O que as profissões de advogado e escritor têm em comum? Muitos podem estar respondendo mentalmente: nada. Já o hamburguense Henrique Schneider discorda.
Aos 62 anos, lançou um novo livro, chamado de A Memória das Rosas. Além disso, continua atuando como advogado de entidades sindicais, profissão que se dedica há mais de 30 anos. “Divido a condição de escritor com a condição de advogado. Elas se completam.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Schneider salienta que escrever não pode ser considerado um passatempo. “Tenho necessidade de escrever. A literatura é essencial para mim.” O primeiro livro, Pedro Bruxo, foi lançado em 1984. “Trata-se de uma novela curta.”
Depois foi a vez do lançamento da obra O Grito dos Mudos, vencedor do Prêmio Maurício Rosenblatt na categoria Romance. De lá para cá, perdeu as contas da quantidade de livros publicados. “São cerca de 10”, afirma.
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Os prêmios não pararam por aí, afinal, Schneider conquistou o Prêmio Paraná de Literatura com o livro “Setenta”, traduzido inclusive para outros idiomas. “É uma vitória enorme quando o livro é publicado fora do Brasil.” A obra foi publicada na Itália, Egito e Indonésia.
Para manter a rotina, o autor explica que apesar de não escrever todos os dias, tenta entrar na condição de escritor diariamente. “É preciso muito trabalho, muita disciplina. Demanda um tempo até entrar nessa condição [de escritor]. Agora mesmo, não estou escrevendo nenhuma história, mas já estou pensando na próxima.”
Escritor do interior
Mesmo com prêmios na estante e reconhecimento no mundo literário, Henrique Schneider se considera um escritor do interior, como o mesmo se denomina. “Sempre fui um escritor do interior. Estou fora dos eixos literários mais fortes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e até Porto Alegre.”
Ainda assim, faz parte de uma agência e já publicou por diversas editoras, como a Dublinense e L&PM. “Tenho e-books disponíveis, audiolivros.” Sua presença já está garantida na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorre entre os dias 31 de outubro e 16 de novembro na capital.
Ficção e imaginação
A nova obra, Memória das Rosas, aborda o despertar da sexualidade de uma jovem, recém-chegada uma cidade conservadora. Publicado pela editora L&PM, o lançamento em Novo Hamburgo ocorre neste sábado (25), no Hay Café (Avenida Dr.Mauricio Cardoso, 1001), a partir das 17 horas.
O romance de 167 páginas é ambientado na década de 1920, em uma vila com colonização alemã. Questionado sobre a semelhança com Novo Hamburgo, Schneider diz que não coloca um nome no local. “Não, não é Novo Hamburgo. O morador daqui vai se identificar, mas quem mora em Ivoti, São Leopoldo, Dois Irmãos, também vai encontrar semelhanças.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Mesmo sem dar nome, a história ficcional se passa no Rio Grande do Sul. “Alguns elementos nos levam para uma região próxima de Porto Alegre.”
Segundo o autor, a protagonista é corajosa e delicada ao mesmo tempo. “É importante que a literatura dê elementos para o leitor, mas não todos. Costumo dizer que escrevo 70% do livro, o restante fica por conta da imaginação de quem está lendo”, completa.
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