A seccional de São Leopoldo do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) realizou fiscalização no Hospital Centenário, por conta das escalas de médicos anestesistas do local.

Foto: Romeu Finato/Prefeitura de São Leopoldo/ARQUIVO
A ação aconteceu na manhã da sexta-feira (26), após alerta de plantões excessivos, incluindo anestesistas cumprindo escalas de 36 horas, além de escalas incompletas da especialidade e problema ligados à rotatividade decorrente da terceirização dos profissionais.
O delegado seccional do Cremers leopoldense, Carlos Arpini, e a médica fiscal do Departamento de Fiscalização (Defis) do Conselho, Luiza Volpatto, foram recebidos pelo diretor técnico do hospital, Breno Milman, e pelo presidente da instituição, Diego Silveira.
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Falta profissionais para cirurgias eletivas
Conforme Arpini, a fiscalização foi motivada após relato de que um anestesista já estava há 24 horas no plantão da casa de saúde e o colega que o substituiria não teria ido trabalhar, o que aumentaria seu tempo de atuação no local. Após conversar com gestores, foi constatado que a escala do setor de Emergência está completa, mas o problema está nas cirurgias eletivas. Arpini destacou que na Emergência é necessário que haja um anestesista à disposição do bloco cirúrgico para atendimento de cirurgia geral, obstetrícia e de neurocirurgia 24 horas por dia.
“Não houve furo na escala da Emergência, o que seria muito grave. A questão são as eletivas, que estariam, momentaneamente limitadas até essa semana, segundo o Hospital, quando aí sim seria regularizada”, explicou o delegado.
Contratação
Arpini disse ainda que recomendou a gradativa extinção dos contratos chamados PJ (Pessoa Jurídica) dentro do hospital. “O Conselho orienta que os hospitais deem preferência à contratação por concurso público ou processo seletivo simplificado, o que fortalece o vínculo dos profissionais com a instituição”. Segundo o delegado, a direção do hospital se mostrou receptiva à recomendação e disse que já iniciou as tratativas para regularizar a situação. “Vamos fazer outra fiscalização a curto prazo para verificar se há indícios de que houve encaminhamento”, comentou.
O Cremers salientou que a terceirização dos serviços médicos é vista com preocupação pelo Conselho, pois pode fragilizar a situação jurídica dos profissionais e impactar negativamente o atendimento. “Problemas como alta rotatividade, escalas incompletas e falta de responsabilidade direta dos gestores resultam em aumento do tempo de espera, sobrecarga dos profissionais e queda na qualidade da assistência à população”, acrescentou, por nota, a entidade.
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Paciente teve cirurgia desmarcada quatro vezes
A manicure Carla de Oliveira, 44 anos, é uma das pacientes que aguarda um anestesista para conseguir realizar sua cirurgia no Centenário. Internada desde o dia 9 de setembro, ela já teve o procedimento de retirada da vesícula agendado quatro vezes, mas, em todas, não foi possível a realização por falta de médico anestesista.
Na última vez, na quarta-feira (24), Carla chegou a ser levada ao bloco cirúrgico. “Estava do lado do cirurgião e das enfermeiras, pronta, mas não tinha anestesista e desmarcaram de novo”, lamentou. “A gente conversa com outros pacientes e o meu caso é só um deles. Só na ala onde eu estou, são 4 pessoas aguardando procedimentos”, contou.
Problema será resolvido “ainda nessa semana”, informa hospital
A assessoria de comunicação do Hospital Centenário informou que está realizando o ajuste entre o fim do contrato e a contratação de nova empresa prestadora do serviço de anestesista. “Por este motivo, as escalas estão sendo desenvolvidas de forma a cobrir cirurgias de urgência e emergência”, alegou a casa de saúde. “Ainda nessa semana a produção retornará a pleno e de forma intensiva com vistas recuperar a demanda reprimida do período”, projetou o hospital.