A chegada oficial do inverno neste domingo (21) reforça a importância da Campanha do Agasalho em cada município. No entanto, o volume de peças danificadas, inadequadas para a estação ou sem condições de uso tem comprometido o aproveitamento das doações, justamente no período em que a demanda por itens de inverno é maior.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Em Novo Hamburgo, a Campanha do Agasalho começou no dia 27 de abril com pontos de coletas em cerca de 50 locais na cidade.
Entre as doações recebidas estão roupas manchadas, rasgadas e não higienizadas e peças curtas de verão, como maiô, croppeds e vestidos.
O montante representa cerca de 13% dos itens triados e, o que está danificado, é encaminhado para produção de camas para pets, já que não possui a capacidade de aquecer às famílias atendidas.
Até a semana passada, 4.495 peças foram recebidas, porém 607 delas estavam sem condições de uso. “Às vezes a roupa até está em boas condições, mas vem com mau cheiro, um cheiro muito forte, aí não tem como a gente enviar para as pessoas”, relata Jaqueline Andréia da Silva, coordenadora da Fábrica da Cidadania, local onde as roupas são triadas e separadas.
Em relação aos calçados, o número de não aproveitamento é superior, pois entre as doações estão calçados abertos, como rasteirinhas e sandálias de salto alto, e sapatos descolados e rasgados. Dos 853 pares recebidos, 62% não puderam ser passados adiante.
“A gente não tem como mandar arrumar, costurar e lavar. Os calçados descolados a gente não tem como consertar, então já tem que vir nas condições para mandar para os locais”, ressalta.
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Os pedidos são realizados através dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e os colaboradores da Fábrica da Cidadania fazem a separação e envio às entidades. Até a última semana, 64 famílias com cerca de quatro integrantes foram beneficiadas.
As peças recebidas em menor volume são roupas masculinas e infantil (feminino de todas as idades e masculino a partir dos seis anos), meias, toalhas de banho e roupa de cama.
Região
Em Campo Bom, devido ao alto volume de roupas recebidas nas outras edições, neste ano não foram solicitadas novas doações.
As entregas e retiradas ocorrem de forma permanente no Ginásio Municipal, nas terças e quintas-feiras, das 13 às 17 horas. O que não pode ser aproveitado é descartado junto à empresa que produz estopas.
Em Estância Velha, em cerca de um mês de campanha, 8.127 itens foram arrecadados, entre roupas e calçados. Destes, somente 250 são peças masculinas.
Vestuário de verão somam 2.070 peças e 2.112 serão descartadas por estarem sem condições de uso. As malhas são encaminhadas à parceiros que produzem estopas.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (Sedest), uma parcela significativa das doações chega rasgada, suja e desgastada.
“Também recebemos muitas roupas de verão que, neste período de frio intenso, não atendem às necessidades imediatas das famílias em situação de vulnerabilidade social”, relata.
Atualmente, a maior necessidade é de roupas de inverno, como casacos, calças, meias, toucas, cobertores e mantas.
“É importante que a comunidade priorize a doação de roupas quentes. Além disso, as peças devem estar limpas, em bom estado de conservação e prontas para uso, permitindo que cheguem às pessoas que precisam com dignidade e respeito”, reforça.
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Já em Sapiranga, a Campanha do Agasalho começou no dia 11 de maio. Até a última quinta-feira (18), cerca de 3,9 mil peças foram arrecadas.
No entanto, apenas 1,5 mil são de inverno. “As outras 2,4 mil peças recebidas eram roupas de verão, que não atendem à demanda atual da população em situação de vulnerabilidade”, afirma.
Outro desafio identificado pela equipe responsável é que, entre as peças de inverno arrecadadas, a maioria é destinada ao público feminino.
“Há também uma quantidade significativa de roupas sem condições de uso, apresentando furos, manchas ou outros danos que impossibilitam a distribuição e resultam no descarte dos itens”, aponta.