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"Parece que estou vivendo um pesadelo": Mãe tenta reconstruir a vida após filha morrer em incêndio em Novo Hamburgo

Caren Corrêa, mãe de Maria Clara, pede ajuda para reconstruir casa e dar vida digna a outros três filhos

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 02/04/2026 às 15h:59 Última atualização: 02/04/2026 às 17h:16
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Ela perdeu a filha após um incêndio destruir a casa onde moravam na madrugada do dia 15 de março, no bairro Boa Saúde, em Novo Hamburgo. Agora, além de lidar com a dor da perda da adolescente de 15 anos, a dona de casa Caren Mariane Corrêa, de 50 anos, enfrenta o desafio de recomeçar do zero e reconstruir a própria vida ao lado dos outros filhos.

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Caren Corrêa é mãe de Maria Clara Corrêa, vítima do incêndio que comoveu o Vale do Sinos | abc+



Caren Corrêa é mãe de Maria Clara Corrêa, vítima do incêndio que comoveu o Vale do Sinos

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Essa é a história da mãe de Maria Clara Corrêa, vítima do incêndio que comoveu o Vale do Sinos. Desde a tragédia, Caren tenta encontrar respostas para o que aconteceu, enquanto busca forças para seguir em frente. “Não está sendo nada fácil. Parece que estou vivendo um pesadelo, que eu estou acampando aqui e, quando voltar pra casa, ela vai estar lá”, desabafa.

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Desde a morte de Maria Clara, a rotina da família mudou completamente. Caren e os filhos Cássio, 21, que tem síndrome de Down, Yuri, 20, e Antônia, 9, passaram a viver em um espaço improvisado nos fundos da casa do irmão dela, no bairro São Jorge. O marido da dona de casa, Antônio, está passando os dias na casa de outros familiares.

"Parece que estou vivendo um pesadelo": Mãe tenta reconstruir a vida após filha morrer em incêndio
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Recordações que ficam

Caren guarda lembranças marcantes da filha. Ela conta que, embora fosse tímida e reservada, a adolescente era extremamente carinhosa com a família. “Era muito meiga, muito educada, muito prestativa. Ficava no cantinho dela, mas, quando chamava, ela vinha. Era muito querida por toda a família”, descreve.

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Maria Clara também fazia planos. Segundo a mãe, a adolescente havia começado a dar os primeiros passos em busca de um emprego e tinha como primeiro objetivo ajudar dentro de casa. “Ela queria trabalhar em um banco, com meu cunhado. E dizia que, quando começasse a trabalhar, ia pagar um dentista para arrumar os meus dentes. Era o sonho dela”, conta.

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Maria Clara | abc+



Maria Clara

Foto: Arquivo pessoal

A mãe também relembra o último fim de semana que passou ao lado da filha, um momento que, hoje, ganha ainda mais significado. “Foi um sábado muito especial. Ela brincou, fez uma barraquinha com a irmã, coisa que ela não fazia mais. Depois fui para Tramandaí e, na hora de eu sair, ela me deu um beijo. Ela não era de beijo. Me abraçou. Eu até estranhei. Hoje eu penso nisso o tempo todo”, relata.

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A dona de casa relembra que insistiu para que a filha fosse junto na viagem. “Mas ela disse que não queria ir, que tinha trabalho da escola pra fazer e argumentou que logo eu estaria de volta. Eu fui no sábado e voltaria no final do domingo”, explica.

Caren viajava para o litoral norte a cada 15 dias como forma de tentar lidar com a dor da perda de outro filho, Eduardo, há cerca de um ano e meio, após um assalto no bairro Rincão, também em Novo Hamburgo. Ele foi agredido com uma pedrada, teve o celular e a bicicleta roubados e morreu após uma semana internado.

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“É muita coisa. Eu ainda estava tentando aprender a lidar com a perda do Eduardo e ia para Tramandaí porque isso me fazia sentir mais perto dele”, afirma. A família já havia morado no litoral.

Maria Clara e parte da família | abc+



Maria Clara e parte da família

Foto: Arquivo pessoal

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Dona de casa espera contar com ajuda para reconstruir a casa

Permanecer no quintal da casa do irmão, em um espaço coberto por lona, não é uma opção. A dona de casa espera ajuda para limpar o terreno onde ficava a casa incendiada para, então, reconstruir.

“Não vai ser fácil, mas quero reconstruir minha casinha para dar aconchego para o Cássio, a Antônia e o Yuri. Isso aqui não é vida pra eles”, afirma. “Meu irmão abriu as portas pra gente, sou muito grata. Mas não está sendo vida também. É muito difícil”, completa.

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Sem condições financeiras para arcar com os custos da obra, ela pede ajuda da comunidade. “Tudo que a gente tem aqui hoje é doação. E, depois que limparem o terreno, eu vou precisar de material e, principalmente, de mão de obra”, pontua.

Segundo ela, qualquer ajuda será importante, especialmente de profissionais da construção civil. “Se tiver um grupo de pedreiros, uma construtora que queira fazer uma boa ação, é isso que eu mais preciso”, diz.

Quem quiser ajudar a família com material de construção, mão de obra ou doações em dinheiro pode entrar em contato com Caren Corrêa pelo WhatsApp (51) 98049-6710.

Vizinhos chegaram a abrir buraco na parede para tentar salvar adolescente

O incêndio que matou a Maria Clara Corrêa ocorreu na madrugada do dia 15 de março, em uma residência na rua Sebastião Fernandes de Lima, no bairro Boa Saúde, em Novo Hamburgo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a casa foi totalmente destruída pelas chamas e duas residências vizinhas ficaram parcialmente danificadas.



Por volta das 3 horas, vizinhos foram acordados pelos gritos da jovem e ainda tentaram resgatá-la. Um morador conseguiu retirar um ar-condicionado e abrir um buraco na parede para acessar o interior da casa.

Nos fundos, uma cerca foi derrubada na tentativa de facilitar o acesso. Apesar dos esforços, a adolescente não conseguiu ser retirada a tempo. As causas do incêndio ainda são investigadas.

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