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Música e cultura

Representantes da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo buscam apoio no Ministério da Cultura

Diretor artístico da OSNH fala em otimismo por uma retomada em breve das atividades

Dário Gonçalves
Publicado em: 04/04/2025 às 17h:33 Última atualização: 04/04/2025 às 17h:34
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Em meio à crise financeira que ameaça o futuro da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH), representantes da instituição estiveram em Brasília na terça-feira (1º) para buscar alternativas que garantam a continuidade do projeto. O diretor artístico da orquestra, Gustavo Müller, e o ex-secretário de Cultura de Novo Hamburgo, Ralfe Cardoso, foram recebidos pelo secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares.

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Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo | abc+



Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo

Foto: Divulgação

Durante o encontro, Tavares reconheceu a relevância do trabalho desenvolvido pelo Instituto Arlindo Ruggeri, responsável pela OSNH, e afirmou que o Ministério irá acompanhar de perto os esforços para viabilizar alternativas. “A gente busca soluções e apoio para essa instituição que é muito importante para a cultura do Rio Grande do Sul e do Brasil, na formação de músicos, orquestras jovens, plateias… Não só para a música clássica, mas também para a música popular. Vamos apoiar tudo o que for necessário”, declarou.

Müller reforçou o papel social e cultural da orquestra, que além de empregar músicos e técnicos da região metropolitana, desenvolve o Núcleo de Orquestras Jovens, considerado um dos projetos mais reconhecidos de formação musical do país. “Estamos tentando manter a orquestra viva. Ela é tombada como patrimônio histórico, artístico e cultural de Novo Hamburgo, e transforma a realidade de muitos jovens e famílias da cidade”, disse.

Ralfe Cardoso, Márcio Tavares e Gustavo Müller | abc+



Ralfe Cardoso, Márcio Tavares e Gustavo Müller

Foto: Divulgação

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“Estamos trabalhando na elaboração de projetos para buscar recursos via Lei Rouanet. Como até o ano passado éramos mantidos pela Prefeitura, não tínhamos projetos deste tipo. Mas estamos esperançosos que iremos conseguir e poder, em breve, retomar as atividades. Há um otimismo muito grande em relação a isso”, acrescentou o diretor artístico.

O ex-secretário Ralfe Cardoso destacou ainda o alcance social das ações do Instituto. “Levamos música a locais onde muitas pessoas não têm acesso ao teatro ou à compra de um instrumento. Os filhos de trabalhadores podem participar dos projetos, recebem os violinos, têm acesso à formação artística. Esse é um trabalho de transformação que precisa continuar. Não é dessa vez que a Orquestra irá sucumbir e certamente tem coisas boas pela frente”, declarou.

Segundo os representantes da OSNH, a ida a Brasília também foi importante para sensibilizar o governo federal sobre a urgência da situação e reforçar a necessidade de apoio institucional e financeiro para manter viva uma das orquestras mais antigas do Estado, que completa 72 anos em 2025.

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Prefeitura e Instituto negociam retomada

A Prefeitura de Novo Hamburgo confirmou que está em tratativas com o Instituto Arlindo Ruggeri para viabilizar a retomada das atividades da OSNH. Segundo o Executivo, um encontro entre o prefeito Gustavo Finck e a secretária estadual de Cultura, Bia Araújo, no final de março selou o compromisso de buscar uma solução conjunta para a continuidade das atividades.

“Neste momento, Prefeitura e Instituto estão buscando equacionalizar a retomada da orquestra e trabalham em conjunto para implementar um cronograma. Foi acordado que a OSNH apresentará a planilha de custos para a Prefeitura, de modo que se faça uma avaliação e se verifique a possibilidade de estabelecer um fluxo financeiro que permita ao Município aportar recursos”, informou.

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Reunião na Câmara

A busca por soluções para o financiamento da Orquestra também foi tema de uma reunião na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo na segunda-feira (31), com a participação de representantes do setor cultural, do Ministério da Cultura e do Executivo Municipal. Durante o encontro, Fahbricio Pereira, da Diretoria Geral de Projetos e Captação de Recursos, anunciou que a Secretaria de Educação garantiu a manutenção de sete núcleos da Orquestra Jovem, com um investimento de R$ 750 mil. Os demais núcleos, um total de 26, seguem sendo financiados via Lei Rouanet.

Müller destacou que a captação de recursos próprios trouxe R$ 600 mil para a OSNH, mas ressaltou que o montante não garante a sustentabilidade a longo prazo. Ele também criticou a falta de prioridade dada à cultura no orçamento municipal.

Já Mariana Martinez, coordenadora do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, anunciou que Novo Hamburgo tem R$ 9,7 milhões destinados ao setor, sendo R$ 1,7 milhão da Lei Paulo Gustavo e repasses anuais de R$ 1,5 milhão até 2027. Além disso, o município receberá um novo Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) para ações culturais e comunitárias.

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Apesar desses investimentos federais, Novo Hamburgo atualmente não está apto a receber recursos estaduais para a cultura, pois não atende aos requisitos estabelecidos pelo governo do Estado. A possibilidade de uma audiência pública para discutir a situação foi sugerida pela Comissão de Educação da Câmara.

Sobre a Orquestra

A Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH) é uma das instituições musicais mais antigas do Rio Grande do Sul, com 72 anos de história. Fundada em 1952 pelo maestro Arlindo Ruggeri, a orquestra é composta por 34 músicos distribuídos entre os naipes de metais, madeiras, palhetas, contrabaixo e percussão.

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Reconhecida como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Novo Hamburgo desde 2008, a OSNH tem desempenhado um papel crucial na preservação da memória musical da região, apresentando repertórios que transitam entre as linguagens erudita e popular.

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