abc+

Novo Hamburgo

Prefeitura pede aval para empréstimo de R$ 20 milhões para nova adutora em Canudos

Obra é apontada como essencial para evitar colapsos no abastecimento em um dos bairros mais populosos da cidade

Dário Gonçalves
Publicado em: 09/12/2025 às 16h:26 Última atualização: 09/12/2025 às 16h:26
Publicidade

A Prefeitura de Novo Hamburgo pretende contratar um empréstimo de até R$ 20 milhões junto à Caixa Econômica Federal para viabilizar a construção de uma nova adutora no bairro Canudos, uma das regiões que, hoje, concentra a área mais crítica do sistema de abastecimento de água. O projeto depende de autorização da Câmara de Vereadores e foi aprovado recentemente pelas comissões internas do Legislativo, mas ainda não tem data para votação em plenário.

Publicidade

Presidente da Comusa, Paulo Kopschina, estará na Câmara nesta quarta-feira (10) | abc+



Presidente da Comusa, Paulo Kopschina, estará na Câmara nesta quarta-feira (10)

Foto: Tatiane Lopes/CMNH

De acordo com o Executivo, a nova adutora, com 60 centímetros de diâmetro, conseguiria transportar até 374 litros por segundo, quase três vezes e meia a capacidade da tubulação atual. “A adutora que abastece a região, construída em outra realidade urbana, já opera acima de sua capacidade. Foi projetada para transportar 108 litros por segundo, mas hoje precisa atender a uma demanda de 259 litros, o que provoca pressão excessiva, aumento de rompimentos, instabilidade no fornecimento e altos custos operacionais”, informa o prefeito Gustavo Finck (PP).

Nesta quarta-feira (10), o diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti, e o presidente da autarquia, Paulo Kopschina, participarão da sessão da Câmara para apresentar aos vereadores os detalhes técnicos e financeiros da obra, além do impacto previsto no sistema de água do município.

Segundo Chilanti, a situação em Canudos exige atenção imediata. Atualmente, o bairro é atendido por uma tubulação de 300 milímetros em fibrocimento, considerada defasada frente ao crescimento populacional da região. “O abastecimento de água é um serviço essencial e um direito fundamental. No bairro Canudos, que concentra um dos maiores índices de crescimento populacional de Novo Hamburgo, esse direito está sob risco”, alerta o prefeito.

Publicidade

Traçado e tecnologia

O novo projeto prevê a implantação de uma adutora em PAD (polietileno de alta densidade) de 630 milímetros, com traçado partindo da Rua Pedro Adams Filho, conectando-se à Guia Lopes, seguindo pela Bartolomeu de Gusmão e chegando à Rua Nobel. Parte do percurso será executada com métodos não destrutivos, técnica que reduz escavações e impactos no trânsito em uma das áreas mais movimentadas da cidade.

A nova tubulação deverá ampliar significativamente a capacidade de transporte de água, reduzindo o risco de desabastecimento, principalmente em períodos de maior consumo. “Não se trata apenas de substituir uma rede, mas de criar uma nova infraestrutura que suporte o crescimento do bairro pelos próximos anos”, resume Chilanti.

Na justificativa, o prefeito Finck defende que a nova tubulação permitiria também o fornecimento de água às cerca de 1,2 mil unidades habitacionais que estão sendo construídas no bairro com recursos da própria Caixa Econômica Federal para o reassentamento de famílias afetadas pela enchente.

Publicidade

Diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti | abc+



Diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Inicialmente, a obra estava incluída em um financiamento de R$ 12 milhões, mas após ajustes técnicos, atualização de preços e redefinições de escopo, o valor precisou ser revisto. “O projeto foi reavaliado em conjunto com o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal até chegar ao valor atual de R$ 20 milhões, que garante a implantação completa da adutora”, explica o diretor técnico.

Publicidade

Segundo Chilanti, as condições da operação são consideradas vantajosas. “Estamos falando de um financiamento com custo aproximado de 6% de juros, além da taxa de administração de 8%, que hoje é uma das melhores opções disponíveis para investimento em infraestrutura”, diz.

Obras totais giram em torno de R$ 170 milhões

Durante a tramitação do projeto, conforme Chilanti, vereadores questionaram se o município não deveria direcionar recursos também para outras frentes, como a substituição de redes antigas. Levamentos internos da Comusa apontam que cerca de 150 quilômetros de redes antigas precisarão ser trocados nos próximos anos, com investimento estimado em R$ 100 milhões ao longo de um período de cinco anos.

Além disso, há outros projetos em curso ou em planejamento, como: R$ 23 milhões para a estação de captação de água bruta; R$ 4 milhões para a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau; e R$ 42 milhões para projetos complementares no sistema. Somados, os investimentos necessários chegam a cerca de R$ 170 milhões. “Apesar de termos um bom caixa, o superávit operacional anual gira em torno de R$ 20 milhões. Isso é insuficiente para executar todas essas obras apenas com recursos próprios”, defende Chilanti.

Publicidade

Política de contenção e adiamento do projeto do Pampa

Um dos pontos citados pelo diretor é a revisão do projeto de esgotamento sanitário no Arroio Pampa. “Ele foi previsto na gestão anterior e constatamos a necessidade de readequação. A proposta previa financiamento de R$ 141 milhões, além de mais R$ 43 milhões de contrapartida da própria Comusa”. Segundo Chilanti, o plano foi considerado inviável financeiramente neste momento. “A Comusa não tem capacidade financeira para aplicar R$ 40 milhões em dois anos em uma única obra, especialmente considerando que outras obras em andamento ainda não foram concluídas” afirma.

Diante disso, a autarquia e o prefeito Gustavo Finck decidiram reordenar as prioridades. “O foco agora é concluir o que está em andamento e fazer essas estruturas funcionarem. O projeto do Pampa não foi abandonado, mas ficou projetado para ser retomado até 2033, podendo inclusive ser executado por meio de uma Parceria Público-Privada”, explica.

Publicidade

A decisão também passa pela avaliação de que uma estação de tratamento construída entre 2013 e 2014 ainda não entrou em operação. “Não faz sentido investir em novas obras sem concluir e ativar as que já existem. Isso gera desperdício de dinheiro público.”

Prefeito Gustavo Finck e o Diretor Técnico da Comusa, Neri Chilanti | abc+



Prefeito Gustavo Finck e o Diretor Técnico da Comusa, Neri Chilanti

Foto: Dário Gonçalves/Arquivo GES-Especial

Publicidade

Reserva para emergências

Outro ponto citado pelo diretor técnico é a necessidade de manter um fundo de contingência mínimo de R$ 20 milhões para situações emergenciais. “Trabalhamos com infraestrutura essencial. Não ter um fundo de reserva é agir de forma irresponsável. Um rompimento grande, uma falha estrutural ou uma emergência climática exige resposta imediata. Sem recursos em caixa, o sistema entra em colapso”, afirma.

Apresentação aos vereadores

Na sessão desta quarta-feira (10), a equipe da Comusa deve apresentar a planta da obra, imagens aéreas, simulações de impacto e a projeção financeira do pagamento do financiamento ao longo de 20 anos. “Queremos mostrar de forma clara por que essa obra é necessária e o que acontece se ela não for feita. O impacto maior não é no orçamento, é no abastecimento da população “, conclui Chilanti.

Aprovado pelas comissões de Obras, Finanças e Constituição, Justiça e Redação, o Projeto de Lei nº 103/2025 autoriza ainda a Prefeitura a oferecer como garantia pelo empréstimo valores decorrentes da repartição de impostos estaduais e federais.

Publicidade