Fé, devoção e emoção marcaram o dia de visitação ao Santuário Sagrado Coração de Jesus, que recebe milhares de fiéis nesta Sexta-feira Santa (3). Desde as primeiras horas da manhã, a movimentação é intensa no local, onde está situado o túmulo de Padre Reus, em São Leopoldo.
A data mobiliza a vinda de fiéis de toda região, que costumam sair em procissão espontânea até o santuário. Para recebê-los, o local abriu as portas ainda de madrugada.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
Grupo saiu de Estância Velha às 3h40
Entre os tantos que fizeram a caminhada até o ponto, está o grupo em que Eliane Andrade da Mota, 47 anos, faz parte. Moradora de Estância Velha, ela e cerca de outras 30 pessoas da cidade e de Novo Hamburgo saíram às 3h40 e percorreram cerca de 18 quilômetros a pé até o santuário.
“É gratidão mesmo. Não vim pedir nada, vim para agradecer. Ano passado não pude vir, pois estava doente e precisei fazer uma cirurgia. Esse ano, graças a Deus, estou bem, não senti nada, consegui vir o caminho todo tranquila. Nem foi uma promessa, vim porque senti que deveria fazer isso, por gratidão”, reforçou ela, que faz parte da Paróquia Sagrada Família, no bairro Rincão dos Ilhéus.
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Integrantes do grupo de jovens da paróquia também participaram da jornada. “Vir com eles é uma experiência bem legal, diferente do normal, que são os encontros dos sábados”, disse a coordenadora do grupo, Júlia Nunes Rambo, de 15 anos, que fez a procissão pela segunda vez.
Professor de Educação Física, Matheus Nunes, 22 anos, participa do grupo há 11 anos e fez pela terceira vez a jornada até o santuário. “Começamos num grupo de 5 pessoas e nos últimos anos vem crescendo”, afirma, salientando que lembrar de Cristo na cruz é o que o motiva. “Se experimentarmos um pouquinho, o mínimo da dor que ele sentiu, talvez tenhamos um pouco mais de consciência na hora de fazer as coisas no mundo.”
Devota colocou mil rosas no túmulo de Padre Reus
Moradora do bairro Arroio da Manteiga, em São Leopoldo, a administradora de empresas Deise Camargo, 46 anos, costuma sempre ir ao santuário, especialmente às Sextas-feiras Santas. Desta vez, além de ir a pé, ela cumpriu uma promessa, colocando mil rosas brancas e vermelhas no túmulo de Padre Reus.
“Fiz uma promessa que se eu alcançasse uma graça até a Páscoa eu colocaria as rosas no túmulo. Eu consegui essa graça na última semana de março”, conta Deise, que saiu da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Sapucaia do Sul até o santuário, com as duas filhas e um casal de amigos. Ela, que já morou em Esteio, procura fazer a procissão até o santuário de lá ou de Sapucaia desde 2016, por isso. “Essa promessa eu tinha feito de vir da igreja do Centro de Sapucaia até aqui, para colocar as rosas”, relata.
“A gente não pode perder a fé em nenhum momento, principalmente depois da enchente. A rosa é simbólica: ela tem espinhos, mas, ao mesmo tempo, tem a beleza. É pra gente entender que a gente tem que passar os espinhos da vida, mas temos que acreditar na beleza”, explica a devota.
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Quase 10 km levando o irmão na cadeira de rodas
Geovanna Duarte, 27 anos, levou o irmão Emerson Duarte, 33 anos, para conhecer o santuário pela primeira vez nesta Sexta-feira Santa. Para tanto, os dois saíram em procissão, às 5h, com Geovanna empurrando a cadeira de rodas do irmão, do bairro Industrial, em Novo Hamburgo, até o santuário leopoldense, fazendo um percurso de quase 10 quilômetros.
No local, entre outros espaços, ele pode conhecer a cripta, onde costuma ficar a imagem de Jesus Cristo morto. Perguntados sobre o que os motivou a realizar a jornada, Emerson foi enfático: “A fé. O mundo está em guerra, é muito sangue”. A irmã completou. “É uma semana que nos lembra que foi por amor que Ele morreu por nós. E viemos rezar pela paz.”
Menina de 5 anos se emociona
A costumeira ida ao santuário que a moradora de São Leopoldo, Jéssica Maurina, 32 anos, faz com a família, ganhou a companhia da filha Helena, de 5 anos, desta vez. “A gente sempre vem. Na Sexta-feira Santa é um ritual que temos, é tradição minha e da minha família. Esse ano resolvi trazer ela, mostrar pra ela e pedir uma benção pra nossa família”, disse a mãe, que está a espera da segunda filha, Heloísa.
Depois de passarem pelo túmulo de Padre Reus e pela imagem de Jesus Cristo morto, uma cena chamou a atenção: as lágrimas no rosto da pequena Helena. “Ela se emocionou com o momento, perguntou porque Jesus tinha morrido. Eu expliquei que Ele morreu por nós e ela ficou muito emocionada”, destacou Jéssica, também deixando uma lágrima escorrer.
Vô e neto entram no santuário ajoelhados
Geraldo Vogel, de 67 anos, e o neto João Vitor, de 10, entraram no santuário ajoelhados e abraçados na manhã desta sexta. A esposa de Geraldo e avó do menino, Margarete Vogel, 55, conta que a família vem de Bom Princípio, todos os anos na Sexta-feira Santa, para cumprir uma promessa pela saúde de João Vitor, que teve problemas respiratórios quando pequeno. “Fiz essa promessa por ele e venho cumprir todo o ano, até que eu não consiga mais. Deus nos faz muita coisa, a gente pode fazer uma vez. É uma vez por ano, é uma coisa simples”, avalia Geraldo.
Encenação da Via Sacra foi feita por crianças
Um dos destaques desta Sexta-feira Santa foi a encenação da Via Sacra, feita por crianças e adolescentes que fazem parte da Missa com Crianças.
A atividade ocorreu pela manhã e lotou a igreja do santuário. Fiéis acompanharam, emocionados, a encenação da última ceia junto aos apóstolos, passando pelo julgamento de Jesus Cristo, sua condenação, crucificação e ressurreição. Ao final, a representação foi aplaudida de pé por todos os presentes na igreja.
Missa de despedida
Neste domingo de Páscoa, 5 de abril, o padre Raimundo Resende celebrará oficialmente sua missa de despedida como reitor do santuário, às 16h30. Isso porque ele assumirá como reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, na cidade de Anchieta, no Espírito Santo, na metade de abril.
A missa será transmitida através do YouTube (PadreReussantuariodosagradocoracaodejesus) e Facebook (@padrereussantuariooficial).