Há exatos 115 anos começava a história do Esporte Clube Novo Hamburgo (ECNH), e foi de uma maneira que permanece até os dias de hoje: confraternização, churrasco e futebol. E assim será esta sexta-feira, 1º de maio, com a carreata organizada pela Confraria Anilada e uma série de partidas amistosas e shows no Estádio do Vale. Uma grande celebração.

Foto: Wilber Dorneles/ECNH
O clube atravessou seu centenário com momentos tristes e felizes, como o título do Campeonato Gaúcho de 2017, um feito que não sai da cabeça dos torcedores e está na história da competição, ainda mais por ter batido Grêmio e Inter. Por falar em quem acompanha o time nas arquibancadas, a reportagem do Grupo Sinos reuniu três personagens que, de alguma forma, fazem parte da história do Anilado.
Não é só futebol
Em um momento mais recente, o Noia vibrou com a permanência na elite do futebol gaúcho e a classificação para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2027, além de encaminhar a participação na Copa do Brasil da próxima temporada. O calendário cheio pode elevar o clube a outro patamar.
No entanto, há cerca de seis meses, os torcedores anilados passaram por um momento difícil e perderam um dos seus: presença certa nas partidas do Novo Hamburgo no Estádio do Vale e longe do Vale do Sinos, Thomas Campagnoni faleceu aos 29 anos.
O legado de Thomas segue com o pai, Volnei Campagnoni, de 64 anos, que se agarra ao clube e aos amigos, muitos deles feitos nas arquibancadas do estádio, para se fortalecer.
“Eu só tenho que agradecer aos amigos e ao Novo Hamburgo. Porque esse reconhecimento que eles tiveram com o meu filho… foi muito bom. Tenho que agradecer pelo carinho deles com a gente. É importante saber que o Noia tem torcedores de fé, que acreditam no time. O clube foi muito importante para a nossa relação de família, para tudo. Mostrou para a gente o valor do carinho, da amizade, da união e do afeto, sabe? A partir disso, o clube e os torcedores conseguiram reunir mais gente para torcer para o Noia, graças a esse fanatismo que o Thomas tinha. Vamos seguir”, disse Volnei, muito emocionado.

Foto: Wilber Dorneles/ECNH
Pai e filho estiveram presentes nas conquistas recentes do clube: o Gauchão, em Caxias do Sul, o qual Volnei define como a consagração do time e diz que foi “lindo ver a torcida se abraçando e comemorando”, e a Divisão de Acesso, em Santa Maria. Volnei também resume todo o sentimento pelo Noia: “O sentimento é de amor, carinho. Nossa ligação era muito forte com o clube, de um jeito que não sei explicar”, completou, confirmando presença na carreata desta sexta, levando, claro, a bandeira com a imagem do filho.
Além disso, com as cinzas de Thomas depositadas no gramado do Vale, a conexão entre a família Campagnoni e o Novo Hamburgo fica para a eternidade.
A conexão de Anna Maria Zimmer com o Anilado
Outra figura sempre presente no Estádio do Vale e conhecida de todos os anilados é Anna Maria Zimmer, de 72 anos. Com ela, a ligação com o clube é ainda mais longeva: são mais de cinco décadas acompanhando o time de perto.

Foto: Wilber Dorneles/ECNH
Ao ser questionada sobre o que o clube representa, ela responde sem hesitar: “Uma paixão antiga, né? É o time do coração”, diz. Em seguida, relembra como essa conexão começou ainda na juventude. “Me criei lá dentro praticamente. Morava ali pertinho e fui ex-atleta. A gente estava começando a formar um time de futebol feminino em 1970, mas a CBF, na época, não reconhecia. Então eu ia aos jogos, sempre por ali, acompanhando o Noia.”
Com o passar dos anos, Anna Maria acumulou memórias que guarda com carinho. Entre elas, o acesso de 2003, a temporada de 2005 e, claro, a conquista do Gauchão de 2017. “São momentos bem marcantes”, resume. Ao olhar para o futuro, ela também faz um apelo que traduz o sentimento de muitos torcedores: “Que o clube nunca mais caia para a Divisão de Acesso. Que fique na elite, que consigamos disputar a Copa do Brasil, angariar fundos para reestruturar o clube e ter mais torcida, mais sócios. O pessoal precisa abraçar mais o time da cidade.”
A ligação de Anna Maria com o clube também tem um capítulo especial fora das arquibancadas. Ela foi casada com o zagueiro Silveira, que defendeu o Anilado na década de 1970, o que aproximou ainda mais sua vida pessoal do futebol. “O relacionamento durou uns 25 anos”, recorda. Dessa união, nasceu o filho Rodrigo Josué, a quem ela descreve com carinho como seu “companheirinho”, um menino especial que faleceu há 10 anos.
A história com Silveira, aliás, começou de forma simples, mas marcante. “Eu estudava em Estância Velha e pegava ônibus na rodoviária. Ele vinha de Porto Alegre. A gente começou a conversar, e aconteceu. Era mais um motivo para acompanhar o Noia”, relembrou.
Presidente Jerônimo Freitas projeta Noia entre as forças do Estado
Em meio às comemorações, o presidente Jerônimo Freitas destacou o atual cenário do clube, projetou os próximos passos e reforçou a importância da conexão com a comunidade. À frente da gestão, falou do significado de liderar a instituição em um momento positivo.
“O sentimento de estar à frente do Novo Hamburgo nos 115 anos dele é algo muito grande pra mim. Poder viver um ano de êxito no futebol e, principalmente, na estruturação interna do clube mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
O dirigente ressaltou que o planejamento aponta para um período promissor. “A gente vai para um dos melhores anos do clube. Hoje, o Novo Hamburgo movimenta cerca de 600 atletas nas categorias de base e se consolida como equipe de Série A do Estado”, completou.
Além dos resultados dentro de campo, Jerônimo destacou avanços administrativos. Segundo ele, o clube está próximo de regularizar certidões importantes, o que pode viabilizar acesso a recursos públicos. “Conseguimos estruturar o clube internamente, deixando as contas praticamente em dia e avançando na recuperação das CNDs. Isso abre portas para investimentos”, explicou.
A relação com a torcida e a comunidade também foi apontada como pilar desse momento. “Vivemos proximidade com a comunidade, estádio cheio e apoio crescente. É um dos melhores momentos da história do clube”, avaliou.
O olhar para o futuro também é otimista. “Daqui a cinco anos, vejo o Novo Hamburgo como a quarta força do Estado, com base forte e geração de receitas”, projetou.
Programação desta sexta-feira, 1º de maio
A programação começa pela manhã, com a concentração da carreata às 9h30, na Praça Jardim Vila Rosa (antigo Estádio Santa Rosa). De lá, os torcedores seguem em cortejo por diversas ruas da cidade até a chegada ao Estádio do Vale, prevista para as 10h30.
As atividades esportivas iniciam às 10 horas, com partidas das categorias de base do clube. Ao meio-dia, dois momentos tradicionais movimentam o ambiente: o jogo entre o time máster do Noia e sócios e apoiadores, além do início do churrasco com galeto e pão, organizado pela Confraria Anilada.
À tarde, a programação segue com atrações para todas as idades. Às 14 horas, ocorre o amistoso entre Amigos do ECNH e Amigos do Tchotcha. Já às 16 horas, Sambary, Grupo S.O.S e a Resenha do Tchotcha comandam o encerramento com muito pagode e samba no campo sintético.