Quem pensa que ciência fica restrita a jovens e adultos, precisa passar na Mostratec Júnior, que ocorre dentro da programação da 40ª Mostratec Liberato, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. O evento teve credenciamento segunda (27) e segue até sexta-feira (31).
A cerimônia de abertura da 40ª Mostratec reuniu diversas autoridades, entre elas o prefeito Gustavo Fink, representantes do Legislativo, professores, estudantes e visitantes no auditório na noite de terça-feira (28).

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
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Mais de 300 projetos da educação infantil estão sendo expostos, de terça-feira até quinta-feira (30), na Mostratec Júnior. Já a Mostratec, que inclui trabalhos do ensino médio e técnico segue com exposição na sexta-feira (31).
O coordenador geral da Feira, Luis Eduardo Selbach, destaca que o objetivo da Mostratec, de forma geral, é mostrar que não existe idade mínima para o pensamento científico. “A Mostratec-Liberato reúne projetos que oferecem algum tipo de solução para diversas sociedades, diversos lugares do mundo, seja no bairro, na cidade, no país e no estado. O que a gente percebe, quando começa a Mostratec Júnior, por exemplo, é que cada um, no seu nível de linguagem, consegue fazer um tipo de pesquisa. Então, quando uma criança vem para a Mostratec Júnior, ela já está botando na sua mente, e quem sabe um dia, poderá ser um cientista.

Foto: Geison Concencia/GES/Especial
Para o coordenador geral, as crianças, em seu dia a dia, já desenvolvem o saber científico. “Isso faz com que ela, num futuro, pense em desenvolver pesquisa, ser cientista, o que talvez no nosso País, não seja uma coisa muito comum”, aponta Selbach.
Neste ano, a Mostratec conta 774 projetos desenvolvidos por estudantes do ensino médio e técnico, do ensino fundamental e da educação infantil. Ao todo, marcam presença alunos de 14 países e 21 Estados brasileiros e Distrito Federal.
Do exterior, participam representantes da Argentina, Chile, China, Dinamarca, Itália, México, Paraguai, Peru, Portugal, Suíça, Taiwan, Turquia e Ucrânia.
“São 40 anos de ideias, descobertas e muito aprendizado”, reforça diretor
O diretor-executivo da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, José de Souza, destacou a importância histórica da feira. “A celebração desse momento, da 40ª edição, é um marco histórico. São 40 anos de ideias, descobertas e muito aprendizado, que formaram gerações de jovens pesquisadores”, afirmou. Ele lembrou que muitos dos participantes das edições anteriores transformaram a experiência da Mostratec em carreiras de sucesso, atuando como pesquisadores, empresários e profissionais em diversas áreas.
Souza também resgatou as origens do evento, citando a professora doutora Deisi Müller, que em sua tese descreve como tudo começou com uma pequena feira na Fundação Liberato, ainda na década de 1970. “Era uma instituição nova, que precisava se mostrar ao mundo.”
Superar medo de abelhas por meio da ciência
Na escola Caminho do Saber, em Caxias do Sul, o medo de abelhas foi superado pela ciência. Após uma aluna da educação infantil passar pela experiência de receber uma ferroada de uma abelha, e ficar com medo, a professora e os alunos começaram a pesquisar para superar o temor.

Foto: Geison Concencia/GES/Especial
A professora Denise Vasconcellos comenta que um apicultor foi até a escola explicar sobre o assunto, para inverter o medo em respeito pela importância da abelha na natureza. A partir desse episódio, surgiu a ideia do projeto.
“Um apicultor foi até a nossa sala, levou um favo de mel e uma caixa de abelhas. Isso deixou todos muito motivados, até provaram a fava de mel. Aprenderam também sobre a importância da polinização. Esse foi um ponto muito relevante, porque eles não sabiam o quanto as abelhas são essenciais para a vida. Sem elas, tudo fica mais difícil. Sem polinização, não há flores, frutas, nem equilíbrio na natureza”, explica a Denise.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Segundo a professora, a aluna Sara Cardoso, que teve o incidente com a abelha, perdeu completamente o medo delas. “Agora estamos com várias abelhas na escola por causa da primavera, e eles tratam o assunto com naturalidade e muito mais facilidade”.
A professora também destaca que a Mostratec traz outro benefício, principalmente, voltado à comunicação das crianças através das apresentações.
Trabalho reforça identidade familiar
Quando as crianças entram em uma sala de aula pela primeira vez, na escola Emei Vó Luiza, de Nova Santa Rita, elas são estimuladas a entender sua história pessoal e familiar de cada um, valorizando suas origens e vínculos afetivos. Com essa ideia, os alunos da professora Quelen Silveira apresentaram o projeto Tudo Sobre Mim. Nele, as crianças falam sobre suas origens.
“Quando trabalhamos com o tema da família — pesquisando de onde vieram, quem são os integrantes, como vivem —, já estamos estimulando a curiosidade e o pensamento investigativo. Eles aprendem pesquisando e, sem perceber, entram no mundo da ciência de forma natural e divertida”.
Para ela, a Mostratec é fundamental para o enriquecimento intelectual de alunos e professores. “Eles ampliam o aprendizado, fortalecem a autoconfiança e despertam o interesse pela pesquisa e pela ciência desde cedo”, destaca.
“A criança já é uma cientista nata”, diz professora
Para a professora Daiane Abreu, da Emei Carolina Menger da Rosa, da Sagrada Família, em Gravataí, toda criança carrega consigo um pensamento científico. “Ela quer descobrir o mundo ao seu redor, compreender como as coisas funcionam. É isso que buscamos trazer aqui: um pouco desse conhecimento e das respostas que elas mesmas procuram para seus ‘porquês’. Na nossa escola de Gravataí, as feiras científicas iniciam desde o Berçário 2 — por volta de um ano e meio de idade, respeitando a faixa etária: cada professor escolhe o tema de acordo com a idade e o interesse das crianças”, relata.
Segundo Daiane, os projetos sempre surgem do interesse das próprias crianças por algum assunto. A curiosidade é o ponto de partida — a criança quer saber, quer entender o porquê das coisas. “E é a partir desses questionamentos que introduzimos o conhecimento científico na vida escolar delas”.
Para a Mostratec, a escola em que trabalha a professora Daiane apresentou um projeto sobre a produção de sabão. Durante as rotinas de higiene, elas observavam a espuma se formando ao lavar as mãos e começaram a perguntar: “Por que precisamos usar sabão? Não dá para lavar só com água?”
A partir dessa curiosidade, as crianças produziram sabão em barra e sabão líquido, ao mesmo tempo em que estudavam a ciência por trás do sabão e o quanto ele é necessário para a higiene.
“Também exploramos o lado lúdico da experiência. Fizemos bolhas de sabão de vários tamanhos — inclusive gigantes — pesquisando como criá-las. Foi uma forma divertida e educativa de unir ciência e brincadeira”, completa Daiane.