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Quebrando ciclos de violência: Seminário em escola de Novo Hamburgo busca combater o bullying

Iniciativa é desfecho de trabalho de dois meses com estudantes, com exercícios de diálogo e escuta

Publicado em: 20/07/2026 às 15h:32 Última atualização: 20/07/2026 às 15h:32
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Com o objetivo de quebrar ciclos de violência e trazer conscientização, o Instituto Estadual Seno Ludwig, de Novo Hamburgo, apresentou, nesta segunda-feira (20), seu seminário de combate ao Bullying. De acordo com o diretor da escola, José Silon, o evento vem após dois meses de trabalho com todas as turmas.

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“Tivemos uma onda de violência nas escolas aqui em Novo Hamburgo, que tiveram uma ênfase muito grande nas redes sociais e nos jornais, então resolvemos combater isso mostrando que a escola também é um lugar seguro”, conta Silon.

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“Trabalhamos esse assunto de forma interdisciplinar com todos os estudantes, que fizeram projetos e vídeos trabalhando essa questão tão importante dentro das escolas”, continua.

Para o diretor, o diálogo proposto pela iniciativa é a chave para quebrar ciclos de violência, tendo em vista dados que apontam que, quem pratica bullying muitas vezes está perpetuando uma violência já sofrida em outros contextos, inclusive dentro da própria casa.

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“Eles também trabalham em casa, entrevistaram pais, discutiram o assunto, socializaram e transformaram isso em projetos. É uma forma de a escola voltar para a sociedade e dizer que isso (a violência) não é correto”, descreve.

“Uma mãe até disse ‘olha, meu filho não apanha, se defende’. E eu disse ‘aqui seu filho não apanha nem se defende, aqui pelo diálogo a gente resolve o problema da violência e do bullying”, continua.

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“Dar voz aos que estão invisíveis”

A iniciativa realizada junto aos alunos envolveu ainda um trabalho de escuta, permitindo que os jovens levassem relatos à escola de forma anonimizada, escrevendo-os em um papel e inserindo-os em uma urna sem se identificar.

“Aquele aluno que não tinha coragem de falar, poderia escrever para expressar que tipo de violência recebem tanto em casa como na escola, e o professor trabalhava nesse tema dentro da sala de aula. Esse anonimato serviu para dar voz aos que estão invisíveis, que sofrem violência tanto em casa como na escola e às vezes não têm coragem mesmo.”

Arthur Nunes tem 17 anos e está no terceiro ano do Ensino Médio. Ele conta que já passou por situações negativas, mas não chegou a reconhecê-las como Bullying. “No meu caso, era mais um assédio moral. Acho que o bullying, pela nossa legislação, é uma intimidação sistemática, feito com o propósito de fazer mal. Acho que o assédio moral também tem que ser tratado como violência, mas que o bullying é mais incisivo.”

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Para ele, o trabalho com o seminário foi uma boa experiência, mesmo que a conscientização ainda tenha seus desafios. “A gente já parte dessa premissa de ter o acolhimento trabalhado, de os alunos serem escutados e terem sua opinião realmente valorizada, de entender que o professor precisa ser ouvido, mas quando é mútuo, é muito melhor”, afirma.

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“É confortante ver que apesar de alguns ainda não entenderem, tem gente que já está sendo impactada pelo que estamos fazendo”, prossegue.

“Se não combatermos na escola, não vamos conseguir mudar”

A coordenadora da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (2ª CRE), Ileane Margarete dos Santos Bravo, descreve que situações como o Bullying começam antes mesmo de qualquer interação entre os estudantes.

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“O Bullying não começa na escola, e sim lá na família. A violência é da sociedade, e o aluno vem para a escola trazendo alguns princípios erradamente, e aqui eles desenvolvem entre seus pares, com os professores”, explica.

“E a importância de fazer esse esclarecimento é que a escola possa, sim, ouvir o aluno as dificuldades que eles têm na parte social, de gênero, a questão do racismo… se não combatermos isso aqui na escola, a gente não vai conseguir mudar”, prossegue.

Na visão da coordenadora, a melhor forma de combater o preconceito e a violência é justamente através de iniciativas como o seminário promovido pela escola Seno. “A escola vem sendo potente nesse sentido, porque ela vai na raiz dos problemas sociais. Não é simplesmente ‘hoje tem uma palestra sobre Bullying’”, elogia.

“O que a escola fez? Preparou um projeto onde cada turma, cada professor, trabalharia durante dois meses sobre os mais variados assuntos que envolvem bullying e violência, seja escolar, doméstica, de trânsito, social, de família… o que está acontecendo aqui serve de exemplo para muitas outras escolas”, completa.

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