Trazer visibilidade e representatividade para as religiões de matriz africana. Este é o objetivo do projeto Território Afrosagrado, do jornalista, fotógrafo e mestre em Processos e Manifestações Culturais pela Universidade Feevale, Leonardo Rosa, em parceria com a Imago Produtora.

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial
A ação está entre os cinco selecionados que representarão o Rio Grande do Sul na Expo Favela Brasil 2025, evento nacional que ocorre nos dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo, no Expo Center Norte.
O trabalho mapeou 88 casas de religião de matriz africana em Novo Hamburgo, além de representá-las em 21 fotos que já estiveram em exposições pelo Rio Grande do Sul.
A classificação ocorreu no evento Expo Favela RS, que reuniu 174 empreendedores e também premiou o vencedor com um cheque de R$ 10 mil.
“A Expo Favela é um evento muito potente, que eleva o potencial das periferias, dos afroempreendedores e dos empreendedores que residem nas zonas periféricas do Brasil. Então, estar no Expo Favela representando o Novo Hamburgo e ficar entre os cinco melhores foi uma grata surpresa”, comenta Rosa.
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“Conquistar esse destaque foi muito importante. Acho que a gente, de certa forma, acaba demarcando memórias, histórias de um povo que sempre teve a sua história invisibilizada no Rio Grande do Sul. O povo negro sempre ficou à margem da história”, acrescenta.
A partir da premiação e de leis de incentivo, Leonardo Rosa pretende ampliar o mapeamento das casas de religião africana para todo o Rio Grande do Sul. “Nós já estamos realizando esse mapeamento em Campo Bom e o nosso objetivo no projeto é demarcar todos os 497 municípios do Rio Grande do Sul.”
Questões de visibilidade e pertencimento permeiam a pesquisa
“Novo Hamburgo é tradicionalmente conhecida como a capital nacional do calçado, mas há historicamente também o ocultamento da história do povo negro da cidade. E o Território Afro-Sagrado vem justamente para dar visibilidade e pertencimento à questão da contribuição sócio-cultural e religiosa do povo negro”, destaca Rosa.
“Nós temos um clube social negro mais antigo que a cidade de Novo Hamburgo, e não somente em Novo Hamburgo, onde a cultura germânica prepondera, mas em outros lugares do Grande do Sul, a história do negro é invisibilizada”, continua.
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A produtora executiva do projeto e esposa de Leonardo, Vitória Marques, comenta que a ação contribui com o combate ao racismo e à intolerância religiosa. “Assim a gente mostra o que de fato é a religião, não aquele misticismo que tem de que o exu é do diabo e que orixá vem para a Terra para fazer maldade. A gente cultua energias que a gente não pode tocar, mas pode sentir. E quando sente, é um amor e uma alegria enormes.”
Leonardo afirma que a ideia de realizar o mapeamento surgiu há dez anos. “Sou fotojornalista há mais de 15 anos e em 2015 eu já fotografava a minha linha de pesquisa em memória, identidade e visibilidade do negro. E a minha linha de pesquisa sempre foi essa”, explica.
“A fotografia documental dos povos de terreiro surge lá naquele projeto do Cidade da Fé em 2015 já, essa inquietação de dar destaque e valorização ao povo negro”, segue.