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HISTÓRIAS COM O NOIA

Novo Hamburgo completa 115 anos com laços que vão além do futebol

Em sexta-feira (1º) de programação especial, torcedores relembram vivências com o clube

Jorge Grimaldi
Publicado em: 01/05/2026 às 08h:00 Última atualização: 30/04/2026 às 20h:34
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Há exatos 115 anos começava a história do Esporte Clube Novo Hamburgo (ECNH), e foi de uma maneira que permanece até os dias de hoje: confraternização, churrasco e futebol. E assim será esta sexta-feira, 1º de maio, com a carreata organizada pela Confraria Anilada e uma série de partidas amistosas e shows no Estádio do Vale. Uma grande celebração.

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Estádio do Vale receberá eventos comemorativos dos 115 do clube nesta sexta-feira | abc+



Estádio do Vale receberá eventos comemorativos dos 115 do clube nesta sexta-feira

Foto: Wilber Dorneles/ECNH

O clube atravessou seu centenário com momentos tristes e felizes, como o título do Campeonato Gaúcho de 2017, um feito que não sai da cabeça dos torcedores e está na história da competição, ainda mais por ter batido Grêmio e Inter. Por falar em quem acompanha o time nas arquibancadas, a reportagem do Grupo Sinos reuniu três personagens que, de alguma forma, fazem parte da história do Anilado.

Não é só futebol

Em um momento mais recente, o Noia vibrou com a permanência na elite do futebol gaúcho e a classificação para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2027, além de encaminhar a participação na Copa do Brasil da próxima temporada. O calendário cheio pode elevar o clube a outro patamar.

No entanto, há cerca de seis meses, os torcedores anilados passaram por um momento difícil e perderam um dos seus: presença certa nas partidas do Novo Hamburgo no Estádio do Vale e longe do Vale do Sinos, Thomas Campagnoni faleceu aos 29 anos.

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O legado de Thomas segue com o pai, Volnei Campagnoni, de 64 anos, que se agarra ao clube e aos amigos, muitos deles feitos nas arquibancadas do estádio, para se fortalecer.

“Eu só tenho que agradecer aos amigos e ao Novo Hamburgo. Porque esse reconhecimento que eles tiveram com o meu filho… foi muito bom. Tenho que agradecer pelo carinho deles com a gente. É importante saber que o Noia tem torcedores de fé, que acreditam no time. O clube foi muito importante para a nossa relação de família, para tudo. Mostrou para a gente o valor do carinho, da amizade, da união e do afeto, sabe? A partir disso, o clube e os torcedores conseguiram reunir mais gente para torcer para o Noia, graças a esse fanatismo que o Thomas tinha. Vamos seguir”, disse Volnei, muito emocionado.

Volnei Campagnoni carrega o legado do filho, Thomas Campagnoni | abc+



Volnei Campagnoni carrega o legado do filho, Thomas Campagnoni

Foto: Wilber Dorneles/ECNH

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Pai e filho estiveram presentes nas conquistas recentes do clube: o Gauchão, em Caxias do Sul, o qual Volnei define como a consagração do time e diz que foi “lindo ver a torcida se abraçando e comemorando”, e a Divisão de Acesso, em Santa Maria. Volnei também resume todo o sentimento pelo Noia: “O sentimento é de amor, carinho. Nossa ligação era muito forte com o clube, de um jeito que não sei explicar”, completou, confirmando presença na carreata desta sexta, levando, claro, a bandeira com a imagem do filho.

Além disso, com as cinzas de Thomas depositadas no gramado do Vale, a conexão entre a família Campagnoni e o Novo Hamburgo fica para a eternidade.

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A conexão de Anna Maria Zimmer com o Anilado

Outra figura sempre presente no Estádio do Vale e conhecida de todos os anilados é Anna Maria Zimmer, de 72 anos. Com ela, a ligação com o clube é ainda mais longeva: são mais de cinco décadas acompanhando o time de perto.

Anna Maria Zimmer segue o Noia há mais de 50 anos | abc+



Anna Maria Zimmer segue o Noia há mais de 50 anos

Foto: Wilber Dorneles/ECNH

Ao ser questionada sobre o que o clube representa, ela responde sem hesitar: “Uma paixão antiga, né? É o time do coração”, diz. Em seguida, relembra como essa conexão começou ainda na juventude. “Me criei lá dentro praticamente. Morava ali pertinho e fui ex-atleta. A gente estava começando a formar um time de futebol feminino em 1970, mas a CBF, na época, não reconhecia. Então eu ia aos jogos, sempre por ali, acompanhando o Noia.”

