Teve emoção, troca de experiências e muita música nesta sexta-feira (4), no segundo dia do 4º Caminhos Literários: Pelo Direito à Cultura, no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Novo Hamburgo. A iniciativa de abrangência nacional é promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e busca garantir o acesso à cultura de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Neste ano, o evento tem como tema “Adolescências em Cena” e, na unidade hamburguense, a programação foi marcada por atividades de audiovisual.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
Logo no início da tarde, os adolescentes assistiram a um curta-metragem filmado na própria unidade. Em seguida, receberam um visitante especial: Guilherme Alves da Roza, o MC da VR, que já esteve na Case anos atrás para gravar uma música, que também teve o clipe apresentado no encontro. Desta vez, voltou ao local acompanhado de Ray Martins (Dj Mart) e Bruno Felix (Felix DJMPC), além da mãe, Dilane Maria Alves da Roza, cuja fala comoveu os jovens.
O rapper da Restinga, bairro da zona sul de Porto Alegre, compartilhou com os adolescentes parte de sua história e reforçou o poder transformador da arte.
“A minha intenção é mostrar pra eles que existem várias outras opções, outras formas de fazer dinheiro, de ser livre, de ser feliz. A música é uma das coisas que mais me ajudou, e eu acredito muito no poder que ela tem de transformar vidas, de ajudar o próximo. Como eu sou de comunidade assim como eles, eu vim mostrar esse lado, esse caminho que a música abriu pra mim”, disse.
“Tudo que eles estão passando, eu já passei também. Graças a Deus eu pensei na minha família, e a música foi um dos pontos que me ajudou a sair disso, a explorar outros mares, a conhecer outras pessoas. Quando a gente vive numa bolha, tudo que está ali dentro parece normal. O errado vira rotina. Mas quando a gente conhece gente boa, começa a estudar, a viajar, a gente passa a querer ser melhor, querer coisas boas”, acrescentou.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
O momento de fala também foi marcado por escuta atenta e envolvimento dos jovens. “Eu agradeço a Deus por estar tendo essa oportunidade de falar com eles, de trocar essa ideia. Às vezes demora um ano pra tirar uma palavra de um jovem aqui. E aí eu venho, e em pouco tempo eles já se abrem, já se sentem à vontade pra conversar comigo. Acho que é porque eu falo a linguagem deles, entendo de onde vêm, sei o que passam”, relatou.
Antes de encerrar sua participação, Guilherme cantou músicas de seu repertório e puxou os adolescentes para cantar com ele.
“É isso que eu quero, que saiam daqui com uma nova mentalidade, com outra perspectiva de vida. Porque a gente sabe que, quando eles saírem daqui, não vai ser fácil. Vai ter amigo chamando pra fazer o errado, vai ter tentação em todo canto. Mas se eles conseguirem levar daqui um pouco dessa troca, dessa mensagem, talvez façam escolhas diferentes”, concluiu.
Nos dias 8 e 9 de julho, o evento segue com atividades exclusivas para adolescentes em cumprimento de medida, com rodas de conversa e mostra de experiências culturais.