Será lançado às 18 horas de terça-feira (14), no Teatro Municipal de São Leopoldo, o documentário Memórias que a água não levou: Escolas – abrigo nas enchentes no RS (2024), coordenado pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul, José Edimar de Souza.
O trabalho audiovisual é resultado da pesquisa Histórias da Escola: Modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos, vinculado ainda ao subprojeto orientado na pesquisa de pós-doutorado de Elisângela Cândido da Silva Dewes.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP E RECEBA MAIS NOTÍCIAS

Foto: Divulgação
Ao todo, 35 entrevistas compõem o documentário, todas com pessoas que se envolveram direta ou indiretamente com os abrigos em escolas, como nas cidades de Canoas, Porto Alegre, Estância Velha e Novo Hamburgo. Aqui em São Leopoldo, os personagens que aparecem na gravação têm ligação com a Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmitt, com a EMEF Professora Maria Gusmão Brito e com a EMEF Professor João Carlos Von Hohendorff.
“Foi a oportunidade que se apresentou naquele período para as pessoas reorganizarem suas vidas, recuperarem a autoestima e resgatarem a capacidade resiliente de sobrevivência em meio ao caos”, ressaltou o professor.
LEIA TAMBÉM: Fé e devoção pelas ruas: 20ª edição da Romaria do Padre Reus ocorre neste domingo
Memórias da reconstrução
O documentário foi produzido nos últimos dois anos e registra algumas das histórias de pessoas que estiveram nas escolas ou como abrigados ou como voluntários. Conforme dados da Defesa Civil Estadual, as enchentes de maio de 2024 impactaram diretamente a vida de 6 milhões de moradores de 478 dos 497 municípios gaúchos. Dessas, pelo menos 80 mil, ficaram em abrigos públicos como ginásios e prédios escolares, por semanas ou até meses.
No filme, estudantes, professores e demais integrantes das comunidades escolares relatam as experiências vividas durante a calamidade. Além das entrevistas, a produção reúne cartas escritas por estudantes voluntários, que registram suas percepções e vivências ao longo desse período.
“Trabalhar com essas memórias foi, ao mesmo tempo, um grande privilégio e uma enorme responsabilidade. Cada entrevista nos colocou diante de histórias de perdas, medo, esperança e solidariedade que ainda permanecem muito vivas. O maior desafio foi acolher essas narrativas com a sensibilidade que elas exigiam”, afirmou a pesquisadora Elisângela Cândido da Silva Dewes, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS, responsável pelo roteiro e editoração do documentário.
“Recordar também pode significar reviver momentos profundamente dolorosos. Preservar essas memórias é uma forma de reconhecer a experiência dessas pessoas, valorizar o papel das escolas na proteção das comunidades e garantir que o que foi vivido nos ajude a compreender e elaborar estratégias futuras”, destaca.