Enquanto por aqui milhares de devotos externam sua fé em Padre Reus todos os anos – não apenas na romaria, mas na Sexta-feira Santa, por exemplo, e outras tantas datas –, no Vaticano, o processo de beatificação do pároco jesuíta segue sendo analisado na Cúria Geral da Companhia de Jesus, que fica próximo à Praça São Pedro.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
O pedido pela beatificação iniciou ainda na década de 50, pouco tempo depois da morte de Reus, e, atualmente, o processo está sendo conduzido por um “triângulo” formado por um postulador e um relator, que ficam em Roma, e o colaborador externo da Causa de Reus, em São Leopoldo, padre Inácio Spohr.
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP
“Fator muito positivo”
Entre tantos registros que integram o processo, a devoção popular observada por meio das romarias e das visitas ao Santuário Sagrado Coração de Jesus contribuem, sim, para a beatificação, confirma padre Inácio. “Uma das coisas que ajuda muito para continuar o processo é o fato de que a devoção está viva, que o povo continua rezando, participando de missa, se confessando, e que vem visitar o túmulo, vem na procissão. É algo que mostra que a coisa não está perdida. Se, por exemplo, ninguém viesse ao túmulo, poderiam questionar pra quê fazer todo um movimento, um trabalho, se no final não tem correspondência, aceitação. Mas está de pé e isso é um fator muito positivo”, explicou.
“Uma coisa é o processo canônico, pra mostrar a vida dele, virtudes e etc. Outra coisa, então, é essa parte da devoção popular, e claro que isso ajuda”, ponderou o colaborador, lembrando que avisa o Vaticano todos os anos sobre a romaria e outras atividades no santuário.
“Lá em Roma eles também sabem que a Sexta-feira Santa é o dia de maior movimento (em 2025, segundo estimativa, a data levou cerca de 50 mil pessoas ao santuário), e isso tudo de forma espontânea, não se faz propaganda. E acontece há muitos anos: na década de 60 começou essa procissão na Sexta-feira Santa”, destacou padre Inácio.
LEIA TAMBÉM: Tributo a Cazuza e covers de Stones e Beatles estão entre as atrações do Sesc+Rock Solidário
Cerca de 100 testemunhas
O complexo processo de beatificação de Padre Reus que tramita no Vaticano conta com diversos documentos, escritos, trechos de seu diário, livros sobre o padre, além de sua biografia, que está sendo elaborada pela professora e historiadora Ângela Molin. Atualmente, conforme padre Inácio, ela trabalha na parte do contexto histórico.
Ele ressalta ainda que, em geral, a biografia tem como fontes basicamente a autobiografia e outras duas biografias feitas sobre Reus. O processo conta ainda com os depoimentos de cerca de 100 testemunhas.
Padre Inácio comentou também que o postulador geral da Companhia de Jesus, Pascual Cebollada, deu retorno sobre o que já foi enviado. “Então, isso está sendo considerado. Pelo que percebi, está bem encaminhado. Tem que fazer as devidas correções, sempre tem, pois tem que ser tudo muito exato. É um trabalho científico, nesse sentido muito minucioso.”
VEJA AINDA: Sempa contabiliza mais de 2,2 mil atendimentos e 208 adoções no semestre
19ª Romaria ocorre neste domingo
Neste domingo (13), ocorre a 19ª Romaria do Padre Reus, com concentração a partir das 9 horas, na Praça Tiradentes, em frente à Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Igreja Matriz), no Centro de São Leopoldo. A procissão até o Santuário do Sagrado Coração de Jesus – onde está o túmulo de Padre Reus –, começa às 9h30.
Na chegada ao local, prevista para as 11 horas, haverá missa, presidida pelo Bispo Dom João Francisco Salm.