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TRADIÇÃO

Pasqualini completa 80 anos com festa e planos ao futuro; conheça a curiosa história do prédio da escola

Colégio público é uma das instituições mais tradicionais de Novo Hamburgo

Publicado em: 24/06/2025 às 03h:00 Última atualização: 24/06/2025 às 07h:33
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O tradicional Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, em Novo Hamburgo, chega aos 80 anos. Para celebrar a data, planeja uma série de atividades nos próximos meses, unindo comemorações, ações de integração com a comunidade e eventos para arrecadação de recursos. A cerimônia oficial está marcada para o dia do aniversário, 1º de julho, mas a programação começou e se estende até o fim do ano.

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Prédio do Pasqualini ficou fechado durante a 2a Guerra  | abc+



Prédio do Pasqualini ficou fechado durante a 2a Guerra

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

A direção organiza uma mostra científica no próximo sábado, dia 28 de junho. Também estão previstos sessão solene na Câmara de Vereadores, em 3 de julho; um galeto solidário, no dia 5; uma festa julina e um jantar-baile em setembro. Em outubro, deve voltar o concurso Garota e Garoto Pasqualini.

A escola atende hoje cerca de 700 alunos, distribuídos em 29 turmas nos turnos da manhã, tarde e noite. Entre as ações de destaque está o turno integral, que oferece alimentação completa (café da manhã, almoço e café da tarde) e grade especial de atividades.

Pasqualini 80 anos | abc+



Pasqualini 80 anos

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

Quem acompanha esse modelo de perto é a vice-diretora do turno integral, Eleisa Mathias. Para ela, a data simbólica reforça o momento de reconstrução de vínculos entre a escola e seu entorno.

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“Nosso foco é trabalhar na reaproximação da comunidade escolar com o Pasqualini. Temos uma estrutura maravilhosa e podemos usar ainda mais esse espaço. A comunidade precisa ter esse olhar mais carinhoso, e nós estamos trabalhando muito nisso.”

Atual diretora, Marília Würch assumiu o cargo no início de 2025. Desde então, tem apostado em parcerias e diálogo com o poder público para fortalecer a escola e projetá-la para os próximos anos. Da mesma forma que Eleisa, também vê na aproximação com a comunidade oportunidade de trazer melhores ao educandário. “Tenho certeza que essa reaproximação vai trazer muitos benefícios para a nossa escola. O olhar das autoridades também é muito importante. Com todo esse espaço, por exemplo, ainda não temos um ginásio com quadra coberta”, disse.

Foco atual é retomar ensino técnico

Entre os projetos em discussão está o retorno dos cursos técnicos, que marcaram a trajetória do Pasqualini por décadas. “Sabemos que existe um interesse de empresários da região. Então, vamos trabalhar nisso também. Vamos ir atrás de investimentos para trazer de volta esses cursos, que são uma demanda também da nossa comunidade”, acrescentou Marília.

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A curiosa história do prédio da escola

O prédio onde fica o Pasqualini tem raízes anteriores à data de sua fundação. Por trás da atual estrutura, há uma história que envolve a imigração alemã, cervejaria artesanal, episódios políticos e o impacto da Segunda Guerra Mundial no Estado. Quem resgata essas memórias é a historiadora Diva Walzer Kuhn, ex-professora da instituição e autora do livro “O Incidente, que retrata as origens do educandário”.

Ela narra que a propriedade pertencia ao imigrante alemão Maximiliano Fischel, que chegou à região em 1889. Com a esposa Leopoldina, construiu ali sua casa e fundou uma cervejaria. Em 1929, Fischel firmou acordo com a Sociedade União Popular, que mantinha uma escola de formação de professores em Arroio do Meio, em que ele cedia o terreno em troca de uma pensão vitalícia. Assim, a escola foi transferida para o local e passou a formar professores do sexo masculino, geralmente filhos de agricultores.

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Nos primeiros anos, as aulas eram realizadas na antiga cervejaria, que foi adaptada para abrigar salas de aula e moradias dos funcionários. Conforme Diva relata, apenas em 1930 a escola ganhou estrutura definitiva com a construção de um prédio de três andares, o mesmo que ainda está de pé. A obra foi financiada pelo consulado alemão.

A escola funcionava em regime de internato e era considerada uma instituição de elite. A maior parte eram professores alemães altamente qualificados, e o idioma alemão era usado nas conversas entre os alunos e educadores. O cenário de prestígio, porém, foi interrompido em 1939.

Conforme narra Diva, em 25 de julho, o secretário estadual de Educação, Coelho de Souza, participou de festa pela imigração alemã. Os discursos em homenagem ao povo alemão incomodaram o representante do governo, que via com desconfiança qualquer demonstração de identidade estrangeira em plena campanha de nacionalização promovida por Getúlio Vargas. “No dia seguinte, esse secretário foi até Porto Alegre e pediu ao governador o fechamento da escola.”

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A instituição foi fechada, os professores perderam seus empregos e os alunos não conseguiram concluir a formação. Na Segunda Guerra Mundial, o prédio permaneceu fechado. Somente depois do fim do conflito, em 1945, o espaço foi reativado. Foi então que o governo do Rio Grande do Sul adquiriu o terreno e todas as suas estruturas por um valor simbólico. Em 1º de julho daquele ano, teve início uma nova fase para a instituição, quando surgiu a Escola Vocacional Agro Industrial (Evai).

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