Pouco mais de um ano após a enchente histórica de maio de 2024, a comunidade do bairro Campina volta a lidar com os transtornos causados pela chuva persistente. Ainda em meio ao trauma causado pelas inundações do ano passado, alguns moradores já deixaram suas casas, enquanto outros tentam proteger alguns itens durante esta quarta-feira (18), movidos pelo medo de reviver as perdas.
O aposentado Olando Eifert, de 68 anos, mora no bairro Campina há mais de 15 anos e perdeu tudo em 2024. Ao se deparar com as ruas em suas imediações alagadas, suas memórias o levaram a se preparar o máximo possível.

Foto: Amanda Krohn/Especial
“Eu deixei todas as minhas roupas empacotadas lá porque eu não sei o que fazer. Eu perdi o que eu tinha [em 2024], foi horrível. Dessa vez separei pelo menos as roupas para não ficar sem nada, porque ano passado eu saí só com a roupa do corpo, fiquei trinta e poucos dias fora, na minha casa não se via o telhado…”, diz.
Moradora da Campina há 27 anos, a comerciante Roseli Graff, 48, também sente a apreensão tomar conta. “Eu tenho a minha loja, não consegui abrir, tirei hoje as minhas coisas de caminhão, porque no ano passado eu perdi tudo. Prejuízo total, da minha casa, da minha loja… tudo. E a gente não tem reembolso de nada”, desabafa. “A gente paga imposto, dava para a gente ter um retorno melhor”, completa.
Rio dos Sinos chega a nível de atenção
De acordo com o sistema de hidrotelemetria da Agência Nacional das Águas (ANA), foram 103,8 milímetros (mm) de precipitação de chuva nas últimas 24h, conforme registro das 19h15 desta quarta-feira (18). No mesmo horário, o nível do Rio dos Sinos era de 3,63 metros, apresentando uma variação de três centímetros em relação à última hora.
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Com base no Plano de Contingência do município, o nível é de Atenção. Com isso, as áreas não protegidas por diques passam a ser monitoradas intensivamente. Se as chuvas persistirem, houver indícios de elevação e o Sinos atingir 4,30 metros, a prefeitura afirma que será emitido um alerta para as ruas da Praia e das Camélias.
No cenário em que o rio atinja 4,50 metros, deverá ser colocado em prática o Nível 2 do plano. As primeiras ações consistem em emissões de alertas, idas a locais atingidos e verificação da necessidade de evacuação em áreas da cidade.

Prefeitura mantém ações de contenção pelo município
Em entrevista reportagem do Jornal VS durante visita aos moradores do bairro Campina, o prefeito Heliomar Franco afirma que a prefeitura está acompanhando a evolução das chuvas e dos alagamentos na cidade. “Ontem à noite já instalamos uma nova bomba no bairro Vicentina, que retira água do arroio antes de chegar no Arroio João Corrêa e larga diretamente no Rio dos Sinos”, relata.
“Não foi o suficiente, hoje levamos mais uma bomba submersa na Vicentina, que ficou com duas bombas submersas mais 6 bombas na Casa de Bombas da João Corrêa”, prossegue.
No bairro Campina, o prefeito Heliomar afirma que a prefeitura instalou uma bomba submersa. “Temos hoje três bombas submersas funcionando, e mais uma bomba tradicional, daquelas antigas, que também recalca água para o Rio dos Sinos”, explica. “O volume de água influenciou muito nesses alagamentos pontuais pela cidade, e aproveitamos para verificar as necessidades da cidade para que ela possa ficar imune a esses alagamentos”, continua.
Referente aos desafios enfrentados para remover móveis e estofados que ficaram presos nas casas de bombas, o prefeito Heliomar anunciou que está sendo realizada a licitação de equipamentos para auxiliar nessas remoções.
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“Além de conscientizar a população, estamos licitando um equipamento separador desses materiais que se acumulam nas casas de bombas. Será um sistema automatizado que vai retirar esse lixo ali da frente, e também estamos licitando bombas anfíbias na João Corrêa, onde há um problema de acúmulo de lixo”, afirmou, acrescentando que a iniciativa está em fase de apresentação de propostas para análise de valores. A estimativa, segundo o prefeito, é que o equipamento já esteja operando até o final do ano.
Telefones para pedidos de ajuda
Em caso de situações de risco, a população pode entrar em contato pelos telefones: (51) 2200-0633, 153, 156, ou o whatsapp exclusivo para casos de alagamentos (51) 99314-3966. Além disso, a Secretaria de Assistência Social (SAS) já atua na organização de abrigos, conforme material da prefeitura, disponibilizando o telefone (51) 99314-3966 para pedidos de ajuda.
Para eventuais dificuldades no descarte de móveis e estofados nos ecopontos do município, o prefeito Heliomar Franco recomenda que a população entre em contato com a prefeitura por meio da Ouvidoria (telefone 156) ou organize-se junto a associações de bairros. “Temos o máximo de interesse também em recolher este material, o que não pode é as pessoas deixarem isso espalhado pelas ruas, o que fatalmente acabará entupindo as casas de bombas.”
Situação das bombas em São Leopoldo
Casa de Bombas da João Corrêa – 6 funcionando + 2 anfíbias
Casa de Bombas Cerquinha – 2 bombas funcionando
Casa de Bombas da Campina – 2 funcionando / 3 anfíbias
Casa de Bombas da Santo Afonso – 2 anfíbias em pleno funcionamento