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O FIM DE UMA ERA

Símbolo de uma outra era, orelhões vão deixar as ruas

Gerações se despedem do antigo telefone público, já raro e inoperante

Publicado em: 25/02/2026 às 09h:53 Última atualização: 25/02/2026 às 09h:53
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Um equipamento que para alguns traz boas lembranças, vínculos passados e uma antiga – mas amplamente consumida – forma de comunicação, para outros representa um item que poderia ser explorado em um museu, seja pela curiosidade ou pelas décadas que já não é mais utilizado. Isso porque os telefones públicos, popularmente chamados de orelhões, devem ser recolhidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) até 2028.

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Marcos Lara, motorista de caminhão de Novo Hamburgo | abc+



Marcos Lara, motorista de caminhão de Novo Hamburgo

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

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De acordo com a autarquia, cerca de 38 mil aparelhos continuam espalhados pelo Brasil. A retirada começa neste ano. Em dezembro de 2025, foram encerradas as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis, incluindo o Rio Grande do Sul. A remoção não será imediata, mas com o equipamento cada vez menos encontrado nos espaços públicos, a comunidade já sente falta

Morador de Novo Hamburgo, o motorista de caminhão Marcos Lara, 59 anos, recorda das tantas situações em que recorria ao orelhão. “Quando a gente precisava ligar para alguém, para um parente de mais longe, ou até mesmo para uma empresa, para saber de um emprego, a gente usava bastante o orelhão”, afirma. Ele ainda lembra que teve uma época em que as fichas eram semelhantes às de mesas de sinuca. Depois disso, chegaram os cartões.

Recordações

Na dinâmica de uso, os clientes elaboravam estratégias para manter o papo em dia com familiares e amigos. E não era só para fazer a ligação. Recebia também. “A gente conseguia o número daquele orelhão e falava com a pessoa que tinha telefone fixo na época. A pessoa ligava para aquele orelhão e a gente atendia. Às vezes, tinha que esperar em uma fila, demorava, a gente dava uma brincada, desligava o telefone daquela pessoa se era conhecida e seguia o barco”, descontrai.

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Funcionalidade mesmo no tempo dos smarts

Se por um lado pessoas da Geração X puderam passar horas interagindo pelo orelhão e guardam na memória lembranças de um tempo em que a telefonia móvel era futuro, há adolescentes da Geração Z que gostariam da permanência do equipamento para eventuais necessidades.

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É o caso de Ritiele Thiesen, 18 anos, para quem a ideia de um aparelho com a mesma funcionalidade do orelhão seria de muita utilidade no momento em que a pessoa ficasse sem bateria no celular ou tivesse outros problemas para se comunicar. “Nem sempre a gente está com o carregador na bolsa, eu normalmente não ando com o meu carregador”, declara.

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A estudante cresceu com a facilidade do celular na palma do mão. O smartphone não serve apenas como um meio de comunicação, mas também de lazer. “Sempre está na mão, às vezes nem conversando, mas lendo um livro, utilizando aplicativos, em redes sociais. Uso para passar o tempo”, relata.

Novas regras na telefonia fixa

Também em desuso, a telefonia fixa está com novas regras. A Anatel deu início à implementação de um novo modelo para as áreas locais. A medida reduz de 4.118 para 67 o número de áreas locais, que passam a seguir os limites dos códigos de Discagem Direta à Distância (DDD). Com isso, ligações realizadas entre municípios que compartilham o mesmo DDD passam a ser tarifadas como chamadas locais, o que pode reduzir custos. A implantação gradual deve ser concluída em junho.

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