A taxa de mortalidade infantil em São Leopoldo voltou a crescer e foi a 13,79 mortes a cada 100 mil habitantes em 2025, acima da meta do Estado que é 9,5, conforme o 32.º Boletim Socioeconômico Trimestral, apresentado na Câmara de Vereadores na sexta-feira (22) pelo economista Marcos Tadeu Lélis, coordenador do Grupo de Pesquisa Competitividade e Economia Internacional da Unisinos. O tema desta edição do Boletim foi a Saúde.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP E RECEBA MAIS NOTÍCIAS
O Boletim, iniciativa da Associação Comercial, Industrial e de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo (Acist-SL), mostrou que, em 2024, a taxa de mortalidade infantil era de 10,98 e, em 2023, chegou a 13,84. A taxa de mortalidade infantil representa o número de crianças que morreram antes de completar um ano a cada mil crianças nascidas vivas no período de um ano.

Foto: Divulgação
Leve redução já em 2026
Na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e de 2025, no entanto, nota-se redução nas taxas de São Leopoldo. Nos primeiros três meses de 2026 a taxa ficou em 6,6, contra 7,4 no mesmo período de 2025.
Conforme Lélis, que apresentou ainda outros dados, a Saúde precisa melhorar a prevenção para melhorar os indicadores.
Segundo o economista, na área da saúde materno-infantil, o pré-natal, cujas mães de nascidos vivos fizeram sete ou mais consultas durante a gestação, é ligado diretamente ao indicador taxa de mortalidade. Embora São Leopoldo tenha apresentado aumento de 4,3 pontos percentuais na cobertura da taxa em destaque frente ao ano de 2024, alcançando 78,7%, o maior valor da série histórica do município, continua com taxa menor em relação a municípios como Novo Hamburgo, Canoas e Gravataí. Em 2022 era 71,4%; em 2023, 73,9%; em 2024, 74,4%.
Retomada do PIM
Conforme a assessora de Planejamento da Secretaria de Saúde, Luise Peter da Silva, representando a secretária Iara Cardoso, no painel de debate após a apresentação do Boletim Socieconômico, o Município atua na qualificação da saúde e para melhorar os índices na saúde materno-infantil foi retomado, em março de 2025, o programa Primeira Infância Melhor (PIM). Luise também observou que o Município cresceu na cobertura de atenção na saúde primária, passando de 59% para 66,8%. A meta é chegar a 80%.
A construção de novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), segundo ela, deve contribuir para este aumento. Atualmente, o Município conta com 27 UBSs. Luise citou a construção da UBS Central e da UBS Vila Elza (obra parada – leia ao lado). A obra da UBS Central, na Rua Emília Meyer, no bairro Fião, recebe investimento de R$ 2,6 milhões e alcançou 31% de execução. Os trabalhos iniciaram em 3 de setembro de 2025 e a previsão da Secretaria da Saúde é concluir a obra até dezembro deste ano.
Ampliando debate e transparência
A proposta de apresentar o Boletim, em audiência pública, na Câmara, é iniciativa do vereador Daniel Daudt. O objetivo fortalecer a transparência, ampliar a participação social e promover o diálogo entre o setor produtivo, a sociedade civil, a comunidade acadêmica, o setor científico, empreendedores, parlamentares. De acordo com o presidente da Acist-SL, Filipe Schuck, com a apresentação no Legislativo “se consegue ampliar o alcance dos dados e o debate.” A mediação do painel foi da vice-presidente de Serviços da Acist-SL, Roberta Wobeto.
LEIA TAMBÉM: El Niño começa a se formar e coloca o RS novamente sob alerta para chuva excessiva
Obra de UBS paralisada e à espera de licitação
Já a obra da UBS Vila Elza, orçada em R$ 2,5 milhões, está temporariamente paralisada após a empresa responsável abandonar a execução dos trabalhos. O contrato com a empresa foi rescindido pelo Município após os descumprimentos identificados na execução da obra. De acordo com a Secretaria de Saúde, a segunda colocada no processo licitatório foi chamada, mas não demonstrou interesse em assumir a continuidade da construção, fazendo com que a licitação fosse considerada frustrada. Atualmente, a obra da UBS Vila Elza possui 6% de execução e a Prefeitura trabalha agora na abertura de um novo processo licitatório para garantir a retomada da obra. A previsão é de que a conclusão ocorra em até 12 meses após a assinatura do novo contrato.
Saúde mental com mais leitos no Centenário
O Boletim Socioeconômico Trimestral com o tema Saúde também apontou dados da saúde mental. Segundo o levantamento, houve crescimento constante no número de internações relacionadas a saúde mental, em São Leopoldo no período de 2021 a 2025, com taxa de crescimento média anual de 54,4%. O principal diagnostico das internações no Município, em 2025, foi “Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos” que representou 10,4% das internações relacionadas à saúde mental.
Qualificação
O presidente da Fundação Hospital Centenário, Diego Cardoso da Silveira – que também foi painelista na apresentação do Boletim -, diz que a casa de saúde vem atuando no sentido de qualificar os serviços.
Na área de saúde mental está ampliando os leitos de 6 para 11, sendo que passará a ter separação de espaço de atendimento de saúde mental exclusivo, um para adulto, outra para adolescente, e outro infantil. Os espaços estão passando por reformas.
A enfermeira Vania Celina Dezoti Micheletti, doutora em Ciências Pneumológicas, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública da Unisinos, representando a decana da Escola de Saúde da Unisinos, Denise Zaffari, defendeu a prevenção também na área da saúde mental, o trabalho da rede psicossocial com o paciente. “A atenção primária também é fundamental na questão da saúde mental”, ressaltou.