Com 52 crianças estrangeiras entre os alunos da Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Boa Saúde, a professora Gislaine da Paz Rodrigues teve uma ideia: olhar a alfabetização desses estudantes de maneira particular, quase um a um. “Tínhamos o relato dos demais educadores sobre a dificuldade enfrentada na alfabetização desses alunos, a maioria venezuelanos. E percebi que havia uma questão que vinha antes mesmo do aprender a ler ou escrever, que era a apropriação do nosso vocabulário. Afinal, sem saber como se falam os objetos em português, não tínhamos como ensiná-los que faca começava com o som de f, por exemplo”, explica.

Foto: Francine Silva/GES-Especial
E foi assim que nasceu um projeto específico dentro do Ateliê Alfaletrar da escola, permitindo que as crianças aprendam sem deixar de lado a sua cultura e o seu idioma.
Com a ajuda do professor José Ramon Marquez Figuera, natural da Venezuela e que integra o Move Sem Fronteiras, a educadora começou a desenvolver um trabalho quase de bilinguismo, compreendendo como se diz as palavras em espanhol e ensinando, pouco a pouco, como são em português. “Eu sempre digo que eles já estão em vantagem pois terão dois idiomas”, conta Gislaine.

Foto: Francine Silva/GES-Especial