Quase três anos após ser uma das eleitas para representar a maior festa do município, a leopoldense Chaiane Pipper Alves, 28 anos, agora vive uma história diferente, de luta e esperança.
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Segunda princesa da São Leopoldo Fest em 2023, há cerca de um ano Chaiane enfrenta um câncer, que tem chances maiores de cura se tratado aliando quimioterapia a uma imunoterapia moderna. Os custos dessa medicação, porém, são altos e não cobertos pelo SUS. Por isso, ela criou uma vaquinha on-line e corre contra o tempo para conseguir o remédio, antes do próximo ciclo de quimios, em julho.
Chaiane Pipper Alves, 28 anos, foi segunda princesa da São Leopoldo Fest 2023
Foto: Arquivo pessoal
Linfoma de Hodgkin refratário primário
Chaiane conta que, em maio do ano passado, começou a sentir dor no ombro diariamente, que depois veio acompanhada de muito cansaço e crises de tosse. Ao passar a mão no ombro para fazer uma massagem, ela sentiu uma “bolinha” e procurou um posto de saúde. Orientada pelo médico, fez ecografia, que apontou quatro linfonodos aumentados, e exames de sangue, que vieram com alterações.
Por sugestão do médico, ela marcou um infectologista, que pediu uma biópsia e indicou o diagnóstico. “É um Linfoma de Hodgkin refratário primário, que não respondeu adequadamente ao tratamento inicial”, resumiu a jovem, relatando que, no dia 30 de setembro de 2025, após passar mal, foi internada no Hospital Conceição, em Porto Alegre. Naquele momento, a doença já estava bem avançada e o tratamento foi iniciado imediatamente.
Chaiane Pipper Alves enfrenta um Linfoma de Hodgkin
Foto: Arquivo pessoal
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“Realizei 12 sessões de quimioterapia, que terminaram no dia 6 de março, mas infelizmente não foi o suficiente para a doença entrar em remissão”, lamentou. Em abril, um exame de imagem constatou que, além de não entrar em remissão, o câncer estava em outros locais do corpo também.
“Voltei para o hospital para iniciar o novo tratamento, mas, no dia 17 de maio, tive que ser internada por conta dos sintomas do câncer e do derrame pleural”, acrescentou a jovem, que recebeu alta nesta quarta-feira (17) e atualmente está morando com o noivo, em Sapiranga. “Agora revezo entre São Leopoldo e Sapiranga, pois, quando estou ruim, fico na minha mãe, em São Leopoldo, que saiu do trabalho para me acompanhar no hospital.”
Esperança e mobilização
Apesar das dificuldades, uma nova chance surgiu e mobiliza a jovem, seus familiares e amigos. “Segundo avaliação médica, minhas chances de cura apenas com a quimioterapia convencional são extremamente baixas. Mas existe uma esperança real. O pembrolizumabe é uma imunoterapia moderna utilizada em pacientes com Linfoma de Hodgkin refratário ou recidivado”, descreveu Chaiane, comentando os resultados positivos adquiridos em estudos clínicos.
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“Meu câncer é chamado como refratário, e ele está resistente à quimio. Esse medicamento faz com que o câncer se torne mais vulnerável à quimioterapia, o que aumenta muito as chances de cura. É o que tem de mais moderno em relação a essa doença, mas infelizmente o SUS ainda não fornece”, ressalta.
A família de Chaiane já entrou com pedido judicial para fornecimento do remédio, mas não há garantia de que a Justiça o conceda e, mesmo que o faça, o acesso pode não ser imediato.
A jovem explica que deve tomar o remédio junto com a sessão de quimioterapia, cujo próximo ciclo inicia na semana que vem.
Segundo ela, uma dose de pembrolizumabe, disponível à pronta-entrega, custa R$ 43.800. Além da dose inicial, serão necessários mais três ciclos do medicamento. “Esses ciclos serão adquiridos por meio de importação, com custo total estimado de R$ 90 mil”, coloca.
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Devido à urgência, uma vaquinha online foi criada buscando arrecadar R$ 133.800, valor necessário para garantir as quatro doses da medicação recomendadas pela equipe médica antes do transplante de medula. A primeira dose já foi conseguida, a busca agora é pela próxima, que deve acompanhar a sessão de quimioterapia em julho.
“Estamos mobilizando esta campanha porque o tempo é um fator decisivo. Cada dia pode fazer diferença para que eu tenha acesso ao tratamento no momento certo e chegue ao transplante com as melhores chances possíveis. Qualquer valor faz diferença”, destaca Chaiane.