Novo Hamburgo está em condição de alerta para doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
O primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026 apontou Índice de Infestação Predial (IIP) de 3% — um a cada 33 imóveis —, percentual que, segundo parâmetros do Ministério da Saúde, enquadra o município em faixa de médio risco para surto de dengue, zika e chikungunya.
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Foto: Universidade Feevalee
O resultado é semelhante ao registrado no mesmo período de 2025, quando o índice foi de 2,5%, e abaixo do cenário observado em 2024 — ano que teve o maior número de casos da doença já registrado no país e também em Novo Hamburgo — quando o IIP chegou a 4,9%.
Ainda assim, o percentual atual está três vezes acima do considerado satisfatório, que é inferior a 1%.
Entre os dias 5 e 13 de janeiro, os agentes de combate às endemias do município visitaram 3.959 locais (5% dos imóveis da cidade), nos quais foram coletadas 248 amostras de larvas e/ou pupas de mosquitos.
As amostras foram encaminhadas para identificação no laboratório da Universidade Feevale. Destas, 58% apresentaram-se positivas para Aedes aegypti.
De acordo com o coordenador do Projeto de Combate e Prevenção à Dengue da Feevale, Tiago Filipe Steffen, o índice indica que já existe quantidade expressiva de mosquitos na cidade.
“O IIP igual a 3% indica que Novo Hamburgo está em condição de alerta para um possível surto de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Quanto mais esse volume de insetos aumentar, maior será a possibilidade de surto”, afirma.
Tendência de alta nos próximos meses
O dado ganha relevância quando analisado em conjunto com o histórico do município. Segundo Steffen, tradicionalmente há aumento progressivo na população do mosquito nos três primeiros meses após o levantamento, com ápice entre março e abril.
A explicação está ligada às características biológicas do inseto. O metabolismo do Aedes aegypti se acelera em períodos de temperaturas mais elevadas, aliado à maior disponibilidade de água parada, condição essencial para reprodução.
“É possível afirmar que existe risco de surto para arboviroses”, ressalta o coordenador, lembrando que além da dengue — que possui quatro sorotipos — também há preocupação com zika e chikungunya.
Número de casos
Apesar dos dados, o número de casos confirmados até o início da segunda semana de fevereiro ainda é considerado baixo: apenas quatro registros.
“O número pode ser considerado baixo e com relação direta ao número de mosquitos no município, porém é um grande alerta para todos, indicando a presença da circulação do vírus e de mosquitos contaminados”, alerta o especialista.
A Prefeitura também destaca que há um intervalo médio de cerca de 30 dias entre o aumento da infestação e a elevação no número de casos. Até o momento, não houve crescimento na procura por atendimento nas unidades de saúde.
Regiões com maior infestação
O levantamento do LIRAa não utiliza a divisão tradicional por bairros, mas agrupamentos chamados estratos, conforme metodologia do Ministério da Saúde.
No último estudo, os estratos 1 e 7 apresentaram os maiores índices de infestação, abrangendo os bairros Petrópolis, Boa Saúde, Primavera, Liberdade, Industrial e Santo Afonso.
Ações em andamento
Segundo a Administração Municipal, as equipes já estão preparadas para um eventual aumento de casos. Um fluxo de atendimento foi organizado e repassado às unidades de saúde, insumos foram adquiridos e estão previstos pontos de hidratação, caso haja necessidade.
Entre as medidas adotadas estão a atuação permanente dos agentes de combate às endemias, capacitação das equipes da rede de saúde, aplicação de inseticida com efeito residual em pontos estratégicos definidos pelo Ministério da Saúde, realização de Pesquisa Vetorial Especial em casos suspeitos ou confirmados e ações integradas com outros órgãos e municípios quando necessário.
Para o Executivo, o principal desafio segue sendo a eliminação de criadouros domésticos, especialmente recipientes com água parada. Baldes, pratinhos de plantas, bebedouros de animais, calhas, ralos e entulhos continuam entre os focos mais recorrentes.
Independentemente do percentual apontado no levantamento, tanto a Prefeitura quanto os responsáveis técnicos reforçam que o enfrentamento à dengue depende da participação da população, com inspeções semanais em residências e áreas comuns, principalmente neste período em que a tendência histórica aponta crescimento da infestação até o outono.
Em casos de denúncia, a população pode acionar o serviço de fiscalização municipal pela ouvidoria SUS, por meio do WhatsApp (51) 99831-6500.
São Leopoldo acende sinal vermelho

Foto: Pedro G. Selistre
O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) realizado em janeiro, em São Leopoldo, apontou risco alto para proliferação do mosquito.
Das 229 amostras coletadas, 148 deram resultado positivo, número significativamente superior ao registrado em setembro de 2025, quando 31 amostras haviam apresentado presença do inseto e o risco era considerado médio.
“É um aumento expressivo que merece a atenção de todos. Nosso trabalho nas ruas, nas casas e nos pontos estratégicos é constante, mas precisamos muito da colaboração de todos”, salienta a secretária da Saúde, Kelbe Gonçalves
A ação percorreu todos os bairros por amostragem, com visitas a 3.194 residências em 607 quarteirões. A Secretaria informou também que as equipes mantêm bloqueios com aplicação de inseticida em áreas com casos suspeitos ou confirmados. Um novo LIRAa está previsto para março.
Os bairros são agrupados em sete estratos, dos quais são sorteados os quarteirões a serem visitados pelos agentes. São inspecionados 20% dos imóveis de cada quarteirão sorteado para a coleta de formas imaturas do mosquito, larvas ou pupas.
