Em meio à reconstrução que ainda marca o cotidiano do Rio Grande do Sul após as enchentes históricas de 2024, a Paróquia Nossa Senhora Medianeira, no bairro Vicentina, em São Leopoldo, prepara uma celebração especial de Corpus Christi. Mais do que manter uma tradição, a data se tornou um símbolo de retomada para a comunidade e para o novo pároco, padre Eric Pozzobon dos Santos, que assumiu a igreja em dezembro do ano passado, justamente após o momento mais delicado da história recente da região.

Foto: Arquivo pessoal
A mobilização para a montagem dos tapetes começou nos dias que antecedem a celebração, marcada para esta quinta-feira (19). Cerca de 700 quilos de serragem foram doados pela Madeireira Adrianna, e os pigmentos usados para tingi-la vieram da Paróquia de Canela.
Foram oito cores ao todo, preparadas com o trabalho voluntário de jovens da paróquia e integrantes do grupo Onda. O próprio padre Eric pegou no pesado, ajudando a tingir a serragem que dará vida aos desenhos espalhados pela rua.
Diante da magnitude da celebração, o padre explica o verdadeiro sentido do Corpus Christi, que vai muito além da beleza dos tapetes.
“A festa de Corpus Christi é uma forma de nós darmos uma honra a mais a Nosso Senhor. Por que a gente enfeita a rua com tapetes ou decora o interior da igreja? Porque é para que Nosso Senhor passe por ali. A gente quer deixar bonito para que Jesus passe. O centro do Corpus Christi não é o tapete — é a Eucaristia”, disse.
O sacerdote reforça que o tapete, por mais tradicional e bonito que seja, é apenas um caminho. O foco da celebração está em algo muito maior.
“O tapete é um meio, um símbolo. É para a Eucaristia que a gente adorna tudo. Porque o que é a Eucaristia? É o próprio Jesus. É o corpo e o sangue Dele. Nós acreditamos nisso: é a presença real de Cristo aqui na Terra”, falou.
Neste ano, o Corpus Christi carrega ainda o peso simbólico de ser a primeira celebração da data após a tragédia climática que assolou a cidade. A água passou dos três metros dentro da igreja, e os danos foram extensos. Mesmo assim, a comunidade se mantém firme, reconstruindo com fé e trabalho coletivo.

Foto: Arquivo pessoal
“É o primeiro Corpus Christi após as enchentes, então vai ter todo um significado para nós. É um momento de reconstrução para a comunidade e para nós aqui também. Aqui na igreja a água passou dos 3 metros, então estragou muita coisa. Mesmo assim, estamos nos reerguendo, e esse momento no Corpus Christi também representa isso”, afirmou.
A confecção dos tapetes começa às 5 horas da manhã de quinta-feira. Às 10 horas, será celebrada a missa de Corpus Christi, seguida de uma carreata pelas ruas do bairro, se o tempo permitir. Em caso de mau tempo, os tapetes serão confeccionados dentro da igreja.