A história de transformar experiências próprias em livro não é novidade. Mas, para isso, é preciso ter a coragem de despejar sobre o papel os detalhes que englobam certo acontecimento, e fazê-lo de maneira interessante.
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Foi esse o desafio enfrentado por Irineu de Mattos, morador de Novo Hamburgo que, aos 66 anos, lança seu primeiro título: a obra “60 ou + coisas para conhecer na Europa quando estiver vivo”.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
A obra, construída em 120 páginas ao longo de oito capítulos, traduz vivências diferentes de do comerciário enquanto este passou por países como Espanha, França e Itália ao longo dos últimos três anos. Os passeios encontraram o prazer de Irineu pela escrita e serão oficialmente divulgados ao público na terça-feira (9), quando ocorre o lançamento do livro na Fundação Ernesto Frederico Scheffel, a partir das 19h, com sessão de autógrafos.
“Gostaria de estar visitando a Europa tendo lido o meu livro. Não é um livro de roteiros, são observações dos ambientes, do cenário histórico que é a Europa. Isso com a visão de uma pessoa que é desse grupo 60+”, descreve o autor, sobre os significados da obra. A produção é feita através da ZMulti Editora, de Estância Velha.
Aos interessados, a obra custa R$ 80 e, além da aquisição presencial, as histórias de Irineu podem ser adquiridas pelo site ZMulti. Cada detalhe contado na produção retrata experiências de Irineu ao lado da esposa, Iara, dos filhos e seus cônjuges, além dos netos.
Algumas histórias
Sem focar nos pontos turísticos por si só, o livro traz diversos momentos aleatórios enfrentados pela família Mattos em diferentes países e situações. Em uma das histórias, o esquecimento de um documento exigiu que os viajantes enfrentassem uma burocracia desde o início para dar continuidade ao passeio.
“Reservamos um carro na cidade do Porto. Quando chegamos para pegar o carro, tu tens que ter a habilitação brasileira, que é aceita lá; sem habilitação, tu não pegas o carro, e estava reservado no nome da pessoa que esqueceu a habilitação dentro do carro, no aeroporto em Porto Alegre. Aí cancela, reserva de novo e foi usada a minha habilitação”, lembra Irineu sobre uma das diversas menções que o livro traz e que são capazes de orientar os leitores, ao passo em que os diverte.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
Significado do título
A escolha do nome da obra não é por acaso. O “60+” que abre o enunciado não faz menção apenas às dezenas de ocorrências registradas, mas também à faixa etária ocupada por Irineu Mattos. “Só me arrependi de uma coisa: não ter feito antes”, define o escritor ao comentar a experiência de conhecer os países europeus e de transformar a prática em livro. Irineu afirma enxergar a obra como uma oportunidade de encorajar outras pessoas semelhantes a ele a viverem essas aventuras.
Outra parte do título da obra que desperta curiosidade é a palavra “quando”, que substitui “enquanto”, sobre o momento para conhecer as “coisas na Europa”. A escolha mistura licença poética e conceitos filosóficos estudados pelo autor.
“Tem momentos em que tu te sentes vivo, te dá um empuxo interno e tu decides por alguma coisa: estudar, jogar futebol, montar uma empresa ou viajar; quando tu estiveres vivo. Acredito que qualquer coisa que eu decida fazer na vida tende a dar certo, desde que tu persistas e tu tenhas que estar vivo”, explica de Mattos.
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Processo de escrita
Além de presenciar os fatos, a ilustração da história é feita com imagens, em sua maioria, captadas pelo próprio Irineu. O processo para escrever o livro se deu exatamente pela percepção dos cenários, seguida da gravação de boletins em áudio e, depois, revisitas a estes registros, denominados como “gatilhos” para dar início às produções textuais.
“Em uma dessas viagens, um desses jovens que acompanha a gente me desafiou: ‘Tu não disse que gosta de escrever? Quem sabe (a viagem) não é uma motivação (para criar um livro)?’. Eu fui me dando conta e quem ama escrever, como eu amo, flui com naturalidade”, detalha o escritor hamburguense.
“Isso é um diferencial, esses olhares que ele deu para essas viagens. Aquele (leitor) que já viajou para lá vai achar engraçado, pensar: ‘não tinha visto desse jeito’. E, (outros leitores) vão querer ir para lá”, opina Sandra Hess, coordenadora editorial da ZMulti Editora.