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Com o passar dos anos, Anna Maria acumulou memórias que guarda com carinho. Entre elas, o acesso de 2003, a temporada de 2005 e, claro, a conquista do Gauchão de 2017. “São momentos bem marcantes”, resume. Ao olhar para o futuro, ela também faz um apelo que traduz o sentimento de muitos torcedores: “Que o clube nunca mais caia para a Divisão de Acesso. Que fique na elite, que consigamos disputar a Copa do Brasil, angariar fundos para reestruturar o clube e ter mais torcida, mais sócios. O pessoal precisa abraçar mais o time da cidade.”

A ligação de Anna Maria com o clube também tem um capítulo especial fora das arquibancadas. Ela foi casada com o zagueiro Silveira, que defendeu o Anilado na década de 1970, o que aproximou ainda mais sua vida pessoal do futebol. “O relacionamento durou uns 25 anos”, recorda. Dessa união, nasceu o filho Rodrigo Josué, a quem ela descreve com carinho como seu “companheirinho”, um menino especial que faleceu há 10 anos.

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A história com Silveira, aliás, começou de forma simples, mas marcante. “Eu estudava em Estância Velha e pegava ônibus na rodoviária. Ele vinha de Porto Alegre. A gente começou a conversar, e aconteceu. Era mais um motivo para acompanhar o Noia”, relembrou.

Presidente Jerônimo Freitas projeta Noia entre as forças do Estado

Em meio às comemorações, o presidente Jerônimo Freitas destacou o atual cenário do clube, projetou os próximos passos e reforçou a importância da conexão com a comunidade. À frente da gestão, falou do significado de liderar a instituição em um momento positivo.

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“O sentimento de estar à frente do Novo Hamburgo nos 115 anos dele é algo muito grande pra mim. Poder viver um ano de êxito no futebol e, principalmente, na estruturação interna do clube mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.

Presidente do Novo Hamburgo, Jerônimo Freitas | abc+



Presidente do Novo Hamburgo, Jerônimo Freitas

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O dirigente ressaltou que o planejamento aponta para um período promissor. “A gente vai para um dos melhores anos do clube. Hoje, o Novo Hamburgo movimenta cerca de 600 atletas nas categorias de base e se consolida como equipe de Série A do Estado”, completou.

Além dos resultados dentro de campo, Jerônimo destacou avanços administrativos. Segundo ele, o clube está próximo de regularizar certidões importantes, o que pode viabilizar acesso a recursos públicos. “Conseguimos estruturar o clube internamente, deixando as contas praticamente em dia e avançando na recuperação das CNDs. Isso abre portas para investimentos”, explicou.

A relação com a torcida e a comunidade também foi apontada como pilar desse momento. “Vivemos proximidade com a comunidade, estádio cheio e apoio crescente. É um dos melhores momentos da história do clube”, avaliou.

O olhar para o futuro também é otimista. “Daqui a cinco anos, vejo o Novo Hamburgo como a quarta força do Estado, com base forte e geração de receitas”, projetou.

Programação desta sexta-feira, 1º de maio

A programação começa pela manhã, com a concentração da carreata às 9h30, na Praça Jardim Vila Rosa (antigo Estádio Santa Rosa). De lá, os torcedores seguem em cortejo por diversas ruas da cidade até a chegada ao Estádio do Vale, prevista para as 10h30.

As atividades esportivas iniciam às 10 horas, com partidas das categorias de base do clube. Ao meio-dia, dois momentos tradicionais movimentam o ambiente: o jogo entre o time máster do Noia e sócios e apoiadores, além do início do churrasco com galeto e pão, organizado pela Confraria Anilada.

À tarde, a programação segue com atrações para todas as idades. Às 14 horas, ocorre o amistoso entre Amigos do ECNH e Amigos do Tchotcha. Já às 16 horas, Sambary, Grupo S.O.S e a Resenha do Tchotcha comandam o encerramento com muito pagode e samba no campo sintético.

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