Dois projetos desenvolvidos por alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) São Leopoldo conquistaram reconhecimento internacional na última semana.
As iniciativas Cloth Wood e Smart Totem receberam medalhas nas feiras Genius Olympiad 2025, nos Estados Unidos, e Infomatrix Iberoamericana 2025, no México.
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Foto: Divulgação
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Nos EUA
Na Genius Olympiad, realizada no Rochester Institute of Technology (RIT), em Nova Iorque, de 9 a 13 de junho, o estudante Henrique Pisaroglo, de 18 anos, do curso técnico de Automação Industrial do Senai São Leopoldo, conquistou a medalha de bronze na área de Ciências (Ciências, Qualidade e Meio Ambiente), com o projeto Cloth Wood.
A proposta transforma resíduos têxteis, como náilon e poliéster, em uma nova matéria-prima com aplicações semelhantes à madeira, voltada para indústria de móveis, ferramentas e construção civil.
“O sentimento é de missão cumprida, de dever cumprido, pela dedicação ao projeto durante os dois anos que fizemos esse trabalho”, disse o estudante, que esteve na feira acompanhado de seu orientador, professor Fernando Silveira de Aguiar. Ambos já haviam ganhado menção honrosa em março, no Festival Internacional de Engenharia, Ciência e Tecnologia (I-Fest²), na Tunísia, com o mesmo projeto.
“Estou saindo do ciclo de projetos, e isso foi a recompensação de todo trabalho que eu e o professor Fernando tivemos nesse tempo”, destacou.
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No México
Já em Guadalajara, no México, o projeto Smart Totem, criado por Arthur Maycá da Silva, aluno do curso técnico de Internet das Coisas no Senai São Leopoldo, foi premiado com a medalha de prata na categoria Divulgação Científica na Infomatrix Iberoamericana, realizada de 11 a 14 de junho.
A solução consiste em um equipamento de triagem autônoma capaz de otimizar o atendimento nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo uma triagem rápida e acessível por meio de sensores integrados e interface interativa.
“Me senti muito feliz, porque é um trabalho que viemos desenvolvendo há muito tempo. Foi muito gratificante essa premiação e muito importante pra gente”, colocou Arthur, que esteve na feira acompanhado de seu orientador, professor Alexandre Silveira de Paula.
O evento também marcou a primeira viagem do aluno para fora do Brasil. “Foi incrível! Conheci outras culturas, pude conversar com pessoas de outros países”, salientou.
Ambos os estudantes fazem parte do Núcleo de Projetos do Senai São Leopoldo.
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Foto: Divulgação/Senai
Tecidos descartados que podem virar até móveis
Criador do Cloth Wood, Henrique Pisaroglo explica o que contempla a proposta, que transforma resíduos têxteis em nova matéria-prima para a indústria, com aplicações semelhantes às da madeira. “O projeto utiliza tecidos descartados, compostos principalmente por materiais como náilon e poliéster. Esses resíduos são triturados e combinados com resina epóxi, gerando um compósito que pode ser usado na produção de peças como cabos de ferramentas ou até móveis”. Segundo ele, o material apresenta resistência e versatilidade para diferentes aplicações e pode contribuir significativamente com o setor produtivo.
A primeira aplicação prática foi o cabo de uma chave de fenda. Testes de impacto e compressão realizados no Instituto de Inovação em Metalmecânica demonstraram que o material é mais resistente do que a madeira tradicional e pode ser utilizado para usinagem, fresagem, furação e rosqueamento. Para a feira nos Estados Unidos, Henrique levou uma cadeira feita a partir do compósito. “É uma forma de transformar um problema ambiental em solução industrial, com custo acessível e alta durabilidade”, completa.

Foto: Divulgação/Senai
Triagem autônoma para agilizar atendimentos de saúde
Já o Smart Totem, desenvolvido por Arthur Maycá da Silva, é um equipamento de triagem autônoma projetado para agilizar o atendimento nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “Falta mão de obra nas UPAs. O totem pode ajudar, oferecendo uma triagem rápida, eficiente e acessível”, afirma. Com sensores de temperatura, pressão arterial, batimentos cardíacos e oxigenação, além de uma tela interativa, o dispositivo realiza uma triagem automatizada, mede os sinais vitais e gera um relatório técnico com a classificação de prioridade do atendimento.
O custo estimado da solução varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil. “O mais caro é a tela, cujo preço varia conforme o tamanho e a resolução”, justifica. Além da atual conquista, o projeto foi 2º lugar na Milset Brasil (categoria Saúde), 3º lugar na avaliação técnica do Ficiências e 4º na Febrace.