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SÃO LEOPOLDO

Evento na Praça dos Correios dá visibilidade e integra pessoas em situação de rua

Encontro Vozes da Rua foi alusivo ao Dia Nacional de Luta da População de Rua e contou com oficinas, música, arte, esporte, entre outras atividades

Priscila Carvalho
Publicado em: 21/08/2025 às 10h:45 Última atualização: 21/08/2025 às 10h:54
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Arte, música, esporte e integração marcaram o Encontro Vozes da Rua nesta quarta-feira (20), na Praça dos Correios, em São Leopoldo. A ação, alusiva ao Dia Nacional de Luta da População de Rua, celebrado na terça-feira (19), foi organizada pelo programa RuAção do Círculo Operário Leopoldense (COL).

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No Encontro Vozes da Rua, promovido pelo COL, oficina de serigrafia foi uma das atrações



No Encontro Vozes da Rua, promovido pelo COL, oficina de serigrafia foi uma das atrações

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Mobilizador social do programa, Jean Cardoso explica que a comemoração pelo dia 19 acontece em todo Brasil, com várias mobilizações que visam dar visibilidade ao tema.

“Porque é um dia de celebração, mas também um dia de luta. Ele foi marcado pela tragédia de uma chacina, em 2004, na Praça da Sé, onde foram mortas sete pessoas em situação de rua. A partir dali, os movimentos sociais, as organizações, começaram a se mobilizar para que esse dia seja, de fato, um dia que as pessoas deem visibilidade às pessoas em situação de rua”, explicou, destacando que o dia foi instituído pela lei federal nº 15.187, assinada no último dia 4 de agosto.

Conforme o COL, os últimos dados atualizados do CADÚnico, de 2024, apontam que 337 pessoas vivem em situação de rua em São Leopoldo.

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Inclusão

Cardoso lembrou que evento já havia sido realizado no ano passado em São Leopoldo, dando voz à população de rua, por isso, o nome da ação. “Porque a gente entende também que a única coisa que, de fato, é da população de rua é a voz. Ela não tem casa, não tem roupa. A voz é o único meio que eles podem expressar, através da arte, da organização do espaço, através dessa parceria, junto com a rede”, destacou. “Tudo que queremos é sempre incluir a população de rua, tanto na organização, como nos processos de direito.”

Rede

O evento contou com as parcerias do Consultório na Rua, do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD), da Secretaria de Assistência Social (SAS) e da República, local onde pessoas em situação de rua podem pernoitar.

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“Enfim, tem uma rede para que se possa trabalhar um pouco essa consciência também com a população de rua, entendendo que são sujeitos de direito, e podem usar os espaços públicos na cidade, como as praças”, disse Cardoso.

Secretária-adjunta da SAS, Patrícia Giacomini falou sobre a parceria junto ao COL para atendimento às pessoas em situação de rua. “Eles têm sido nossos parceiros na abordagem, no cuidado, no trabalho digno, na oferta de espaço de escuta de qualidade”, iniciou. “E como ontem (na terça-feira) tivemos a inauguração do novo Centro Pop, sugerimos fazer esse evento hoje (quarta-feira), para que o público pudesse prestigiar os dois momentos. E o COL fez com maestria”, complementou. 

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Oficina de serigrafia foi uma das atrações

Uma das atividades oferecidas aos participantes do evento foi a oficina de serigrafia. Psicóloga do CAPS AD, Vanessa Manzke Souza ressaltou que lá já existe um grupo de serigrafia e que a ideia foi mostrar a arte para mais pessoas.

“A gente ensina eles a fazer serigrafia artesanal. Hoje, a gente quis fazer uma oficina pra quem não conhece e também quem não é do CAPS, para os outros também verem como é, se interessarem. Também é uma forma de geração de renda, porque a gente pretende que eles possam trabalhar com isso, se quiserem”, comentou a psicóloga do CAPS AD, Vanessa Manzke Souza.

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O encontro contou ainda com Unidade Móvel de Vacinação, almoço e, à tarde, com jogo festivo do time Meio Pulmão, formado por moradores da República.



Olhar especial para que sejam protagonistas

Cardoso salientou que, em São Leopoldo, o COL também constituiu o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento para a Política da População de Rua Nacional. Segundo ele, o órgão foi implementado através de um decreto municipal, sendo paritário, composto metade por integrantes do governo e metade por membros da sociedade civil, onde a população de rua pode falar o que, de fato, precisa.

O mobilizador observou ainda que o encontro também tem a ideia de motivar que a sociedade olhe pessoas em situação de rua de forma vertical, olho no olho. “Esse processo que está aqui é pra isso, é pra que as pessoas consigam se olhar, olho no olho, e parem de passar por cima olhando de jeito horizontal, vendo apenas eles deitados. Eles podem ser protagonistas do processo também”.

Depois de três anos morando na rua, Mauro Nunes da Silva Filho, 24 anos, começou a frequentar a República e participar das ações do CAPS AD, como a oficina de serigrafia. Para ele, eventos como o Vozes da Rua são essenciais. “Poder confraternizar com os amigos, ajuda um monte.”

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Equipe do Consultório na Rua presente na ação

Entre as equipes que acompanharam o encontro, estava a do Consultório na Rua, serviço de atenção primária do SUS, que atende exclusivamente pessoas em situação de rua em todo o município de São Leopoldo.

“Nós realizamos buscas no território, então, o nosso atendimento acontece no espaço da rua. Nós não temos um espaço específico, a ideia é que a gente chegue até essas pessoas. Mas o nosso trabalho também acontece em parceria com outros serviços da rede, da assistência social, Centro Pop, com as unidades de saúde, com os CAPS. Então, as equipes também entram em contato conosco para que a gente possa compartilhar esse cuidado”, explicou a psicóloga da equipe, Vitória Scussiato Jaeger.

Junto da psicóloga, a equipe é formada por assistente social, técnica de enfermagem, enfermeira e o motorista. “Além do atendimento voltado para a parte clínica, nós também temos atendimentos psicossociais. Nosso trabalho é compartilhado, então, a gente tem contato com diferentes serviços”, completou Vitória.

 

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