A sessão desta quarta-feira (11) na Câmara de Novo Hamburgo foi marcada por expectativa e forte mobilização de apoiadores da vereadora Professora Luciana Martins (PT). O plenário estava lotado, com público exibindo frases de apoio e máscaras com o rosto da parlamentar. Houve reforço da Guarda Municipal no entorno e no interior da Casa para evitar qualquer tipo de tumulto.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Quando o pedido de cassação foi retirado da pauta antes da votação, houve muita comemoração. Logo em seguida, a sessão acabou sendo suspensa e Luciana deixou sua cadeira no plenário para dirigir-se até os apoiadores e fazer um pronunciamento improvisado. A vereadora afirmou que, com a retirada formal do projeto, o processo deixa de existir.
“Pessoal, só para esclarecer o regimento para vocês. A partir do momento em que há uma atribuição do presidente da Casa de retirar, não existe mais o projeto, ele está arquivado. Se não existe mais o projeto, não existe mais nenhum processo, que nunca deveria existir. Eu quero reiterar: em nenhum momento nos últimos sete meses dessa Casa Legislativa nós falamos em decoro parlamentar, nós estamos falando em perseguição a parlamentar e o projeto termina o que não deveria ter iniciado. Viva a democracia!”, declarou.
Convicção no mandato
Após o pronunciamento e a retomada dos trabalhos, a vereadora concedeu entrevista exclusiva ao Grupo Sinos. Ela afirmou que já tinha convicção de que manteria o mandato caso o projeto fosse levado à votação. “Eu tinha clareza que essa Casa manteria a institucionalidade. A retirada do projeto significa isso, significa que esse projeto seria derrotado nesse plenário”, disse.
Luciana lamentou que o processo tenha avançado até a pauta da sessão e reiterou que não houve quebra de decoro parlamentar. “Eu reitero que não houve nenhuma quebra de decoro parlamentar e, hoje no plenário, é retirado o que nem deveria ter sido pautado. Essa Casa e a cidade não precisavam disso”, afirmou.
A vereadora disse ter mantido serenidade durante os sete meses de tramitação e destacou o apoio recebido. “Quero agradecer às vereadoras e aos vereadores que se manifestaram. O ex-presidente da Casa, vereador Cristiano Coller (PP), foi extremamente honesto na condução desses trabalhos. Fui abraçada pela cidade, por todos aqueles e aquelas que acreditam que a gente deve manter os princípios republicanos, independente de posicionamento político.”
Ela também sustentou que a discussão envolvia a preservação institucional do Legislativo. “Nós não estamos falando de direita e de esquerda, estamos falando de institucionalidade e de democracia. Um mandato eleito não pode ser retirado por qualquer decisão que não seja legítima”, declarou.
Retirada do projeto surpreendeu
Apesar de afirmar que tinha convicção de que o mandato seria mantido, Luciana disse que a retirada do projeto antes da votação foi inesperada. “Essa retirada surpreende, porque agora era o momento do plenário. Mas eu também tinha convicção de que eu manteria meu mandato porque há um compromisso institucional”, disse.
Ao comentar o desgaste do processo, mencionou custos à Casa e defendeu a retomada do diálogo. Luciana afirmou também que seguirá exercendo o mandato com foco na participação popular: “Amanhã de manhã eu tenho que acordar e trabalhar pela cidade. Fomos eleitas para isso”, disse.
Por fim, ressaltou que a política se faz com diálogo. “A gente constrói consensos e também posicionamentos divergentes. Essa Casa precisa restaurar esse princípio”, finalizou.