/2025 às 16h:36 Última atualização: 03/12/2025 às 16h:44
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Alexandro Santos de Oliveira, 53 anos, espera desde o dia 11 de outubro, quando procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Canudos por conta de uma ferida no pé direito, que a princípio estava inflamada. “Ele é diabético e o dedinho do pé estava roxo”, explica o filho, Gustavo de Oliveira.

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Na sequência, o morador do bairro Canudos foi transferido para o Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH). “Os médicos nos chamaram e disseram que o pai precisaria fazer uma cirurgia, mas que o hospital não estava fazendo por ser de alta complexidade. Sabíamos do risco de amputação, ele já perdeu dois dedos.”

Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH) | abc+



Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH)

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial

A família então buscou um advogado para entrar na Justiça e garantir a cirurgia de Oliveira. “Ganhamos, via ordem judicial, uma liminar no dia 11 de novembro. Com isso, o Estado precisaria providenciar uma transferência para Porto Alegre até o dia 16 [de novembro].”

Chegando na data limite, nenhum familiar foi chamado. “Não deram nenhuma resposta. Fizemos tudo direitinho, temos toda a documentação”, afirma Gustavo. Desde então mais de 15 dias se passaram e nada foi solucionado.

“Só falaram que tem que aguardar. Que não tem data prevista para eles cumprir isso daí. Ele já está à base de morfina. Meu pai tá à base de morfina no hospital”, enfatiza o filho, sem saber a quem recorrer.
Segundo Gustavo, o pé de Oliveira está gangrenado. “O pé do meu pai está podre. Ele está mentalmente abalado. Ele está vendo que está perdendo o pé. Ao entrar no quarto sentimos o cheiro de podre.”

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Falta de leito no Estado

Conforme a Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), Oliveira precisa passar por uma vascularização, cirurgia considerada de alta complexidade. Por isso, enquanto aguarda uma transferência, segue na ala Águia.

Apesar da decisão judicial favorável, segue em uma lista de espera do Sistema de Gerencialmente de Internações (Gerint). “A parte do hospital eles estão fazendo. Estão nos dando suporte e fazendo o que podem na medida do possível”, afirma o filho do paciente.

Em contato com a reportagem, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS) comunica que em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a todos os pacientes que aguardam por atendimento, não pode fornecer dados sobre casos específicos a terceiros.

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“Pacientes que necessitam de atendimento especializado são regulados conforme avaliação técnica de profissionais de saúde do município de origem e da Central de Regulação”, diz nota da SES.

A SES afirmou que a avaliação determina as prioridades por meio da situação de saúde, entre outros critérios. “Meu pai trabalha, carteira assinada, tudo certinho. Pensa num cara que sempre trabalhou. Precisamos de ajuda, porque senão, meu pai vai morrer ali em cima da maca do hospital”, completa Gustavo.

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