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Série inspirada em streamer de Novo Hamburgo retrata conflito entre pais e filhos sobre carreiras digitais

Produção gravada na região aborda falta de apoio familiar e tem participação de Leonardo Biazon, o Poderoso Bagual, que hoje mora em Sapiranga

Dário Gonçalves
Publicado em: 09/02/2026 às 18h:52 Última atualização: 09/02/2026 às 18h:52
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Entre câmeras, celulares, transmissões ao vivo madrugada adentro e pais que ainda defendem a estabilidade da carteira assinada, a série Fragmentos do Cotidiano – o que o chat não vê nasce de um conflito cada vez mais comum dentro das gerações brasileiras: o sonho de jovens em viver da internet, mas com uma família que não entende isso como trabalho.

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Gaúcho de Novo Hamburgo, "Poderoso Bagual" é um dos maiores streamers do Brasil | abc+



Gaúcho de Novo Hamburgo, “Poderoso Bagual” é um dos maiores streamers do Brasil

Foto: Cine Criadores

Inspirada na trajetória do streamer Leonardo Biazon, o Poderoso Bagual, de 33 anos, natural de Novo Hamburgo e atualmente morador de Sapiranga, a produção independente começou a ser gravada neste ano e deve estrear em maio. Parte das cenas recentes foi registrada em Sapiranga e Porto Alegre.

Produzida pelo Cine Criadores, com produção executiva de Fabiano Biazon e Mateus Ahlert, a série reúne um elenco formado por dez atores. Além de artistas gaúchos, há participações de intérpretes de São Paulo e do Rio de Janeiro, e até a presença remota de uma atriz dos Estados Unidos em uma cena realizada por chamada de vídeo, reforçando a proposta de retratar a dinâmica contemporânea das relações digitais.

Fatos reais

Em Fragmentos, o personagem Enzo sonha em se tornar streamer, mas enfrenta resistência da família, que insiste em um caminho “tradicional”, com faculdade e emprego formal. A história dialoga diretamente com o que o próprio Biazon viveu.

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“Essa série surgiu inspirada no que eu passei. Tudo o que é mostrado nela aconteceu comigo, mas de uma forma pior”, relata o streamer. “Em 2019 comecei a fazer lives de jogos, queria me tornar streamer, mas faltava apoio. Minha mãe não acreditava e por muito tempo passei por várias dificuldades. Faltou o que comer e fui despejado porque não tinha dinheiro para pagar o aluguel”, relembra.

Antes de se tornar o streamer mais visto do Rio Grande do Sul em seu segmento (GTA RP) e viver exclusivamente da internet, Biazon trabalhou como motorista de aplicativo, entre outras funções. Durante meses, transmitiu sem retorno financeiro algum. “Muitas pessoas começam, mas não continuam devido às dificuldades, porque não tem salário imediato. Fiz isso por três meses sem qualquer tipo de recompensa. A partir dos seis meses, a coisa engrenou.”



Hoje, ele soma mais de 2 milhões de seguidores, transmite de segunda à sexta-feira, das 18h às 2h, com média de 5 a 6 mil espectadores simultâneos — já tendo alcançado pico de 37 mil pessoas assistindo ao mesmo tempo. Em 2023, realizou 365 transmissões de 10 horas seguidas em 365 dias. “Hoje essa é a minha profissão. Sustento minha família com as lives”, afirma.

O choque entre gerações

Para o diretor Rodrigo Castelhano, a série dialoga com uma transição histórica vivida principalmente por quem passou dos 40 anos. “Essa série fala de conflitos de gerações. A minha pegou a era analógica e viveu a transição para o digital. Comecei fazendo cinema com película, VHS… hoje faço filme com celular em 8K. Esse aparelho virou meu escritório: compro, vendo, publico, interajo com o mundo através dele”, explica.

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Segundo ele, a rapidez das transformações — intensificadas pela pandemia — ampliou o distanciamento entre pais e filhos. “Pessoas mais velhas não conseguem se adaptar ou entender. E aí vem o conflito”, afirma.

Na narrativa, a trajetória do personagem Enzo é inspirada justamente na figura do Poderoso Bagual, tratado como referência para jovens que enxergam no streaming uma profissão possível. “Hoje vemos jovens fazendo filmes pelo telefone e ganhando prêmios. Eles têm uma capacidade muito grande de ser digitais”, observa o diretor.

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Castelhano também traz a própria experiência como pai para a construção da história. “Eu vivi essa transição com as minhas filhas, principalmente a mais nova, de 19 anos. A internet sempre foi uma preocupação. A série mostra o que está acontecendo neste momento entre pais e filhos.”

Da dificuldade à profissão consolidada

A trajetória de Biazon ajuda a explicar o impacto social pretendido pela produção. Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, o streamer mobilizou sua audiência e arrecadou R$ 200 mil para auxílio às vítimas. “Eu mesmo fui aos mercados comprar o que era preciso e entregar às pessoas. Poderia ter arrecadado mais, mas a gente não consegue abraçar o mundo inteiro e eu não queria perder o controle.”

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Atualmente, Leonardo Biazon, o Poderoso Bagual, vive em Sapiranga | abc+



Atualmente, Leonardo Biazon, o Poderoso Bagual, vive em Sapiranga

Foto: Cine Criadores

Para ele, a série não romantiza o caminho, mas expõe a realidade. “Fala sobre acreditar no sonho, mesmo quando não há apoio dentro de casa.”

A primeira temporada foi gravada com cinco episódios, e o projeto já nasce com previsão de continuidade, podendo chegar a cinco temporadas para acompanhar a evolução dos personagens e ampliar o debate sobre escolhas profissionais, relações familiares, juventude, cultura digital e economia criativa.

O projeto está em fase de apresentação comercial para negociação de distribuição e licenciamento com plataformas de streaming.

Expedição Malte segue na estrada

Criada pelo cineasta Rodrigo Castelhano, a Expedição Malte é uma jornada pelas Américas a bordo do Fusca 1974, o “De Niro”, que une estrada, cultura cervejeira e audiovisual. Desde 2023, ele percorre o continente registrando histórias humanas por trás da produção artesanal de cerveja — material que dará origem ao documentário Expedição Malte: A Cerveja do Novo Mundo, que agora também será transformado em uma série de seis episódios.

Neste momento, Castelhano deixou De Niro em Natal/RN para dirigir Fragmentos, mas já tem data para retomar o trajeto. “A Expedição Malte está em plena atividade, só dei essa pausa para gravar a série. Como uma das principais dificuldades é a parte financeira, eu não posso me dar ao luxo de não trabalhar”, afirma.



O reencontro com o De Niro ocorre nesta semana. Após manutenções, o roteiro segue por Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo e Paraná, com encerramento da etapa brasileira em Guarapuava (PR), cidade natal do cineasta e sede da maior maltaria do país. Em abril, quando completa dois anos na estrada, ele participará de um congresso internacional cervejeiro no município, onde exibirá um teaser da produção. Depois, parte por Foz do Iguaçu rumo ao Alasca, dando continuidade ao trajeto em direção ao norte do continente.

A previsão é permanecer viajando até 2027, com lançamento do documentário e da série projetado para 2028, após o retorno dos Estados Unidos.

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