Novo Hamburgo registra mais um acidente envolvendo fios que ficam pendurados nos postes. Toda vez que olha para as marcas em seu pescoço após a troca de curativos, o motoboy Jonatan Gandolfi, 40 anos, lembra que, por pouco, poderia ter morrido.
Era mais uma noite comum de trabalho se não fosse o acidente que quase o enforcou. Na sexta-feira (7), na Rua Arthur Momberger, na Vila Diehl, um caminhão havia passado e arrebentado fios de telefonia e Internet que estavam em um nível muito baixo na via. Logo atrás, um ônibus acabou se enroscando nos fios, os arrebentando. “O ônibus foi cruzar por mim e esse pedaço de fio que estava grudado no ônibus voou para cima de mim e ficou todo enrolado no meu pescoço”, conta o motociclista.
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Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
Naquela noite, ele, que vive da entrega de açaí, precisou encerrar o expediente somente às 23h30, mesmo após o acidente. Poucas horas depois ele não aguentava mais a dor e foi buscar atendimento na UPA 24 Horas.
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O médico de plantão disse que Jonatan teve “sorte” por não morrer enforcado. Não houve corte, mas uma queimadura em torno de quase todo o pescoço.
“A sensação é de impunidade. As empresas de telefonia fazem descaso com os cabos soltos, sem recolher. Sigo tomando antibiótico e anti-inflamatório. Ando pelas ruas me cuidando, com medo, mas preciso continuar trabalhando. Ficou um trauma”, comentou ele, que no ano passado já havia sofrido um acidente com um fio solto que grudou no guidão da moto, dessa vez, levando a uma queda e amassando o veículo.
No local, a situação é a mesma do dia do acidente. Os fios que o caminhão arrancou seguem arrebentados sob o poste.
Outros acidentes
No final do ano passado, no bairro Ideal, uma criança caiu ao se enroscar em um desses fios. No final de 2023, um motociclista de 31 anos ficou ferido no bairro Canudos, quando foi atingido por um fio solto, que causou um corte em seu pescoço, além de ferimentos na perna e no braço por causa da queda.
Em 2020, um motociclista morreu após ser degolado por um fio em Portão. Outro caso aconteceu 2017, quando a caroneira de uma motocicleta morreu após ser degolada em Sapiranga.
De quem é a responsabilidade
Conforme resolução conjunta entre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a responsabilidade pela manutenção da fiação é das empresas distribuidoras de energia elétrica e operadoras de telefonia, de acordo com regras de compartilhamento de postes.
Segundo a Anatel, as empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações têm o direito de utilizarem de forma compartilhada fios de telefonia ou cabos de Internet para o lançamento de suas redes. Sendo assim, cabe à distribuidora de energia, no caso à RGE, detalhar as regras de utilização dessa infraestrutura e zelar pela boa gestão e conformidade na ocupação dos postes, atividade pela qual são remuneradas pelos prestadores ocupantes, podendo ser acionadas em caso de irregularidades.
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As reclamações devem ser feitas pelos contatos das próprias concessionárias, disponíveis nos sites e nas redes socais das empresas. Se não houver resposta a essas reclamações, a demanda pode ser encaminhada à Aneel ou Anatel.
Uma das premissas para encaminhar essas reclamações é informar a localização exata das ocorrências.

Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
O que diz a RGE
A RGE informou que uma equipe foi até o local e eliminou riscos à população. “A RGE fiscaliza e emite notificações a todas as empresas cadastradas que têm contrato de compartilhamento de infraestrutura na região quando identifica eventual irregularidade de responsabilidade das ocupantes. Importante destacar que os cabos de energia elétrica, estes de responsabilidade da RGE, respeitam a NBR 15214/2005, ficando instalados acima do cabeamento de telecomunicação e jamais enrolados ou pendurados nos postes.”
A empresa diz que em Novo Hamburgo emitiu mais de 9 mil notificações de irregularidades para as empresas de telecomunicações.
Prefeituras buscam soluções para a questão dos postes
A situação é um problema que as prefeituras estão tomando à frente para buscar uma solução. Em Novo Hamburgo, a Prefeitura diz estar atenta. “O Município está atento ao problema e discute internamente a melhor forma de enfrentá-lo, considerando os riscos de acidentes e os transtornos causados à comunidade”, informa.
Já em São Leopoldo, foi criado um Grupo de Trabalho (GT), formado por órgãos municipais, para resolver a questão. Entre os avanços, devem alterar uma legislação
local definindo obrigações e consequências para as empresas de Internet. Em Canoas, representantes da Prefeitura foram buscar em Gravataí a experiência para lidar com o problema.