Para marcar os 21 anos de fundação do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Novo Hamburgo (Case NH), foi realizado, na quinta-feira (28), no plenário da Câmara de Vereadores, o seminário “Além dos Muros: Socioeducação em Debate”. O encontro reuniu profissionais da área, gestores, vereadores e autoridades para discutir caminhos de ressocialização de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.
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Foto: Laura Rolim/GES-Especial
A programação contou com palestras que abordaram o papel da rede de atendimento no acolhimento dos jovens após o cumprimento da medida de internação. Participaram representantes da Fundação de Atendimento Socioeducativo do RS (Fase), juízes da Infância e Juventude, Ministério Público, Defensoria Pública, psicólogos e outros especialistas, somando mais de 120 pessoas no público.
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Diretor do Case NH, Eloi Spohr destacou a importância de mostrar à comunidade o trabalho desenvolvido na instituição. “Muita gente ainda enxerga o Case como um ‘cadeião’. Mas a socioeducação envolve diferentes frentes. Lá dentro, os adolescentes têm oficinas, robótica, aprendem ensinos técnicos. Como se fosse uma escola técnica. Esses adolescentes estão lá para serem ressocializados”, explicou.
Atualmente, o Case NH atende 68 adolescentes dos Vales do Sinos, Paranhana, Caí e Serra. “Nós precisamos divulgar para a sociedade, para mostrar que a comunidade também faz parte dessa ressocialização. A sociedade é responsável por ajudar nesse processo, para que esses adolescentes não voltem à criminalidade”, acrescentou Spohr. O Case NH ainda esteve representado no seminário pela agente socioeducativa Yasmin Vitória Vieira.
Reinserção
A juíza da Vara da Infância e Juventude de Novo Hamburgo, Angela Martini, palestrou sobre “As Audiências Concentradas e a Importância da Participação da Rede de Atendimento”, e ressaltou a importância do engajamento de outros órgãos.
“É essencial que a gente consiga, num evento como esse, explicar para a rede de atendimento o quanto é importante ela estar envolvida. Porque esse adolescente não vai ficar no Case por muito tempo. Ele vai voltar para a sua comunidade. E precisamos debater como recolocá-lo naquele ambiente que eventualmente ele tenha cometido ato infracional, mas que ele consiga ser reacolhido”, destacou.
Já o promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude, Valdoir Bernardi de Farias, falou sobre a atuação do Ministério Público na avaliação das medidas aplicadas aos adolescentes. “Quanto mais grave o ato, me parece que maior o tempo de trabalho para ressocializar esse adolescente e reinseri-lo na sociedade.”
Ele reforçou a relevância da atuação técnica da equipe do Case. “A internação tem o objetivo de inserir gradativamente o adolescente na sociedade. E para isso, as equipes técnicas do Case precisam fazer um trabalho criterioso, para que a gente consiga evitar a reincidência e que esse adolescente volte a ser internado por outro ato infracional”, completou.