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SÃO LEOPOLDO

Paciente com tumor cerebral aguarda cirurgia urgente e família aciona a justiça; entenda

"Ela vai morrer na fila do SUS", preocupa-se filha da paciente internada no Hospital Centenário

Publicado em: 12/12/2024 às 19h:45 Última atualização: 13/12/2024 às 13h:36
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Uma paciente com tumor cerebral internada no Hospital Centenário, de São Leopoldo, aguarda, há mais de 20 dias, uma transferência hospitalar para remoção urgente do tumor chamado gliobastoma multiforme em asa de borboleta. O câncer no sistema nervoso central de Ângela Rodrigues, de 58 anos, é conhecido por ser altamente agressivo e possuir o maior índice de letalidade.

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Em desespero, a família entrou com processo judicial contra o município e a Secretaria Estadual de Saúde no dia 6 e, já no dia seguinte (7 de dezembro), a justiça concedeu o prazo de até cinco dias para a transferência e a cirurgia de remoção de tumor. Prazo esse que encerra nesta quinta-feira (12), no entanto, a família alega que não recebeu nenhum retorno.

Ângela Rodrigues estava bem até começar a apresentar os sintomas, logo antes da internação



Ângela Rodrigues estava bem até começar a apresentar os sintomas, logo antes da internação

Foto: Acervo pessoal/Ângela Rodrigues

“Ela vai morrer na fila do SUS”, desespera-se a filha, Letícia Vargas Rodrigues, de 35 anos, que deu início ao processo judicial e procurou a equipe de reportagem do Jornal VS em busca de ajuda. “É terrível, nós choramos todos os dias. Ela vem tendo piora e ninguém resolve a situação. ‘É uma doença terminal’, nos dizem. Já entendemos isso! Só queremos e entendo que temos o direito de usar todos os recursos disponíveis (cirurgia e quimioterapia) para que ela ainda tenha qualidade de vida”, continua.

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Letícia descreve, ainda, que a mãe não está mais lúcida. “Ela não está lúcida, não sabe o que está acontecendo, não sabe do diagnóstico. Decidimos não contar ainda para não agitar mais ela. Ela só sabe que teve um ‘probleminha’ na cabeça e que vai ter que fazer uma cirurgia”, relata. “Só pede para ir embora, que está cansada de ficar aqui. Isso nos corta o coração”, prossegue.

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Ainda conforme Letícia, os primeiros sinais apresentados por sua mãe foram incontinência urinária e fecal, no dia 9 de novembro. Menos de uma semana depois, no dia 15 de novembro, Ângela começou a sofrer com confusão mental. “Ela não falava nada com nada, mas era feriado. Na terça-feira (19/11), consegui encaixe para neurologista na Unimed. Na quinta (21/11), logo cedo ela estava muito confusa, então, ainda sem o laudo da ressonância, eu a trouxe para o hospital. No mesmo dia tivemos o diagnóstico, pela tomografia que o Hospital Centenário fez”, descreve.

Hospital Centenário não é referência para o caso

A redação entrou em contato com a Fundação Hospital Centenário para obter um posicionamento quanto à necessidade de transferência e os trâmites necessários. Em resposta, por meio de nota encaminhada pela Superintendência de Comunicação (Scom), o Diretor-presidente Clairton da Fé afimou que a instituição “não é referência para alta complexidade que envolve pescoço e cabeça”. 

Clairton da Fé acrescenta, ainda, que a responsabilidade da transferência recai sobre o Estado. “A paciente está com lesão ocipital (acima da nuca) então ficamos na dependência da regulação estadual, via GERINT para pacientes internados, cuja decisão de transferir é exclusivamente do Estado, seja ela por aceite ou via judicial”, explica.

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“Esse caso específico a referência é o HU de Canoas ou Porto Alegre que irá aceitar o paciente via Gerint ou via decisão judicial. Cabe destacar que além de todo o cuidado e atenção das equipes técnicas o HC faz diariamente a evolução do paciente no GERINT para que o regulador tome a decisão, considerando sempre o aceite do hospital de referência, que no caso é o HU”, finaliza.

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Governo do Estado responde que família deve acompanhar o trâmite com respectivos órgãos

Também procurada pela redação, a Secretaria Estadual de Saúde respondeu, por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação, que não poderia fornecer dados sobre casos específicos “em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a todos os pacientes que aguardam por atendimento e seguem o devido processo técnico de regulação”. 

No material, a SES afirma que os atendimentos são regulados conforme avaliação técnica de profissionais de saúde do município de origem e da Central de Regulação. “É esta avaliação que determina as prioridades, a situação de saúde e as condições de transporte do paciente, entre outros critérios. Dessa forma, é possível definir o momento adequado e seguro para a realização de procedimentos e transferência de pacientes”, justifica. 

Quanto ao processo judicial, a secretaria alega que “se o paciente entrou com pedido judicial ou administrativo, ele ou familiares podem acompanhar os trâmites e o andamento do pedido nos respectivos órgãos”.

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