Moradores do Residencial Villa Germânia, localizado no bairro Santos Dumont, realizaram uma manifestação às margens da BR-116, na sexta-feira (27), em São Leopoldo. O ato teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para a situação enfrentada pelos condôminos, que afirmam estar sendo cobrados por uma dívida milionária mesmo após efetuarem o pagamento regular das contas de água.

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O condomínio ganhou notoriedade após reportagens exclusivas do Grupo Sinos revelarem que o local havia sido tomado pelo tráfico de drogas, com registros de ameaças de morte contra moradores e episódios ligados à atuação de uma facção criminosa com presença no Vale do Sinos.
Segundo o advogado que representa o condomínio, Eduardo Henrique Silva, os moradores mantinham o pagamento das taxas em dia. No entanto, conforme ele, a antiga administração — que estaria sob influência do grupo criminoso — não realizava o repasse dos valores ao Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae).
“Os condôminos pagaram regularmente suas contas. O problema ocorreu porque os recursos não eram encaminhados ao Semae pela gestão anterior, o que acabou gerando essa dívida que hoje recai novamente sobre os moradores”, afirmou o advogado.
De acordo com os manifestantes, o sentimento é de dupla penalização: primeiro pelos problemas de segurança enfrentados durante o período em que o condomínio esteve dominado pelo crime organizado e, agora, pela cobrança da dívida acumulada, estimada em aproximadamente R$ 5 milhões.
Durante o protesto, os moradores bloquearam parcialmente um dos lados da rodovia por cerca de uma hora, em mobilização previamente comunicada aos órgãos competentes. O objetivo, segundo eles, foi dar visibilidade ao caso e pressionar por uma solução administrativa que evite novos prejuízos financeiros às famílias.
Negociação da dívida
Em nota, o Semae informou que realizou negociação junto à nova administração do condomínio. Conforme a autarquia, foi apresentada uma proposta considerada viável para o pagamento do débito.
“O Semae ofereceu uma condição viável de pagamento aos condôminos. Diante da aceitação da proposta, foi firmado termo de reconhecimento e parcelamento da dívida. Foi registrado o pagamento da entrada do parcelamento e as demais parcelas ainda estão dentro do vencimento”, informou o órgão.
Apesar do acordo firmado, moradores afirmam que seguem buscando garantias de que não serão responsabilizados individualmente por valores que, segundo eles, já haviam sido quitados anteriormente.
Novas mobilizações não estão descartadas
Após a manifestação na BR-116, os condôminos informaram que avaliam a realização de novos atos nos próximos dias, incluindo uma mobilização em frente à prefeitura, com o objetivo de cobrar acompanhamento do poder público e medidas que assegurem uma solução definitiva para o caso.
O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal sobre as demandas apresentadas pelos moradores.