A escritora de São Leopoldo Simone Cristina Reis, também professora, lança seu primeiro livro nesta quarta-feira (19). A obra, chamada Alice e o Unicórnio Encantado, terá seu lançamento a partir das 19h30 na Livraria Livros e Cia do Bourbon Shopping, na Avenida Nações Unidas, 2001, no bairro Rio Branco, de Novo Hamburgo.
Em uma ação pré-lançamento, a escritora realizou uma contação de histórias para uma turma de 20 crianças nesta terça-feira (18) na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Orestes João Stragliotto, no bairro Santos Dumont, de São Leopoldo. A atividade foi realizada na companhia do músico, ator e compositor Gilnei Lucas, responsável pela trilha sonora da história.
Representatividade
Simone, que atua como gestora do Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Nerer) do Centro Municipal de Educação Inclusiva Paulo Freire da Secretaria Municipal de Educação de São Leopoldo (Smed), inspirou-se em suas sobrinhas, Beatriz Reis Mattos, de 10 anos, e Alice da Rosa Conceição, 19, para criar uma história recheada de fantasia e representatividade.
“Pensei em fazer uma obra em que as crianças se vejam representadas, porque vemos poucos livros com uma família afrobrasileira representada, feliz, alegre, com afeto. Então me inspirei nessa história do meu irmão, da minha cunhada e dos meus sobrinhos”, afirma Simone Reis.
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“E no livro, coloquei elementos da cultura africana. Coloquei o turbante, o tambor, o berimbau, o agogô, a questão da representatividade nas bonecas negras, a menina troca de penteado…”, continua.
Papel da literatura infantil no desenvolvimento das crianças
A escritora relata que escolheu se tornar escritora a partir do trabalho que realizava no Nerer, da Smed, e também nas bibliotecas escolares. “Eu escrevia artigos voltados para as relações étnico-raciais, mas sempre em nível acadêmico, refletindo sobre a prática dessas relações em sala de aula. E eu sempre analisava, fazia curadoria de livros para as escolas, então de tanto ficar olhando a literatura, fiquei pensando ‘por que eu não escrevo também?'”.
Para Simone, a literatura infantil tem um papel crucial no desenvolvimento da autoestima de crianças negras. “Na educação infantil, é fundamental a representatividade para a criança, porque é ali que ela está formando seus valores, sua identidade e a identidade étnica é uma delas. Traz uma sensação de pertencimento à escola, ao ambiente educador. E para as crianças que não são negras, essa literatura fortalece o respeito pela cultura e pelo outro.”

Foto: Amanda Krohn/Especial
Música e fantasia
Simone Cristina Reis conta que trabalhou na estruturação de histórias durante dois meses. “O livro ficou pronto em dezembro, mas a editora acreditou que seria melhor fazer o lançamento em março, quando haveria mais movimento. Então fiquei pensando em fazer música para estar interagindo com as crianças e fizemos seis canções”, afirma.
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Tanto para a escritora como para o músico Gilnei, a música torna o momento de contação mais divertido para o público. “A criança se sente parte desse mundo, ela fica motivada, fica animada e ajuda no desenvolvimento da motricidade dela também, com essa brincadeira e essa troca de afeto da música”, diz Simone. “E a música cria um clima mágico na contação também, prende a atenção, ilustra de alguma maneira e traz uma emoção”, completa o músico.