Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que a cada 90 segundos uma pessoa morre no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. Somente em 2025, até esta terça-feira (23), mais de 293 mil óbitos já foram registrados por esta causa no País, de acordo com o Cardiômetro, indicador criado pela SBC.
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Segundo a entidade, as doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação, representam a principal causa de mortes no Brasil. A SBC estima que, ao final deste ano, quase 400 mil brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação.
Porém, muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas. É por isso, e celebrando o Dia do Coração (comemorado em 29 de setembro), que existe a campanha Setembro Vermelho, mês de mobilização para conscientizar sobre a saúde do coração.
Trio da mortalidade cardiovascular

Foto: Arquivo pessoal
“Quando falamos em mortalidade cardiovascular, estamos falando do trio: infarto, AVC (o popular derrame) e morte súbita. São essas três manifestações, só que eu sempre falo que esses três são consequências de uma condição que começa bem antes, que é a obstrução cardiovascular”, iniciou o cardiologista e atual coordenador do Departamento de Emergência e Pronto Socorro do Hospital Centenário, Nery Antonio de Matos Junior.
O especialista destaca que, conforme dados do DataSUS do Ministério da Saúde, as internações por infarto em São Leopoldo giram em torno de 300 a 350 por ano. Desse total, o número de óbitos anuais fica entre 40 a 70. As internações por AVC vão de 380 e 480, resultando de 60 a 80 óbitos por ano. Já os registros de morte súbita são de 20 a 35 anuais.
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Fatores de risco e a importância do check-up
Conforme a assessoria de comunicação do Hospital Centenário, em 2025, 343 atendimentos por conta de doenças cardiovasculares já foram realizados no local. No ano passado inteiro, foram 457.
“Importante dizer que metade das pessoas que já tiveram um infarto, nunca sentiram nada na vida antes. Ou seja, do ponto de vista vascular, não ter sintoma não quer dizer que ela esteja livre de risco”, ponderou Nery, salientando que a prevenção é fundamental para detectar e prever riscos.
“A partir dos 40 anos é recomendado avaliação e check-up. Temos que começar a planejar nosso envelhecimento saudável, porque assim se consegue prever. Tem coisas que podem aumentar os riscos, como sedentarismo, obesidade, tabagismo, hipertensão, diabetes e colesterol. Mapeando esses fatores de risco, temos como prever o risco futuro”, argumentou.
“Naquelas famílias onde há genética de doença precoce, o ideal é essa avaliação ser feita mais cedo na vida, até mesmo na adolescência. Se recomenda que aos 25 anos todo mundo saiba o seu colesterol, por exemplo”, disse o cardiologista, salientando que o check-up não precisa ser feito primeiramente por um especialista, mas pode-se buscar um médico de família.
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Falhar o tratamento também prejudica os pacientes
Nery também lembrou que falhar o tratamento também prejudica os pacientes. “Infelizmente, a gente vê muitos casos que poderiam ter sido evitados, porque tem muitas pessoas com diagnóstico, principalmente de diabetes e hipertensão, ou que tem colesterol alto, mas não seguem o tratamento ou não fazem o acompanhamento adequado com o médico”, explicou. “Muitas vezes, os pacientes chegam com os exames feitos, com receitas médicas, mas a pressão não estava controlada. Quer dizer, são oportunidades de prevenção que, na verdade, foram perdidas”.
“Costumo comparar o risco de infarto, derrame e morte súbita com o risco de acidentes. Porque o risco zero não existe pra ninguém, mas se você pega a estrada com air bag, pneus bons, usando cinto de segurança, em velocidade normal, por exemplo, o risco é menor. O mesmo vale para a prevenção cardiovascular: quando a gente fala em prevenção, está falando de atitudes para diminuir o risco.”
Atendimentos na rede básica leopoldense
De acordo com relatório divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsad) de São Leopoldo, na rede básica de saúde municipal, que inclui os postos de saúde da cidade, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) foi a segunda maior condição avaliada nas unidades durante o primeiro quadrimestre de 2025, com 17.633 atendimentos individuais. Em 5º lugar, no mesmo período, ficou o Diabetes Mellitus (DM), outra condição de risco, com 6.555 atendimentos.
Conforme o relatório do segundo quadrimestre do ano, divulgado nesta terça-feira (23) pela Semsad, o HAS passou para terceiro no lugar entre as maiores condições avaliadas nas unidades entre maio e agosto, com 17.396 atendimentos individuais. A Diabetes continua em 5º lugar, com 6.198.
Os dados nos hospitais na região
Segundo a assessoria de comunicação do Hospital Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, dos 41 mil atendimentos realizados de janeiro a agosto deste ano no local, 1.488 foram por motivos cardíacos: infarto agudo do miocárdio ou hipertensão – o que representa uma média de 186 pacientes em um universo 5 mil atendimentos mensais.
Já no Hospital São Camilo, de Esteio, conforme assessoria de comunicação, de janeiro a setembro deste ano, foram: 179 atendimentos relacionados a doenças cardíacas na emergência, sem necessidade de internação; 123 internações de pacientes cardiológicos; e 340 pacientes avaliados por cardiologistas. Além disso, foram 38 cateterismos (CATs) realizados entre janeiro e agosto no local.
Cardiômetro
Conforme o Cardiômetro criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, no Brasil:
– são mais de 1.100 mortes por dia relacionadas a doenças cardiovasculares;
– cerca de 46 por hora,
– uma morte a cada 1,5 minutos (90 segundos).
– as doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos;
– 2,3 vezes mais que todas as causas externas (acidentes e violência);
– 3 vezes mais que as doenças respiratórias e;
– 6,5 vezes mais que todas as infecções, incluindo a AIDS.