Além das visitas diárias aos domicílios, há visitas periódicas por agentes da Vigilância em pontos estratégicos como borracharias, ferros-velhos, floriculturas e cemitérios. Onde há casos confirmados, ou suspeitos, a Prefeitura promove ações de orientação e aplicação de inseticida no entorno. A prática é chamada de Pesquisa Vetorial Especial (PVE), indicada pelo Ministério da Saúde como ação de bloqueio.
Dois Irmãos melhora índice, mas mantém alerta
O LIRAa realizado entre 5 e 12 de janeiro apontou Índice de Infestação Predial (IIP) de 3,6% para Aedes aegypti, enquadrando Dois irmãos em médio risco.
O resultado é inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o índice chegou a 4,9%, considerado alto risco. Até o momento, são cinco casos confirmados de dengue. A prefeitura mantém bloqueios no entorno de casos positivos, monitoramento por ovitrampas e borrifações com inseticida em prédios públicos e pontos estratégicos como cemitérios e borracharias.
Sapucaia reforça monitoramento
O último LIRAa foi realizado em novembro de 2025 e apontou situação de alerta em Sapucaia do Sul.
O município também monitora mensalmente 244 armadilhas para acompanhar a densidade vetorial, que apresenta crescimento desde novembro, em comportamento semelhante ao ano anterior. Até o momento, há três casos confirmados de dengue.
A Vigilância Ambiental realiza controle vetorial com vistorias domiciliares e aplicação de larvicida e inseticida nas áreas com maior concentração de focos e no entorno de casos suspeitos ou confirmados.
Taquara aposta na vacinação para conter avanço

Foto: Prefeitura de Taquara
O primeiro LIRAa de 2026, realizado entre 14 e 22 de janeiro, indicou risco médio no estrato 1, que abrange bairros como Santa Rosa, Cruzeiro do Sul e Empresa, e risco baixo no estrato 2, que inclui áreas como Centro, Mundo Novo e Petrópolis. Até o momento, há um caso confirmado e sete em investigação em Taquara.
O município realiza visitas com aplicação de borrifação residual intradomiciliar, monitoramento quinzenal em pontos estratégicos e mantém disponível a vacinação contra a dengue para adolescentes de 10 a 14 anos, conforme orientação do Ministério da Saúde.
De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica e Imunizações, Andressa Martins, a meta de vacinação é de 90% do esquema completo, com as duas doses realizadas. “Para realização das vacinas não é necessário agendamento, somente comparecer à uma unidades de saúde que possua sala de vacina”, explica Andressa.
Sapiranga intensifica bloqueios em bairros com suspeitas
O município não realizou LIRAa neste início de ano e adota como estratégia o monitoramento por ovitrampas. Até o momento, são três casos confirmados de dengue, um a menos que o registrado no mesmo período de 2025.
Sapiranga está enquadrada em estágio de mobilização, conforme painel estadual, e intensificou visitas nas regiões com maior número de suspeitos, além de realizar aplicação de inseticida nos quarteirões de casos confirmados e suspeitos.
Igrejinha mantém cenário controlado
O primeiro ciclo do LIRAa de 2026 não foi realizado em razão da capacitação de novos agentes, mas o município mantém cobertura integral por ovitrampas. Até o momento, há um caso confirmado de dengue, número inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A Prefeitura de Igrejinha informa que não está em situação de alerta ou mobilização, mantendo as rotinas de controle vetorial e acompanhamento conforme orientações técnicas estaduais e federais.
Campo Bom mantém alerta e reforça borrifação em imóveis especiais
Campo Bom não realizou o primeiro LIRAa de 2026, mas mantém monitoramento permanente por meio de 100 ovitrampas distribuídas pela cidade desde dezembro de 2022. A estratégia permite identificar regiões com maior concentração de ovos e direcionar as ações de campo.
Segundo a Secretaria de Saúde, o início deste ano apresenta comportamento semelhante aos anteriores, com exceção de 2024, quando houve pico estadual de casos. Até 13 de fevereiro, Campo Bom registrou dois casos confirmados de dengue.
O município está em situação de alerta e, além das rotinas de bloqueio e monitoramento, realiza borrifação residual intradomiciliar com inseticida em imóveis especiais, como escolas e prédios públicos, além de ações de educação em saúde.
Estância Velha concentra ações no combate ao borrachudo
Em Estância Velha, a principal ação recente de combate a vetores foi direcionada ao controle do borrachudo. A Vigilância em Saúde realizou aplicação de BTI (Bacillus thuringiensis israelensis) em cursos d’água e córregos do município.
O produto biológico atua especificamente nas larvas do inseto e é considerado seguro para o meio ambiente. A iniciativa integra o cronograma de prevenção e busca reduzir a proliferação do mosquito em áreas de água corrente.
Além disso, o município promove entre 23 e 27 de fevereiro a Semana de Mobilização Contra a Dengue, com atividades educativas nas escolas, mutirões de limpeza e reforço na divulgação da segunda dose da vacina.
A programação integra a ação regional do “Dia D contra a Dengue”, marcada para 27 de fevereiro e articulada junto a cidades do Vale do Sinos. Segundo a Vigilância em Saúde, a estratégia busca ampliar o engajamento da população na eliminação de criadouros do Aedes aegypti e fortalecer as medidas preventivas neste período de maior risco.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Estância Velha
“Diante do aumento de casos nos últimos anos, o município aposta em atividades educativas e ações de conscientização para reforçar a importância da prevenção”, aponta a coordenadora da Vigilância em Saúde (Visa), Rosângela Blume.