A Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo (Semsad) fez um levantamento que aponta que, em média, neste ano 16,26% dos pacientes que tinham consultas marcadas na rede pública, não compareceram.
Para a pesquisa, foram considerados os dados das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Estratégias de Saúde da Família (ESF) e serviços especializados da rede municipal, incluindo o Centro Médico Capilé, Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Serviço de Assistência Especializada (SAE), Serviço Especializado em Tuberculose, CAS TEAColhe, entre outros serviços vinculados à rede municipal de saúde.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP E RECEBA MAIS NOTÍCIAS

Foto: Romeu Finato/Prefeitura de São Leopoldo
Conforme a pasta, os percentuais gerais da rede, mês a mês, apresentam o seguinte comportamento: novembro de 2025 – 15,57%; dezembro de 2025 – 17,19%; janeiro – 14,53%; fevereiro – 15,40%; março – 16,85%; e abril 17,96%.
Os dados demonstram que as faltas representam um desafio para a organização e operacionalização da rede pública municipal de saúde, tendo impacto direto na gestão das agendas assistenciais, no aproveitamento da capacidade instalada dos serviços, na utilização racional dos recursos públicos disponíveis e no acesso oportuno da população às consultas, procedimentos e acompanhamentos especializados.
Causa das faltas
De acordo com a secretária de Saúde, Iara Cardoso, a pasta não consegue apontar uma causa principal para as faltas, pois os motivos que levam um paciente a não comparecer a uma consulta ou procedimento são de caráter individual e variam de caso para caso.
“Questões como compromissos pessoais, dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, trabalho ou outros imprevistos podem influenciar a ausência, o que torna inviável um mapeamento preciso e padronizado das causas. O que a Secretaria acompanha são os índices de absenteísmo e seus impactos na organização da rede de saúde”, destaca a secretária.
Iara explicou que a Secretaria de Saúde vem desenvolvendo ações permanentes para reduzir as faltas, sendo elas monitoramento sistemático dos indicadores de absenteísmo por unidade e serviço; acompanhamento periódico das agendas e dos fluxos de atendimento; reorganização e qualificação das agendas das equipes de saúde; fortalecimento dos mecanismos de confirmação prévia de consultas e procedimentos; ampliação do contato com os usuários por meio das equipes das unidades e dos agentes comunitários de Saúde; e o fortalecimento das estratégias de acolhimento e vínculo entre equipes e usuários.
El Niño: Ministério da Saúde lança plano para enfrentar fenômeno e mudanças climáticas
Unidades e áreas mais afetadas
Conforme a secretária Iara Cardoso, as faltas impactam toda a rede municipal de saúde, mas ocorrem principalmente nas consultas com especialistas. Como esses atendimentos costumam ter alta demanda e exigem encaminhamento prévio, a ausência do paciente sem aviso acaba gerando um impacto ainda maior, deixando horários ociosos e impedindo que outras pessoas que aguardam na fila sejam atendidas.
“Por isso, o absenteísmo nas especialidades é um dos principais desafios para a ampliação do acesso e a redução do tempo de espera por consulta na rede municipal”, ressaltou Iara.
De acordo com a Semsad, nos últimos seis meses, a unidade de saúde que mais apresentou faltas nas consultas foi a ESF Parque Mauá, com 28,09%; seguido pela UBS Vicentina, com 24,73%; SAE Tuberculose, com 21,89%; SAE Assistência Especializada, com 20,77%; ESF Rio dos Sinos, com 20,68%; CEO – Especialidades Odontológicas, com 20,60%.
Segundo Iara, quem está esperando por uma consulta com especialista sabe o quanto uma vaga é importante, e quando uma pessoa falta sem avisar, não é apenas uma consulta perdida, é uma oportunidade negada a outro cidadão que está aguardando atendimento. “A Prefeitura tem feito sua parte, ampliando a oferta de consultas, organizando as agendas e buscando reduzir as filas, mas esse esforço precisa ser acompanhado de responsabilidade por parte da população.”
“O SUS é um patrimônio de todos nós e deve ser tratado com respeito. Se o paciente não puder comparecer, basta avisar. Um simples cancelamento pode permitir que outra pessoa seja atendida. Cuidar da saúde pública também é compreender que cada vaga desperdiçada representa alguém que continua esperando”, afirmou Iara.
Como cancelar
Iara explicou que quando o usuário não puder comparecer a uma consulta ou procedimento agendado, a orientação é que informe a ausência o quanto antes para a vaga possa ser disponibilizada a outro paciente. No caso das consultas na Atenção Primária, o cancelamento deve ser realizado por telefone, diretamente com a UBS de referência. “Já para consultas e procedimentos especializados, o cancelamento pode ser feito, preferencialmente com pelo menos um dia de antecedência, por meio do ZAP da Saúde, pelo telefone (51) 99557-8541.”