O crescimento do número de leitos ocupados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Centenário, em São Leopoldo, com pessoas que sofrem acidentes de trânsito, acende um alerta para a quantidade de ocorrências na região.

Foto: Romeu Finato/Prefeitura de São Leopoldo/ARQUIVO
Na comparação de agosto de 2024 e o mesmo mês em 2025, a quantidade de casos de acidentes oriundos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) subiu de 14 para 23, um aumento de 64,29%.
A casa de saúde conta, no total, com 16 leitos na UTI Adulto e 10 na UTI Neonatal. Na terça-feira (2), o hospital informou que cinco leitos da UTI Adulto estavam ocupados por pacientes que sofreram lesões graves e atropelamentos, equivalendo a quase um terço da capacidade da unidade.
Sobrecarga
De acordo com o presidente do hospital, Diego Silveira, essa estatística se reflete na logística de atendimentos do hospital. “Os traumas nos preocupam porque, nesses casos, o tempo de permanência é maior e, com certeza, repercute na nossa linha de atendimento. Se há 16 leitos e todos estão ocupados, temos que organizar a nossa gestão, porque nós mantemos as portas abertas”, pontua.
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Diego Silveira também comenta que os dados são divulgados com o objetivo de promover o comportamento consciente no trânsito. “É preciso conscientizar as pessoas sobre a importância da atenção no trânsito, de evitar o uso de celular no volante, tomar cuidado ao atravessar a rua”, defende.
O presidente afirma ainda que, desde o início da gestão atual da Prefeitura, que defende o atendimento humanizado na área da saúde, discute-se com o Estado a possibilidade de ampliação na estrutura do hospital ou no número de leitos.
“A questão não é apenas ampliar leitos, mas também ter profissionais para atender a essa demanda. Mas as negociações estão bem avançadas e as novidades poderão ser anunciadas ainda no exercício de 2025”, anuncia, sem mencionar datas ou o que será divulgado.
Guarda Municipal promove ações preventivas
A diretora interina de trânsito da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Leopoldo, Lízia Bertuzzi, conta que as infrações mais frequentes no trânsito são o uso de celular e a situação de equipamentos veiculares, como faróis ou cintos de segurança, com defeito, sem uso ou inexistentes.
“O uso do celular é o mais frequente, não apenas no volante, por motoristas de carro, mas também por motociclistas, seja com o celular encaixado no guidão ou pilotando com uma mão e utilizando com outra”, afirma.
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De acordo com a diretora, a GCM realiza fiscalizações diariamente para combater infrações como essas e reduzir esses números. “Também realizamos palestras em escolas, empresas e em Centros de Formação de Condutores (CFCs) sobre o comportamento consciente no trânsito e a prevenção de acidentes”, completa.
Lízia Bertuzzi informa que, até esta segunda-feira (8), a GCM ainda trabalhava para elaborar, junto à Prefeitura de São Leopoldo, as ações da Semana Nacional de Trânsito, prevista para os dias 18 a 25 de setembro.
“A vida é mais urgente do que qualquer mensagem”
Além da Guarda Civil Municipal de São Leopoldo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) RS também está com sua campanha de prevenção. Com a frase “a vida é mais urgente do que qualquer mensagem”, o órgão chama atenção para o perigo do uso de celular no volante.
A campanha é veiculada na televisão aberta e fechada, rádios, Internet, mídia externa e cinema, e integra as ações de Setembro Amarelo, mês voltado à conscientização sobre o trânsito.
De acordo com o material divulgado pelo departamento, a iniciativa parte de um dado levantado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária: cerca de 30% dos sinistros de trânsito são originados pelo uso do dispositivo.
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Na visão da diretora institucional do Detran RS, Diza Gonzaga, a campanha é fundamental para a prevenção de acidentes graves. “Ela foi criada a partir da observação de que o celular, hoje em dia, está para o álcool há anos atrás. É um grande vilão. Muitas pessoas o usam enquanto dirigem, tentam conferir ‘uma mensagem rápida’, e é arriscado”, diz.
Diza comenta que ações como o Balada Segura, instituída no Rio Grande do Sul pela lei 13.963, de 30 de março de 2012, contribuíram para uma maior conscientização sobre os riscos de dirigir alcoolizado. “É feita toda noite e tem salvado vidas. Temos alertado de que o álcool e o volante são uma dupla perigosa e as pessoas têm ouvido.”